invento uma letra que se ausenta de alfabeto. Uma letra que existe no coração de um ilhado. (perdida letra de uma busca sem dicionário) letra sem nome nem traçado: apenas espaço aberto de uma lua cheia que me mantém acordado.
Lilás ilha alopática Berço de sonhos corcundas E cobras cegas:
espelho de mim
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No pós mundo o mundo quer ser
No pós o perene resiste e o desejo de permanecer conflita com o melancólico chiste.
No pós o espaço dilata para chuvas de marfim mas o caminho balizado ainda não fora caminhado: e é ele todo vespeiro e jasmin.
No pós há tensão de passado, de futuro existindo no ponto refratário de um anacoluto
no pós o mundo mente e sorri e fala a verdade e não diz o que seu dizer deseja cumprir
no pós-tempo no vasto fora do vasto existe o rastro de um ponto sem dimensão:
a obra perfeita de humana reconciliação
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Areia no olho
coloquei minhas abstrações pra dormir. Vou tomar um porre de presenças vou me entregar a este limite quue se exala em saudades. vou ser isso e aquilo cotidiano e imanente.
um cara passou na minha rua me oferecendo películas de celular. ele existia como andarilho de toda a matéria circundante. ele vende películas de celular e tem 2 filhos em algum lugar no lima verde.
vende películas para proteger celulares indefesos contra o iminente descuido de seus mestres. películas que resistem contra o chiste da gravidade. películas que adornam este desejo incolúme de se tornar esquina de si em alguma resenha.
o menino do dutra retalha queijos como retalho tramas e o que existe lá é a mundaneidade de esbarros que invejo por serem mais tangíveis que os meus acenos à condição de ser homem escrito por mim.
a mão fica pesada quando se pontua os cantos de nossas bocas. o que ecoa é o pesado silêncio de um eterno stand-by
e esse verso dedico a toda chita que desperdicei para sentir na pele o frio de uma solidão simbólica.
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o ato se inaugura na chance de um porvir. Há uma cachoeira onde uma mulher Discorre sobre o curso natural Dos movimentos humanos. Derrete-se o hímen, O castelo já fora ofertado: Surreais reis batem à minha porta E não os recebo – Somente ao verme É que enfatizo o meu desenlaço.
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Semáforo do Relevo
Primeiro de tudo: Um futuro aberto por dois pontos, cifras de um eu que se quer ser.
Depois... O absurdo, caminho aberto a qualquer passo em tensão de reticências... braile de sublevação.
Ainda mais. O ponto. Circuncisão maculadora do irreal. Necessária ascenção ao lote.
Por fim a oração falada - Na minha língua o travessão me convida o dizer que se consome
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Estufa
E ninguém deixa a vida Dar conta de sua nutrição. Abafam constantemente O paradoxo. Como se há de ser livre Sem a contradição De tua essência ?
Só , em meio as odisseias De um tempo, Aguardo um lugar para morrer.
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Ossos e músculos Revestem A amargura De uma gaveta Que só queria Ser pássaro.