ÓCIO [Manoel Serrão]

Ócio... Ócio...
Ócio só é dócil se conciso.
Senão: vira ópio, negócio,
Divórcio ou caso de hospício!


Ar-15.
Bomba de efeito moral.
Bala (.) Para que te quero bala?
Oh! O fuzil é f (L) all!

Na lauta do almaço, resenhados versos arranhados, são malucos andarilhos descalços.
Contra o mau e as trevas, a cruz e a espada.
Contra a barbárie que lhes da na fúria?
No front? Sem desertar da bravura? Pus-me à luta, o combate!
Às armas, sonhos, às armas! Por que sonhos todos sonhos são um despertar, e um amanhecer de alívio!
Ó não vês, que entre sonhos e pesadelos, os meus exércitos venceram mais batalhas que os de Napoleão, Alexandre [rei da Macedônia], Júlio César [imperador romano] e Aníbal [general cartaginês] juntos?
D'alli no front tirou-me os fuzis o húmus das folhas soltas na terra, e a mais profícua poesia que me fora a mais bela.
D'aqui nas cavas entranhas o combate tirou-me do "sangue" os ideares mais sublimes.
D'alli no front tirou-me os hostis o “heróico” inerme, e os despertares das flores amarelas.
D'aqui nas cavas entranhas o combate, tirou-me o tempo a juventude q’u a velhice encurta as horas.
D'alli no front tirou-me o reboar dos canhões o silente sono, e do leito a esperança dos sonhos.
D'aqui nas cavas entranhas o combate tirou-me das lãs os propósitos, e os teares da paz:
Expiaram-me as culpas; sepultaram-me os pecados mais singelos.
Ó na solidão das noites "brancas", sob um diluvico mar de "rosas" e fuzis;
Dou-me conta: se d’alli mil navios perdi e d’aqui cem batalhas venci.
Agora, triunfal co' retumbantes mil Troias: eu que lutas íntimas travei;
Eu que batalhas intimas ganhei.
Restou-me, o heróico mutilado da última vitória.
E nada mais que atirando granadas nos meus infernos?
Aqui estão as minhas horas! Aqui acredito-me, minhas espadas!
Mas batalhas que nos esculpem no braço, deixam marcas nos ossos.

Empina, lanceia o Ego, guina o ID
Partiu-se a zero, rompeu-se o elo
Quebrou-se o Self e poder do Rex.
Na ronqueira da pipa solta?
O vento zumbe, a incônscia zoa.
E a razão livre da pessona tola,
Cambalhota alta pelo céu avoa...

Ó vês, dê-se aos livres átimos.
Dê-se às vós, que o reino vibra.
Sinta-o todo, é tudo corpo vibração.
Não! Não sonheis à não torná-la engano.
O sonhar a vida é perder-se em vão.
É ser vagante lost nas brumas sem visão.
Ó de que vos falo? Falo-vos, então:
O puro há de tão parecer-te ficção,
Quão o iluso há de são parecer-te eclosão.
Vai! Apressa-te aos teus lócus ame nus.
Dê-se da noesis a rés furtiva –, a louca opressão.
Ó covarde crônico de chapéu na mão.
Quae será onde ‘stás?
A realidade é uma quimera ilusão.

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