Manuel CAmor

Manuel CAmor

n. 1946 PT PT

Luso Angolano auto exilado na cidade da Horta, Faial Açores.Pastor de muitas madrugadas, da sua vida fez um poema de que falta terminar a última estrofe...Tem poesia dispersa por jornais, revistas, folhas de cadernos, guardanapos, net e sabe lá mais por onde...

n. 1946-08-08, Lobito Angola

Perfil
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E dizer que é Amor


A brisa traz-me intensos sons de marulhar

notas dedilhadas em teu corpo
na hora de dividir silêncios.

E dizer que é amor
estas linhas taciturnas

bordadas

nas nossas caras, que pulsam suspiros
na hora da telenovela!

Horta 2011
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Biografia
Biografia de Manuel C. Amor

Nome literário de José Manuel Couto Amor, Luso-Angolano nascido em 8 de Agosto 1946. Actualmente vive "auto exilado" na cidade da Horta Iha do Faial Açores.

Começou a escrever muito cedo, (aos seis anos na escola primária) mas só publica o seu primeiro poema em 1965 em Luanda na Revista Trópico..

Sem nunca ter feito da escrita a sua actividade principal ,tem poesia dispersa por vários jornais e revistas e está representado em diversas antologias de poesia,  destacando-se:

Edições II,III, IV, V, e VI da Antologia de Escritas, com coordenação do poeta José Félix;
 Antologia Poética Amantes das Leituras 2008, Edium Editores,
 2ª Antologia Poética-Literária – Edição Histórica – Associação Virtual Brasileira de Letras (ABVL), 2006
Obras Publicadas:

"Na Rota do Quinaxixe" - Luanda, 1971,  Edição do autor (esgotado)
"A Metáfora das Asas" - Porto, 2008, Edium Editora
"Despolarização ou o Diário dos Dias Brancos" - Coimbra, 2009, Temas Originais Lda 
"Canto de Diáspora" Vozes de Angola, Coimbra, 2013, Temas Originais Lda.

Poemas

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E dizer que é Amor


A brisa traz-me intensos sons de marulhar

notas dedilhadas em teu corpo
na hora de dividir silêncios.

E dizer que é amor
estas linhas taciturnas

bordadas

nas nossas caras, que pulsam suspiros
na hora da telenovela!

Horta 2011
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Poema do Baile (Milagre de Nossa Senhora da Muxima)


Te pedi um beijo
disseste não e partiste
xinguilando com tuas amigas
lá no fundo do salão.

Fiquei triste.
Muito triste mesmo.

Me deu vontade de zunir
perder na noite
me afogar nas águas da kianda.

Mas,
quando o disco do senhor Braguêz
tocou aquela música
o meu olhar encontrou o teu olhar
e, sem te pedir
vieste com tua mão segurar minha mão
e me puxar no meio salão.

Rodopiamos loucamente embevecidos
Nossos corpos se apertaram
corpo no corpo
Nossos olhos
Se olhavam olhos nos olhos
Teus seios duros maboque
transmitiam um calor
que não era o calor da noite.

Na tua boca
sorriso maroto
A minha boca calada
te querendo dizer palavra bonita.
Mas palavra não saía.

e, da minha cabeça zunia uma prece
para Nossa Senhora da Muxima

Ah! Nossa Senhora da Muxima,
por favor, me acode
por favor me ajuda!

E, no meio do salão
nossos corpos cada vez mais aconchegados
nossos braços nos apertando,  cada vez mais forte
nossos corações cada vez mais apressados
batendo que nem compasso de rumba.
nossos lábios cada vez mais perto

E num repente,
te roubei aquele beijo primeiro.

Paramos no meio do salão
e na nossa volta já nada existia
parecia: o mundo parou!

AH louca loucura!
Afinal me tinhas mentido naquela hora
quando disseste não!

Mas Nossa Senhora da Muxima
ouviu meu coração
e te obrigou a falar
a verdade do teu coração!

Manuel C. Amor
Luanda, 1969,
Menção honrosa nos Jogos Florais
das festas de Nossa Senhora da Muxima

 
78

Do auto-exilo


Aqui, onde agora vivo,
                              ainda não consegui encontrar o elixir,
                              que convença o tempo
                              a mudar o horizonte

 

Manuel C Amor 
Faial, Açores, Dezembro 2016
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