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Teu nome


Se você fosse uma palavra, certamente seria a mais bela,

talvez eu te chamasse de adorável,

ser encantado que desorienta minhas razões. 

Ou o chamasse de caminho, mas não qualquer um,

você seria aquele com harmonioso cenário,

ainda poderia chamá-lo de mistério ou de infinito,

já que não posso imaginar sua dimensão.

Seu nome poderia ser chuva, rio

ou o nome de qualquer substância fluida que mate a minha sede,

também te chamaria de marés

e lembraria o balanço do seu corpo sobre o meu.

Então começo a divagar por pensamentos e me vem a saudade,

palavra bonita que também me lembra você.
 
Recordo tantas outras belas palavras:

coragem, esperança, memória,

sem dúvida, seu nome seria o mais sublime de todos.

Mas nome bonito mesmo é liberdade

e você teria nome e sobrenome.

 
Autora: Ive Nenflidio
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Poemas

34

Cantigas


Por ti recito uma canção

Canto poemas

Delineio temas

Descanso olhos exauridos

Rezo uma oração

Registro novos versos

Caderno de páginas em branco

Ilustro traços

Caracteres onde encontro você

Fomos atraídos, entregues ao prazer

Agora repousamos

Adormecemos silentes

Figuramos serenos

 
Autora: Ive Nenflidio

233

Devoção



Estou acesa, clamo por ti!

Inviável mundo

Vida efêmera

Vida rasa

Corpos separados pela cólera

Estamos distantes

Intermitente privação

Distanciamento que corrói

Não fui capaz de tê-lo em meus braços

Sem seus abraços

Procuro decifrar dilemas

Abandono trincheiras

Me liberto de algemas


Autora: Ive Nenflidio (Calendas de Março)
 


218

Revolução


Turbulento celeiro que guarda as armas da revolução

daqueles homens que fogem da tirania.

És um bandoleiro, um adorável aventureiro?

A esperança está perdida?

É tarde, muitas batalhas indecorosas,

com medalhas insignificantes.

Aproxima-te da morte!

Abandona, foge!

 
O céu negrume anuncia a abundante tempestade,

são tempos sombrios.

Quero-te vivo, amor avassalador!

Sepulta essa luta de territórios conspiratórios,

são tempos inglórios!

 
Autora: Ive Nenflidio (Calendas de Março)

145

Por onde andas, meu amor?


Te perdi, quase o tive em meus braços!

Perco a esperança

Cadê você?

Onde está minha fé?

Também a perdi?

Agora não tenho mais nada, só dúvidas

Transformei pensamentos em fantasmas

Não creio mais na humanidade

Não conheço mais o significado de confiança

Vivo uma vida covarde, não construí nada

Sou nada sem ti

Meus desejos adormeceram num sono infinito

Não sinto mais nada

O vazio arraigado me habita

Tenho uma ferida aberta a nunca secar

Um pesadelo sem lágrimas

Meus pulmões já não trabalham

Estou sufocada, afogando na imensa tristeza

Uma busca sem fim

Por onde andas, meu amor?

Você me mostrou que é possível amar

Me emprestou a beleza

Mínimas sutilezas

Pequenos momentos

Por onde andas?

Quanta aflição! Quero te encontrar!

Quero descansar desta busca exaustiva

Não quero mais enfrentar seres bárbaros

Não existe poesia na brutalidade

Não existe poesia na perda

Na impossibilidade de tocá-lo

Troquei realidades por sonhos

E não gosto do que vivo

Uma vida plástica, artificial

Vazia de você!

Sonhei algumas noites que recebia cartas

Eram tuas as palavras. Por onde andas?


Autora: Ive Nenflidio (Traços de uma ditadura)
 


245

Tormenta



A tempestade anuncia um tempo sombrio,

tempo de perseguição,

tempo da indelicadeza,

ainda bem que tens a tua intuição, querida amada!

Quando enxergares as tropas dos homens da petulância,

dos braços da intolerância,

foge! corre!

Deixo para ti um tempo de sabores e amores,

você que passeia em meus pensamentos!


Autora: Ive Nenflidio
222

Tempos autoritários


Rasgo o peito já tão dilacerado,

quero arrancar essa dor.

Perversa ausência,

apaga esse tempo de aflição,

não existe compaixão nas mãos do torturador. 

Estou à espreita, vigio do alto dos mirantes, busco respostas,

fico sem explicações, sem conclusões...

Você era apenas um sonhador,

buscava sua utopia nos livros de Thomas More.

Jamais encontrou!

Amado...

Não existe arrependimentos nas mãos do feroz algoz

tirano que separa meus olhos dos teus.

Será que partiu?

Será que és tu aquela estrela mais cintilante?

Autora: Ive Nenflidio
164

Contemplação


Velo cuidadosamente seu sono,

me distraio em pensamentos íntimos.

Reflito!

Examino detalhadamente sua alma, cada fragmento,

és indecifrável,

és vulnerável.

Deliciosa contemplação,

estudo atentamente sua anatomia,

sua face adorável;

despertas em abundante deleite,

como-te com os olhos...

Acato, me entrego!

Sou tua!

Autora: Ive Nenflidio
237

Confluência


Acolho o inevitável e tento não polemizar.

Rara solidão, terrível cerceamento, malsucedido retiro obrigatório,

já não me deixo abater.

Guardei sentimentos, parei de vitimizar.
 
Aprendi a suportar a privação; resisto, não sofro mais no exílio.

Sou como pássaros migratórios aguardando o início da viagem. 

Me conduzirei até você, irei ao seu encontro,

conto os dias e as noites.

Amado...

Não se afogue no álcool, não dramatize, pare de morrer,

aceite esse momento de conflitos internos! 

Chegasses sem avisar e me consumisses com sua voz, com sua coragem,

tome fôlego!

Acalma o coração!

Logo meus olhos encontrarão os seus e,

apesar das forças contrárias, logo estarei em seus braços.

Você vem me encontrar, percorrerá infinitos caminhos,

fugirás para os meus braços, te entregarei meu ombro,

te direi palavras exageradas,

terei ciúmes das minhas mãos que te tocarão e

preencherei todo o meu corpo com o seu excesso.


Autora: Ive Nenflidio

249

Segundas intenções


Lua, quero visitar sua outra face,

será que existe outro Jorge com seu dragão?
 
Quiçá conhecesse as suas crateras profundas,

seus desmedidos mistérios e,

por fim, conhecesse algo que me courace,

me guiando para um lugar alcantilado,

um refúgio inabitado,

um raro amor que me envolvesse,

amaria assistindo o infinito,

fitando estrelas ritmadas;

se esse homem forasteiro enfim surgisse e

dentro daquele vagão me provocasse,

partiríamos para uma contestável contravenção.

Autora: Ive Nenflidio
184

Sonhos nº 1

Que estranho devaneio,

sonhei que o Sol me assistia com um largo sorriso,

aquentava meu corpo despido e observava.

Seu esplendor me ofuscava,

Cegava;

levantando, experimentei uma terrível vertigem.

Ao lado da cama, espreito a fenda da janela,

enxergo em grande delírio plantas com folhas secas,

entoando uma triste melodia.

Sol calado e quente,

és calor que fascina,

estou arrebatada e continuo observando.

Vejo pássaros numa desalinhada coreografia,

asas escancaradas,

vejo partículas de orvalho na vidraça.

Imagino aquele homem desconhecido

que eroticamente traduz meus sonhos,

como um pesquisador de oceanos profundos.

Com seu escafandro, me escava, me decifra,

busca conhecer meus mistérios.

Autora: Ive Nenflidio
193

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joaoeuzebio

LINDO POEMA SÃOPALAVRAS ENCANTADAS QUE NOS FAZEM VIAJAR