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Teu nome


Se você fosse uma palavra, certamente seria a mais bela,

talvez eu te chamasse de adorável,

ser encantado que desorienta minhas razões. 

Ou o chamasse de caminho, mas não qualquer um,

você seria aquele com harmonioso cenário,

ainda poderia chamá-lo de mistério ou de infinito,

já que não posso imaginar sua dimensão.

Seu nome poderia ser chuva, rio

ou o nome de qualquer substância fluida que mate a minha sede,

também te chamaria de marés

e lembraria o balanço do seu corpo sobre o meu.

Então começo a divagar por pensamentos e me vem a saudade,

palavra bonita que também me lembra você.
 
Recordo tantas outras belas palavras:

coragem, esperança, memória,

sem dúvida, seu nome seria o mais sublime de todos.

Mas nome bonito mesmo é liberdade

e você teria nome e sobrenome.

 
Autora: Ive Nenflidio
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Poemas

34

Viajar


Para viajar, basta existir.

Concordo com essa fala de Fernando Pessoa,

muitas vezes viajamos na nossa imaginação

ao lermos um bom livro, ao assistirmos a um filme,

a um espetáculo musical ou percorrendo céus e estradas;

seja na ficção ou no dia-a-dia da realidade frenética,

sempre estamos viajando.

Viver é caminhar para a maior de todas as viagens, a morte!

 

Autora: Ive Nenflidio
162

Trocas


– Mulher existente em meus pensamentos,

se neste instante eu sucumbisse,

você ainda me manteria em seus pensamentos?

Eu continuaria presente em seus sonhos?

– Sim, menino do mato,

você sobreviveria dentro de mim...

– Mulher, eu preciso conhecer novas estradas,

realizar uma grande viagem.

– Você não voltará?

Quero que você me ensine tudo,

quero aprender a observar as nuvens,

aquelas com formas de bichos e

as grandes Cumulus Nimbus.

Por que foges de mim, menino do mato?

Quero aprender contigo

a contemplar o pôr-do-sol e a compreender

todos os fenômenos naturais,

quero conhecer todas as paletas da mata,

todos os perfumes das flores.

Menino que mora dentro de mim,

Por que o cheiro da relva molhada é

diferente do perfume da terra encharcada?

– Não posso responder todas as

suas indagações, querida amiga...

há muitos lugares a serem explorados,

eu devo desbravar novos destinos,

subir a montanha,

procuro novos perfumes

com notas puras,

preciso percorrer todas as chapadas,

escalar todos os picos,

serão singelos momentos e

no alto de cumes

plantarei rosas vermelhas pra ti;

meus olhos enxergarão longe e

te sentirei junto a mim,

serei devorado por pensamentos,

terei espasmos dolorosos.

– Por que foges de mim?

Menino...

sem ti como conhecerei os perigos dos mares, rios e cachoeiras?

preciso desafiar meu corpo em longas caminhadas,

você me mostraria novas trilhas,

decifraríamos todas as cores do arco-íris,

sem pestanejar,

me olharia,

iluminaria meus questionamentos,

eu enxergaria o mundo com os seus olhos de menino.

– Mulher, se eu ficasse aqui junto a ti...

você que está presente em minhas entranhas,

com seu perfume visceral,

no mais fundo da minha busca instintiva,

sei que as coisas simplesmente

não permaneceriam iguais,

não posso ficar,

delicada mulher de largos sorrisos,

não fique triste!

não sou daqui,

sou do mato,

sou livre e estou preso,

sou como um pássaro enclausurado, não canto mais.

E esse cantador você não pode mudar!

 
Autora: Ive Nenflidio
 

149

Prece


Penso nas dores do mundo

E nos algozes sem alma

Penso no Cristo torturado

No sofrimento de seres mutilados

Penso nos famintos isolados

Em campos de refugiados

Penso nas crianças com corações dilacerados

Nos homens atormentados

Penso no silêncio dos violentados

Nos seres desesperados

Penso em antigas civilizações

Nas lamentações

Em velhas reinvindicações

Penso nas mentes doentes

Nas mães impotentes

E nos heróis resistentes

Que o medo não me afaste dos meus sonhos

Que as dores não me tirem a esperança

Que a frieza dos homens não me cegue

Que a hipocrisia não me afaste do justo

Que os temores que sinto não me impeçam de ir até você

 
Autora: Ive Nenflidio
173

Veredas


Algumas estradas, as mais belas ainda me levam até você!

Estou em seus pensamentos?

Cante-me uma prece,

crie belas melodias dedilhadas...

Estou em sua mente? 

Venha me visitar, invada meus sonhos,

brinque com meus desejos...

Sente saudade?

Desenha-me uma canção,

recita-me uma sinfonia...

Sente minha falta?

Venha me ter...

Me quer? Mereça-me.

 
Autora: Ive Nenflidio

158

Eu sem você

Será que nunca estarei em teus braços?

(Re)desenho novas formas de viver sem ti,

admito que estava terrivelmente equivocada.

Complicado seguir sem ouvir tua voz,

sem te perceber em meus sonhos,

sem sentir mais meu corpo incendiar.

Complicado não receber tua visita no meio da noite,

reconhecer que era tudo uma adorável ilusão.

Complicado não ter mais para quem escrever.

A vida...

idealizamos caminhos que nunca percorreremos,

abraços que nunca teremos,

olhares que nunca trocaremos,

paixões que nunca concretizaremos,

beijos que nunca receberemos.

 
Autora: Ive Nenflidio

217

Desejo infinito


Saudade da estrada

Sou barco ansiando

Som das águas chegando

Promessa lenta

Tempo ingrato

Te aguardo

Sofro por não te abraçar

Sou súbita morada

Destino escasso

Vivo além do tempo

 
Autora: Ive Nenflidio

227

Apressa-te



Procuro palavras, respostas

Mensagens nas ondas eletromagnéticas

Só encontro o silêncio

Se afasta acanhado

Te dou espaço

Quero-te inteiro

Quando desejares

Vens a mim

Desejo encoberto

Só me pertence o que abraço

E assim me guio aos seus braços

Estranho intruso de pupilas entontecidas

Não demores!

Preciso falar em seu ouvido

Direi palavras proibidas

Brincarei com os seus cinco sentidos

Te conduzirei ao Vale da Lua

Lugar de cantos e encantos

 
Autora: Ive Nenflidio

234

Somos atores


Na eterna expectativa para o início do espetáculo,

estamos apartados, concentrados, cenas complementares.

Me preparo para o grande ato,

observo as cortinas do proscênio do antigo teatro,

penso na nossa primeira troca de olhares,

idealizo belas interpretações.

Primeiro ato...

Você chega de mansinho,

extraordinária espera,

como já esteve em outros bastidores.

se aproxima calmo,

não te reconheço, face desconhecida;

observo teu corpo,

te vejo com contornos indefinidos,

visão encoberta, visão turva,

luzes apagadas.

Segundo ato...

Corações de tempos antigos,

almas atadas

finalmente se encontram,

estão unidos para dramas encenados

ao som de antigas árias,

trocam olhares silenciosos,

toques sutis,

abraços cerrados,

desejos aflorados,

súbito calor,

palavras confundidas, fictícias,

difusas, perdidas...

Finalmente te reconheço, você estava em meus pensamentos...

Guardado em instantes, eternizados.

Fim do segundo ato.

 
Autora: Ive Nenflidio

149

Lusco-fusco

Na busca por novos caminhos,

tento decifrar desatualizadas cartas,

primitivos manuscritos com raros caracteres,

não compreendo, são frases implícitas,

confusas visões... bifurcações...

Confesso segredos em breves distrações;

definitivo lusco-fusco,

singela luz do declínio,

doce crepúsculo,

chega sem pressa...

É um fugaz divisor das águas.

Estou inquieta, tento meditar, busco a paz,

não sinto o vento, estou ardendo,

você partiu levando um pedaço de mim,

penso em tuas mãos caminhando em meu corpo,

fotografo teu rosto para te esquecer,

procuro a melhor metáfora poética.

 
Autora: Ive Nenflidio
224

Alucinação

Sonho confuso:

como invenção de antigas memórias,

reparo carros enfileirados, 

analiso o fluxo lento...

Apressados?

Só os corpos angustiados...

confinados em comboios.

Caminhos congestionados e desejos lépidos.

Em meio ao caos,

presencio inusitada beleza ofuscante,

contemplo um exuberante pôr-do-sol,

estaciono na estrada,

fotografo em pensamentos todas as cores,

que extravagante visão emocionada!

Vejo pássaros falantes e

me confundo com os motores silenciosos,

ouço melodias entoadas por anjos solitários,

como preces de eremitas

que, aprisionados na solidão,

contemplam o horizonte dos deuses. 

Aprecio o entardecer, sigo...

não ouço buzinas, mas observo pelo espelho retrovisor

algo que ficou no passado,

vejo mãos gesticulando, corações agitados.

Entendo... Acelero!

Não desperto do breve devaneio,

permaneço presa ao mundo dos sonhos...

Autora: Ive Nenflidio
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joaoeuzebio

LINDO POEMA SÃOPALAVRAS ENCANTADAS QUE NOS FAZEM VIAJAR