Marcello Chalvinski

Marcello Chalvinski

n. 2011 BR BR

n. 2011-07-30, Sao Luís MA

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SEDUÇÃO


dos amores

ainda uma vez o pensamento



de amor à
vista

viés de olhos molhados

sobre a vida em revista



é sábado

& a chuva

(imprevista)

veste-se de amores

fantasias líquidas
urdidas

com os fios dos temporais

que me consomem



é sábado

ainda

como se ainda

a alma
fosse límpida



não há nada a esperar



vem

vamos passear

no jardim
das delícias

vem breve
& vem sem medo



de nós nada restará

a não ser a verdade do poema





(TEMPORAL - 2005)

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Poemas

3

Oceanus Procellarum



1

a tempestade

chegou vestida
de negro



na exatidão
mais que
cruel

de seus cabelos

trouxe consigo
o vento

& agitou inteiro

um mar

de desmantelos



na vaga

que contra outra

vaga se
chocava

compunha-se destruidora

a cadência
com que
andava



deusa vestal

atenta a deuses ilusórios

a tempestade
exibia

nos olhos

o lampejo
abissal

de seus raios



2


a tempestade
se foi

vestida de negro

alçou a noite
insana


& eu

em desespero

a verbo

a fogo

a blues

a nu





gritava

sob a lua:

baby junk

where are you?

475

SEDUÇÃO


dos amores

ainda uma vez o pensamento



de amor à
vista

viés de olhos molhados

sobre a vida em revista



é sábado

& a chuva

(imprevista)

veste-se de amores

fantasias líquidas
urdidas

com os fios dos temporais

que me consomem



é sábado

ainda

como se ainda

a alma
fosse límpida



não há nada a esperar



vem

vamos passear

no jardim
das delícias

vem breve
& vem sem medo



de nós nada restará

a não ser a verdade do poema





(TEMPORAL - 2005)

653

BÉLICA

1

há uma mina que explode

sob o asfalto da tarde gris


sem que ninguém a toque

rarefaz-se em cabelos etéreos

sustém-se em sapatos de giz


2

há uma textura de pedra

(nessa que explode)

há centenas de ardis

há um silêncio molhado

há um perigo que medra

há bombardeios sutis

3

em meio ao festim dessas balas

essa que explode

(sem que ninguém a toque)

oculta bombas-crisálidas

esconde borboletas-flor-de-lis

4

por trás do ar de donzela

posso adivinhá-la

felina branca num jardim de opalas

seda clara sobre o chão de pedras

5

eis que ela (de tão rara)

engendra transfinita uma canção que me abala

&

num bailado que me desespera

abre a blusa feminil & dispara

química

metálica

biológica

mortífera

ferina pantera

exata como um míssil

inverossímil de tão bela







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