Lista de Poemas
De Ferir e de Acariciar
meu verso
é ácido, pontiagudo
e aveludado...
meu verso
é a mais hábil carícia
de que sou capaz
é ácido, pontiagudo
e aveludado...
meu verso
é a mais hábil carícia
de que sou capaz
424
Rebentos
Meus filhos têm grandes asas
e começam a ganhar o mundo
Há nisso um orgulho enorme...
e uma angústia maior que tudo.
e começam a ganhar o mundo
Há nisso um orgulho enorme...
e uma angústia maior que tudo.
514
Me Deixa Chorar
Só me deixa chorar um pouco
pro coração não explodir no peito
Só me deixa chorar um pouco
quieto e interiorizado
pra lavar do peito
a cicatriz que atormenta meu riso
Só me deixa chorar um pouco
pro sal cauterizar a morte
e não ruir no peito
o amargo dos meus desastres cotidianos
Só preciso chorar um pouco
pro coração não explodir no peito
Só me deixa chorar um pouco
quieto e interiorizado
pra lavar do peito
a cicatriz que atormenta meu riso
Só me deixa chorar um pouco
pro sal cauterizar a morte
e não ruir no peito
o amargo dos meus desastres cotidianos
Só preciso chorar um pouco
267
Chorar um pouco
Só me deixa chorar um pouco
pro coração não explodir no peito
Só me deixa chorar um pouco
quieto e interiorizado
pra lavar do peito
a cicatriz que atormenta o riso
Só me deixa chorar um pouco
pro sal cauterizar a morte
e não ruir no peito
os meus desastres cotidianos
Só me deixa chorar um pouco
pro coração não explodir no peito
Só me deixa chorar um pouco
quieto e interiorizado
pra lavar do peito
a cicatriz que atormenta o riso
Só me deixa chorar um pouco
pro sal cauterizar a morte
e não ruir no peito
os meus desastres cotidianos
Só me deixa chorar um pouco
296
Porto Inseguro
enquanto isso
os meus teores
as minhas essências
se atracam
a qualquer porto inseguro
onde amo e odeio
em nome da rima
onde tudo me serve à rima
os meus teores
as minhas essências
se atracam
a qualquer porto inseguro
onde amo e odeio
em nome da rima
onde tudo me serve à rima
312
Poesia cotidiana
Todo dia chove poesia
Mas não basta sair na chuva
É preciso se deixar molhar
E beber um pouco de vinho
Na sua taça, sob os lençóis
Para que a poesia se faça
E se perpetue em nós
Mas não basta sair na chuva
É preciso se deixar molhar
E beber um pouco de vinho
Na sua taça, sob os lençóis
Para que a poesia se faça
E se perpetue em nós
374
Paixões
Dentre as paixões que me cabem
A mais arrebatadora ainda está por vir
E furtará a serenidade dos meus oitenta anos
A mais arrebatadora ainda está por vir
E furtará a serenidade dos meus oitenta anos
334
Heranças
Tenho sempre à mão
Um punhado de sonhos
E outro de desejos
Um terço herdado
E um bendito punhal destinado
A defender meus poucos bens
Tenho sempre a mão
Alguns calos formados pela labuta
A memória e o calor
Do corpo de alguma puta
As tristezas e os medos
Escapando pelas frestas dos dedos
Tenho sempre a mão
Um pedaço do que fui um dia
E muito do que somos... para sempre
Um punhado de sonhos
E outro de desejos
Um terço herdado
E um bendito punhal destinado
A defender meus poucos bens
Tenho sempre a mão
Alguns calos formados pela labuta
A memória e o calor
Do corpo de alguma puta
As tristezas e os medos
Escapando pelas frestas dos dedos
Tenho sempre a mão
Um pedaço do que fui um dia
E muito do que somos... para sempre
400
Língua
Eu sou a língua
Que te traz o verso
Ao pé da orelha
Que te lambe a carne
E te alucina os sentidos
Que te expande o corpo
Em gozo
Que te roça os lábios
E entorna o brilho
Dos teus olhos de Espanha
Eu sou a língua
Que te acende a lua
No céu da boca
Que te foge ao controle
E te alimenta o cio
Que te arrepia os pelos
De ouro
Que cala a palavra
E impulsiona o grito
Do prazer que brota em ti
Que te traz o verso
Ao pé da orelha
Que te lambe a carne
E te alucina os sentidos
Que te expande o corpo
Em gozo
Que te roça os lábios
E entorna o brilho
Dos teus olhos de Espanha
Eu sou a língua
Que te acende a lua
No céu da boca
Que te foge ao controle
E te alimenta o cio
Que te arrepia os pelos
De ouro
Que cala a palavra
E impulsiona o grito
Do prazer que brota em ti
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