marcoalvarenga

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Sou Poeta Acadêmico, ocupo a Cadeira de Número 2 do Colegiado de Letras da "ACLASP"- Academia de Ciências, Letras e Artes de São Paulo. Também sou artesão, com trabalhos em madeiras feitos com estiletes...

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FACE DE UM SONHO...

Talvez eu seja a parte insignificante de um sonho,
uma vaga lembrança de alguém que me amou,
uma frase esquecida de um poema perdido em qualquer pergaminho,
uma vida que ficou no caminho...
Talvez eu seja uma passagem sem portas abertas,
uma janela sem horizonte, felicidade sem ponte,
um triste adeus.
Quem sabe um lamento, o sol, o vento
que sopra a brisa serena na noite,
que encerra o dia deixando-o no passado.
Talvez eu seja o único, o sádico, o sarcástico,
o pródigo, o médico, ou o clérigo.
Talvez eu seja o outro, o culto, o sábio, o gênio,
talvez eu seja ar, talvez eu seja augusto,
talvez eu seja inferno...
Talvez eu seja encanto, um canto, uma fábula,
ou quem sabe o espanto da face da gárgula,
talvez eu seja eu, ou um sonho vazio.

Marco A. Alvarenga
                                             
                                                          
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Poemas

20

AMIGO BEIJA-FLOR...

Falo ao beija-flor sobre os pecados das rosas,
Ao enfeitar de cores meus versos e prosas,
Encantando meu jardim com raras variedades...

Falo ao beija-flor sobre o néctar das flores,
Ao me fartar de aromas e dos teus odores,
Que mostram a essência das puras verdades...

Falo ao beija-flor do encanto das borboletas,
Torturadas em livros, quadros e gavetas,
Da metamorfose que lhe deu a liberdade...

Falo ao beija-flor sobre a mulher que me ama,
Da alegria do desejo no inflamar da cama,
Da procura constante pela felicidade...

Falo ao beija-flor do encontro perfeito,
Da tua loucura quando me pega de jeito,
Deixando em meu peito a dor da saudade...

Marco A. Alvarenga
                                                                   
172

FACES EXPOSTAS...

Existem vontades que incomodam,
desejos que alucinam, sonhos eternos...
Há luzes que se apagam,
brilhos opacos, velas mortas...
Outros momentos inventados,
de poucos abraços, de faces expostas...
Há um sorriso apagado,
escondido no escuro... Ou atrás da porta.

Marco A. Alvarenga

                                                           
156

PALATINUS...

Dá-me tuas mãos ao cavalgar em noites mortas,
te guiarei por caminhos incertos,
sou tua incerteza a procura de nós...
Fita-me com teus olhos
e te mostrarei quão grande é o infinito,
sou o teu olhar mirando estrelas...
Queira-me aos teus braços
na saudade que me mata,
sou o teu abraço esquecido nas lembranças...
Deixa em minha boca,
as verdades dos teus lábios...

Marco A. Alvarenga
 
                                                     
147

INESQUECÍVEL...

Eu esqueço nomes, mas não esqueço gestos, esqueço palavras, mas recordo um bom livro.
Assim como um bom vinho é inesquecível ao paladar, tudo o que é bom é evidente recordar...

Marco A. Alvarenga

                                                     
154

FACE DE UM SONHO...

Talvez eu seja a parte insignificante de um sonho,
uma vaga lembrança de alguém que me amou,
uma frase esquecida de um poema perdido em qualquer pergaminho,
uma vida que ficou no caminho...
Talvez eu seja uma passagem sem portas abertas,
uma janela sem horizonte, felicidade sem ponte,
um triste adeus.
Quem sabe um lamento, o sol, o vento
que sopra a brisa serena na noite,
que encerra o dia deixando-o no passado.
Talvez eu seja o único, o sádico, o sarcástico,
o pródigo, o médico, ou o clérigo.
Talvez eu seja o outro, o culto, o sábio, o gênio,
talvez eu seja ar, talvez eu seja augusto,
talvez eu seja inferno...
Talvez eu seja encanto, um canto, uma fábula,
ou quem sabe o espanto da face da gárgula,
talvez eu seja eu, ou um sonho vazio.

Marco A. Alvarenga
                                             
                                                          
201

THE TIME...

"O Tempo ensinando a vida...
E a vida nos envelhecendo,
e nos abraçando, dia após dia,
a cada momento, a cada carinho, a cada olhar...
O Tempo, que nos empurra,
para o fim de tudo, ou princípio do nada,
para a incerteza que nos reduz.
Mas o Tempo, sempre será breve e absoluto,
e não se atrasa para dizer adeus...
Façamos dele o começo de tudo,
na dança das horas,
na busca da certeza da vida,
sem que precise voltar para casa,
para buscar conforto, abraçar o silêncio
e esperar pelo Tempo...".

Marco A. Alvarenga

                                                  


274

À POESIA...

Te escrevo, como descrevendo a vida,
às vezes amarga, ás vezes doce, mas sempre intensa...
Te escrevo com ânsia, como se fora o ar que respiro,
como a água que necessito...
Te escrevo, como se eu tocasse a flor, com a carícia
de um poeta e a suavidade da brisa...
Te escrevo, com a ira de um vulcão em erupção,
na intensidade do ódio, na fúria insana...
Te escrevo, no transcorrer do tempo, quando nasce
o dia e morre a noite...
Te escrevo à minha maneira, com a essência
da alma e o corpo inteiro...

Marco A. Alvarenga


                                         
164

MARCO POR MARCO...

Sou feito fera,
um tanto faminto
devorador da vida
sofrida, chorada,
sou cegueira crônica
aos olhos alheios,
sou esteio da humanidade...
De defeitos feios
qualidades lindas,
sem redundâncias,
sem arrogâncias,
aquariano perfeccionista,
ilusionista da ilusão...
A experiência inesperada,
o conhecimento tardio,
a coerência,
do eu também posso,
a malandragem
que incomoda,
fora de moda,
pão com manteiga...

Marco A. Alvarenga

                                                        
162

QUASE UMA DOR...

Quando me pego revendo meus poemas,
me vejo com semblante já um tanto cansado,
os olhos marejados de saudades...
Viajo nos meus próprios pensamentos passados,
e sinto que o sonho ainda não acabou,
que o entardecer das palavras me pedem socorro,
e a poesia me consome...
Transporto-me, para reviver momentos,
aliviar meus pesos, acalmar minh‘alma.
A primavera se foi e com ela as flores,
ficou o pó sobre o banco da praça, sem graça,
em ruínas, também cansado de ouvir histórias...
Sobraram noites sem luares, restaram frases perdidas,
e uma porção de reticências...
Ficou o som do soneto, o poema bem feito,
e os versos de amor.
Quando me pego revendo meus poemas,
é quase uma dor...

Marco A. Alvarenga


                               
149

QUASE NADA...

Temos pouco tempo, quase nada, quase um caso, quase um beijo, quase um abraço...
...Temos pouco tempo, um encontro às pressas, às avessas, às escuras, aos momentos... Temos quase um tempo...
Temos pouco tempo, de idade, de intimidade,
de toque, pouco tempo de pele na pele, de odor, de flor e amor...
Temos pouco tempo de sorrisos, de risos, gargalhadas, pouco tempo de sonhos, e mais nada...
Temos pouco tempo de sol, de mar, de amar, pouco tempo, pouquíssimo tempo, para mim, para ti, pouco tempo para nós...
Temos pouco tempo da noite, para o céu estrelado, para a lua de encantos, para o canto das vozes, para os gritos ferozes, que saem da alma...
Temos pouco tempo, para ouvir a canção preferida de versos perfeitos, talvez um segundo perdido no tempo...
                                                         
Marco A. Alvarenga                                       



                                                        
163

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