LUA
Você já olhou para o céu hoje
Fitou a lua
Sentiu o seu brilho no rosto
Deixou se envolver por inteiro
Não só o corpo, mas a alma também.
O coração bateu mais forte
Enamorou-se
Reinvente-se enlace os dedos
Deixe este brilho invadir seu coração
Que irar deslizar pelo seu corpo
Revigorando sua alma com os fluídos da natureza
Brotando flores de amor
Que se espalham difundindo o luar
Abrindo-se portas e janelas por onde passarem
Margarida Cabral
MÁSCARAS
Máscaras que vestem rostos
Que se ocultam da realidade
Deixando de transparecer a verdade
Em véus que cobrem todo viver
Ocultando a beleza do sorrir
Os olhos de cristais
De tão ocultos não sei se é verde ou azul
Só imagino que são duas pedras brilhantes
Que cintilam...com muita luz
Mesmo ocultos exalam beleza e felicidade
Em gestos e palavras pronunciadas com exaltação
Deixando transbordar a alegria do viver
Sem se intimidar
Todo é despretensioso e natural
E encantar quem teve a oportunidade de vivenciar
Margarida Cabral
SAUDADE DE MAMÃE
Mãe um ano de saudade, como é bom ter sido tua filha minha eterna amiga
Quantas lembranças que ficaram albergadas na linha do tempo
Que exalam em fios de contentamento
Como sou feliz por desfrutar deste momento
Das idas a cidade alta
Subíamos no ônibus tão apertado
Íamos ao centro da cidade, indo em cada loja vê as novidades
Eram tantas, Lobrás, Sapataria São joão Batista entre outras que não lembro agora
Visualizarmos o pôr do sol com seus raios luminosos na pedra do Rosário
A festa de Santos Reis íamos todos os anos
Era roda gigante, cavalinhos e balanços...
Nunca faltava um banho de mar e uma pipoca
Crescemos e você nunca deixou de nos acolher
Nas orientações tão sábias que são eternizadas
E permanecem por todo nosso viver
Oh! minha mãe quanta saudade de você
Margarida Cabral
AGASALHO DE ROSAS
Faz em mim um agasalho de rosas
Aonde eu posso mirar o desabrochar dos botões em pétalas
De felicidade
De amor
Em cada pétala encontrada desejo que cresça uma áurea de ternura
Sem visualizar as lisuras
Que atropela o coração
Que fiquem ocultas
Sem aparição
Gostaria de mirar os desalinho da ilusão
Que transparecessem em raios de luzes enfeitando o chão
Para poder sentir firmeza e ilusão
Cobrindo de sonhos que se dissipam em caminhos esperançosos
Fazendo surgir um guia que me leve ao ápice da compreensão
Servindo de agasalho ao jardim de rosas que brota no coração...
Margarida Cabral
CASA E COMIDA
Casa comida canção
Casa comida solidão
Casa comida união
Casa comida doce viver
Casa comida pra cada ser
Casa comida divisão
Casa comida em cada lar
Casa comida a flutuar na mesa de cada um
Casa comida a saborear
Casa comida a partilhar
Casa comida sem distinção
Casa comida diversificada
Casa comida para que todos acesso
Casa comida em cada mão...
Margarida Cabral
CANTO
Cante alegria
Cante ao luar
Cante a nostalgia
Cante o olhar
Cante o riso
Cante o rio
Cante o mar
Cante a luz
Cante a fonte
Não deixe apagar
Cante a flor
Cante a rosa
Cante o lírio
Cante a montanha
Cante o monte
Cante os animais
Cante a natureza
Não deixe de se inspirar
Seja um ser viajante
Não fique abelgado no seu ninho
Saia pra cantar...
Margarida Cabral
ESPELHO
Quando estou só me vejo diante do espelho
De carências e gritos que afligem o coração
Quantos retornos que transmitam ao caminhar
De aventuras doces e claras
De saudades que bate no foco e caminha no templo da ilusão
Abrindo reflexos de saudades que incidem na solidão
De um tempo vazio que entristece e afronta todo o meu eu
Lembranças oriundas de incidência brilhantes
De caminhos partidos que se perderam ao limiar do dia
Como desejaria que esta luz aflorasse novamente no meu viver
De alegriaSem prantosCom solidez
Com raça
Com euforia
Que me visse diante do espelho a me enaltecer
Me tornaria um herói regendo esta orquestra sem alegoria
Só queria transparecer diante do espelho e viver
Margarida Cabral
ASSOALHO DO VENTO
Queria eu vê o assoalho do vento
Ir ao teu encontro
Sair por aí...
.Sem rumo certo
Tentando ti encontrar
Sentindo os arrepios pelo caminho
Se deslocando pra lá e pra cá
No inverno
No verão
No outono
Na primavera
Ou então no rio ou no mar
Nas flores do campo que desabrocham quanto vento açoita
Sentir a pele coberta de folhagem
O sopro no meu ouvido
Não sei se é da montanha ou do mar
Só imagino o vento passar
Articulando os dias entre o hoje e o amanhã
Sopra, sopra vento deixa este assoalho chegar...
Margarida Cabral
REALIDADE
Estou aqui neste desalinho a pensar
Acreditando na existência do ser
Tentando se realizar
No sublinhar do tempo que ancora no mar
Sentindo os pés flutuantes a beira mar
Observando as ondas suas indas e vindas
Até se encontrar
Então firmamos os pés e vamos caminhar
São tantas intercaladas iniciadas outras não concluídas
Sentimos a pancada do vento pra acordar
Fazendo com que as aspirações retornem ao seu lugar
Saindo da inércia
Em busca de movimentos além dos sonhos
Subindo degraus tentamos chegar a realidade
Que se entrelaça com a saudade e retornamos ao nosso limiar...
Margarida Cabral
ATROPELOS
Eu nunca poderei ter me dito
Jamais serei esquecido
No tênue caminhar
Quanta solidez
Cavalgada pelo destino
Não consigo desarticular
Do cotidiano inequívoco
Dos impulsos traídos
Na beira do caminhar
Das lembranças oriundas
Do mais eterno esquecimento
Quanto lamento
Não adianta relembrar
O tempo passouEntre os dedos ficou a estrutura enaltecida do olhar
Tão longínquo que só me resta esperar
Do tempo fluído que transborda ao alvorece
Às vezes sem êxito na busca de um olhar
Margarida Cabral