Sentimento martelado entre o preto e o branco Num teclado tão banal como as mãos que lhe tocam Reflectindo a alma grandiosa que se senta no banco Que tocando nota a nota liberta sensações que marcam.
Cordas que vibram tornando-se belas melodias Sob a forma de dedos esfuziantes e dançantes Ao comando de compassos e de grande euforia E assim surge aquela magnitude da sinfonia.
Ao de leve martela a corda que vibra livremente Assim como os pensamentos de quem ouve e sente Sons, sentires que impregnam o ar que se respira De quem reflecte calmaria ou uma grande ira.
Piano bem afinado pelo harmónico coração Reflexo de notas bem tocadas e em harmonia É pianista que comanda com grande paixão. Alma e corpo florescendo em sintonia.
de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
Pelo abandono uma lágrima E uma lágrima pela saudade
Pelo abandono uma lágrima E uma lágrima pela saudade
São desejos emaranhados, suplícios de alguém que me sussurra ao ouvido e que de certa forma tudo quer dizer mas o sufoco da solidão nada deixa soletrar. Cantigas de outrora, cantadas num passado longínquo, agora em eco através de um vento fugidio e desassossegado, tal como as almas que o guiam. Vidas idolatradas...mas esquecidas, algures num jazigo se assim tiveram essa sorte, outras perdidas por aqui ou por ali: Não temam, não renunciem, porque nós fizemos parte da vida e hoje lá permanecemos, embora para lá da linha do horizonte. São estes os pequenos murmúrios que as águas revoltas do mar e do rio, que o vento inquietante me vai largando na mente. São histórias de gentes da minha gente, lágrimas que já não são salgadas, mas que vertem em todos os rios, proclamando a sua existência na ausência. Não me sinto só, mas sinto dó de quem já esqueceu os primeiros passos, os primeiros beijos, os primeiros abraços, de quem já esqueceu a origem das suas lembranças. Valha-me estes campos verdejantes, onde nela se respira liberdade e esperança. Valha-me o mar e o rio onde o despejo da alma se refresca e se reencontra com velhos amigos e se brinda à amizade que é eterna.
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De Maria Rosa Santos Alves, 24 de Outubro de 2011
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Pianista
Sentimento martelado entre o preto e o branco Num teclado tão banal como as mãos que lhe tocam Reflectindo a alma grandiosa que se senta no banco Que tocando nota a nota liberta sensações que marcam.
Cordas que vibram tornando-se belas melodias Sob a forma de dedos esfuziantes e dançantes Ao comando de compassos e de grande euforia E assim surge aquela magnitude da sinfonia.
Ao de leve martela a corda que vibra livremente Assim como os pensamentos de quem ouve e sente Sons, sentires que impregnam o ar que se respira De quem reflecte calmaria ou uma grande ira.
Piano bem afinado pelo harmónico coração Reflexo de notas bem tocadas e em harmonia É pianista que comanda com grande paixão. Alma e corpo florescendo em sintonia.
de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
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Destino Incerto
Percorro um percurso incerto Sem saber bem ao certo Se na verdade sou quem sou. Cresci num verso que alguém cantou, Sou personagem agora em naufrágio Pois na verdade não sei pára onde vou. Destino não lido por uma divina cigana Crenças que decaem em grande patranha. Serei um livro de páginas em branco? Não terei história para se contar num banco? Tenho a mente vazia e a dúvida vai surgindo. Este ebúrneo que me ofusca o mais leve pensar Não me larga...Não me deixa a alma descansar. Acordo mais um dia, e a dúvida vai emergindo Afinal quem sou? Para onde vou? Dúvidas que se arvoram ao olhar este mar Mar que em histórias alguém o elevou Entre conquistas, amores e desamores Que se tornaram mito, crónicas a contar Por historiadores, gentes ou sonhadores. Serei um ser entre os seres desta gente?
Piso a terra que os antepassados lavraram Farei parte desta história...agora, estou crente. Não sou o vazio, se penso também existo Se existo... também tenho história. Uma história de futuro incerto, mas resisto Pois nada sei do amanhã e o ontem é memória.
de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
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Tempo
Oh, tempo, que não tem tempo Dá-me asas para voar Oh, tempo, que não tem tempo Deixa-me em ti esvoaçar O tempo é exuberante Não há força para o parar E pelo seu ritmo cantante Vou deixar-me assim, levar. Ao tempo e com tempo Pedi-lhe, então o meu tempo, Tempo para nascer e viver Até o meu ser desvanecer Com as asas que o tempo me deu Esvoacei ao meu compasso Nele, aprendi passo a passo O verdadeiro ser do meu "eu". E assim no meu tempo e com tempo Aprendi a ser amado e amar No meu tempo e com tempo Tive momentos para saudar. Obrigado Ao tempo que não tem tempo Pelo meu tempo que tem tempo.
de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"