Hoje, sinto a necessidade de homenagear o pensamento. Que seria do ser humano sem esta característica tão particular como a capacidade de pensar?
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Que seria de mim sem o pensamento?
Como daria forma ao meu mundo?
Perderia todo e qualquer encantamento.
Afundaria num buraco sem fundo.
Viveria numa tela pintada de branco,
Imóvel...sem vontade...sem desejos
Seria uma só nota num canto.
Que seria de mim sem o pensamento?
Seria uma pedra, sem cor ou feitio,
viveria num sono profundo, que tormento,
seria um mero coração solitário e sombrio.
Pelo abandono uma lágrima E uma lágrima pela saudade
Pelo abandono uma lágrima
E uma lágrima pela saudade
São desejos emaranhados, suplícios de alguém que me sussurra ao ouvido e que de certa forma tudo quer dizer mas o sufoco da solidão nada deixa soletrar.
Cantigas de outrora, cantadas num passado longínquo, agora em eco através de um vento fugidio e desassossegado, tal como as almas que o guiam.
Vidas idolatradas...mas esquecidas, algures num jazigo se assim tiveram essa sorte, outras perdidas por aqui ou por ali:
Não temam, não renunciem, porque nós fizemos parte da vida e hoje lá permanecemos, embora para lá da linha do horizonte.
São estes os pequenos murmúrios que as águas revoltas do mar e do rio, que o vento inquietante me vai largando na mente. São histórias de gentes da minha gente, lágrimas que já não são salgadas, mas que vertem em todos os rios, proclamando a sua existência na ausência.
Não me sinto só, mas sinto dó de quem já esqueceu os primeiros passos, os primeiros beijos, os primeiros abraços, de quem já esqueceu a origem das suas lembranças.
Valha-me estes campos verdejantes, onde nela se respira liberdade e esperança. Valha-me o mar e o rio onde o despejo da alma se refresca e se reencontra com velhos amigos e se brinda à amizade que é eterna.
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De Maria Rosa Santos Alves, 24 de Outubro de 2011
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Pianista
Sentimento martelado entre o preto e o branco
Num teclado tão banal como as mãos que lhe tocam
Reflectindo a alma grandiosa que se senta no banco
Que tocando nota a nota liberta sensações que marcam.
Cordas que vibram tornando-se belas melodias
Sob a forma de dedos esfuziantes e dançantes
Ao comando de compassos e de grande euforia
E assim surge aquela magnitude da sinfonia.
Ao de leve martela a corda que vibra livremente
Assim como os pensamentos de quem ouve e sente
Sons, sentires que impregnam o ar que se respira
De quem reflecte calmaria ou uma grande ira.
Piano bem afinado pelo harmónico coração
Reflexo de notas bem tocadas e em harmonia
É pianista que comanda com grande paixão.
Alma e corpo florescendo em sintonia.
de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
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Destino Incerto
Percorro um percurso incerto
Sem saber bem ao certo
Se na verdade sou quem sou.
Cresci num verso que alguém cantou,
Sou personagem agora em naufrágio
Pois na verdade não sei pára onde vou.
Destino não lido por uma divina cigana
Crenças que decaem em grande patranha.
Serei um livro de páginas em branco?
Não terei história para se contar num banco?
Tenho a mente vazia e a dúvida vai surgindo.
Este ebúrneo que me ofusca o mais leve pensar
Não me larga...Não me deixa a alma descansar.
Acordo mais um dia, e a dúvida vai emergindo
Afinal quem sou? Para onde vou?
Dúvidas que se arvoram ao olhar este mar
Mar que em histórias alguém o elevou
Entre conquistas, amores e desamores
Que se tornaram mito, crónicas a contar
Por historiadores, gentes ou sonhadores.
Serei um ser entre os seres desta gente?
Piso a terra que os antepassados lavraram
Farei parte desta história...agora, estou crente.
Não sou o vazio, se penso também existo
Se existo... também tenho história.
Uma história de futuro incerto, mas resisto
Pois nada sei do amanhã e o ontem é memória.
de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
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Tempo
Oh, tempo, que não tem tempo
Dá-me asas para voar
Oh, tempo, que não tem tempo
Deixa-me em ti esvoaçar
O tempo é exuberante
Não há força para o parar
E pelo seu ritmo cantante
Vou deixar-me assim, levar.
Ao tempo e com tempo
Pedi-lhe, então o meu tempo,
Tempo para nascer e viver
Até o meu ser desvanecer
Com as asas que o tempo me deu
Esvoacei ao meu compasso
Nele, aprendi passo a passo
O verdadeiro ser do meu "eu".
E assim no meu tempo e com tempo
Aprendi a ser amado e amar
No meu tempo e com tempo
Tive momentos para saudar.
Obrigado
Ao tempo que não tem tempo
Pelo meu tempo que tem tempo.
de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"