Suspiro
Suspiro ou suspirava
Num ensejo soprado baixinho, num ânimo.
Numa carícia suave, num pensamento voado,
Esvoaçado por entre o infinito de ar ameno.
Suspiro ou suspirava
Num deleite banhado no brilho dáum olhar
Num reflexo gemido, lamento ou saudade.
Num choro calado prendido ao luar.
Suspiro ou suspirava
Num sopro de alento em paixão vivificada.
Num sorriso perdido em corpo saciado,
Numa maré repleta, alma renovada.
Suspiro ou suspirava
Envolvendo-me nas nuvens divagadas
Sendo brisa da alma navegada no tempo
Sobre marés, águas do agora ou passadas.
Suspiro ou suspirava
Em mim e de mim para a saudade
Amando para uma tal de eternidade.
Mas suspirar porquê?
Suspirar para quê?
Se a alma ninguém vê,
Neste suspiro vadio!
Maria dos Santos ALves, 25 de Junho de 2013
O meu amor é uma Primavera constante…
O meu amor é uma Primavera constante, a cada manhã floresce uma flor. Admiro-as, uma a uma, em cada um dos dias que brotam na minha saudade. Sinto a presença de um perfume que me é familiar, inspiro-o no meu íntimo, procurando decifrar as suas lembranças, aquelas que fazem da minha memória um sorriso singular, refrescando-me a alma. As orquídeas que agora florescem no meu pequeno jardim mesuram as promessas de amor eterno com que as regaste. Nas suas pétalas ainda se conseguem ver os teus beijos melados tão selvagens e misteriosos como o despertar desta flor para a Primavera.
Quando partiste elas murcharam afundadas no seu choro constante... Hoje, olho-as com esperança, acordaram de uma nostalgia profunda adivinhando, talvez, o teu regresso. Resistem no seu sonhar aguardando as tuas novas juras de amor e beijos eternos...
In e-book "Poesia ao Luar I" - Desconcertos da Alma, Maria dos Santos Alves, 2013
Poema
Não te leio poema como um todo
Bebo da tua fonte os momentos,
Sacio o meu desejo nas palavras,
Nos sons e delírios de todos os tons.
Não pares de declamar, meu poema
Ri e chora, não me penses ausente,
Se te leio, assim, neste silêncio,
Desnudo-te carente mas bem presente.
Crava no peito de quem julga que sente
As flores efémeras de todos os jardins
As fontes que vertem lágrimas salgadas
E os rios que regam um mar sem fim.
Não me segredes um amor navegado,
Pinta ao de leve a onda perdida,
O abraço que se estende ao abrigo,
Os beijos que o poeta derrete em mel.
Não te leio poema como um todo,
Quero sentir todos os momentos.
Sentir-te, poema, com alma de poeta.
de Maria dos Santos Alves, 12 de Junho de 2013
https://www.facebook.com/pages/Poesia-ao-luar-Maria-Santos-Alves/
Prisioneira da alma que sente
Ouço, ouço simplesmente o pensamento
Aquele que me traz ao longe, o horizonte
Sentires que esvoaçam nas asas do vento
Revendo uma vida, pisando uma só ponte.
Sinto, sinto o peito cá dentro em desordeno
Dança ao ritmo da alma que escuta o silêncio
Suplico que acalme, mas eu já não ordeno
Sou prisioneira da alma que é quem sente.
Fecho os olhos, não preciso de olhar e ver
Pois a alma sente ao escutar todos os sons,
A alma ri e chora, nela só tenho de crescer
Aprender as vivências da alma e viver!
Maria dos Santos Alves, 14 de Junho de 2013
https://www.facebook.com/pages/Poesia-ao-luar-Maria-Santos-Alves
Vazio
O vazio
O corpo esmorece,
Em lençóis de seda e tons florais.
A alma carece,
De sustento em forma de desejo.
Mas o vazio permanece
Preenchido pelo silêncio, tormento.
Onde estão as mãos?
O tambor da sedução?
Esvaem-se no sonhar, saudade.
Na janela entreaberta, espreitas,
Lua, amante em noites nuas,
Mas nada mais és do que suspiros!
O corpo desmaia,
O cansaço preenche o vazio
A alma perfumada num sonho
Viaja pra além do além,
Procurando saciar o desejo,
Mas o corpo não trespassa o além
O corpo adormece, esquecido
Em lençóis de seda e tons florais.
Maria dos Santos ALves, 12 de Junho de 2013
Olhar da alma elevado ao alto
Olhar da alma elevado ao alto
Tracei ao de leve o meu divagar,
Estava ausente no silêncio,
Tão ausente e distante...
Distante do meu pensamento.
Procurei-me num olhar perdido,
Elevando-o com o sopro do vento.
Lá no alto, bem no alto
Onde só a alma alcança
O que a mente inventa,
Desenhei o teu olhar:
Miragem de cor esperança,
Sustento desta minha saudade.
Porque te esvais nas estrelas,
Olhar de menina elevado ao alto?
Desce em mim no teu manto real,
Mata a sede deste meu desejo ausente.
Reflete-te na minha alma extinta
Devolve-me a luz do luar esquecido.
Renasce-me a alma agora...
E no alto, bem no alto
Revejo-me nos vales verdejantes
Passeio por entre as flores do amanhã
Enquanto te abraço em manto floral.
de Maria dos Santos Alves, 11 de Junho de 2013 (a publicar)
Loucura que esqueci
Loucura que esqueci
Em ti este cálice de prata já foi saudade
Em cada trago de ti vivia na lembrança
Nas memórias que de mim te iluminaram
Tornando-te o altar para o qual me curvei
Num passado, mas nunca neste presente.
Enlouqueci nas tuas carícias de fantasia
Loucura tão presente que me definhou
Procurei-te nas sombras mas elas debandaram
Procurei-te nas ondas mas elas recolheram
Procurei-te nas estrelas mas elas não brilharam
Perdi-te algures em sonhos, agora distantes.
Podia ir ao teu reencontro e dar-me ao mar
Do meu corpo faria vaga sem destino
Tornar-me-ia, talvez, um canto da solidão
Mas esse fado já por mim passou e não ficou
Ergo-te este cálice de prata repleto de saudade
Serás lembrança, memória incendiada
Serás cantiga de um passado que adormeço.
Serei eu agora no travo do cálice de prata
Brindarei as flores que agora florescem
Reviverei neste corpo sedento de um beijo
Não serei estrela da noite mas o seu luar
Jamais serei vaga, mas sim mar por inteiro.
de Maria dos Santos Alves, publicado em Abril de 2013, in
https://www.iba.com.br/livro-digital-ebook/Poesia-ao-Luar-I---Em-DesConcertos-da-alma-4119df960a8b788b49b7bd1dc579d023