Invado a noite fria e quieta de andar estreito, Quebro o silêncio nostálgico desta escuridão Onde os sons evasivos são sombras do peito Quebrados por um poema desta dimensão.
Desafio o olhar triste que a lua me oferece Declamando-lhe um verso de amor perdido. Seu rosto encandeia-se à medida que cresce O desgosto da paixão que lhe é agora erguido.
E no silêncio nostálgico da escuridão, de ar melancólico responde baixinho: - Estou só, nunca soube o que é amar, Vivo aprisionada nestas noites vadias. Ouço os teus e mil outros desabafos, Ilumino a alma que me aclama e enlaça Pena é... ser breve o ensejo de quem passa.
Despertar para um amanhã ainda por descobrir, Adivinhar uma nova oportunidade a sobrevir, Sinto, sim,uma porta que se enclaustra. Vivo, sem pestanejar, um novo acordar. Sob um ano que foi, enfim, assim-assim. Vivências que amanhã serão saudade em mim. Tirocínios que servirão o que há-de devir. Para o amanhã desperto a mente alegremente, Abraço o destino incerto de peito cantante, Abro a janela e aguardo um enleio soalheiro, Partindo na descoberta, sendo um real escuteiro. Respiro o ar revolto das profundezas da harmonia, Embalo-me numa suave, alegre e delicada sinfonia, Procuro na mais bela flor o colibri mais destemido, E desafio o horiozonte sobre um mar por mim protegido. Com o ontem, presente-ei o presente e desafiei o futuro, Procurando um amanhã superior ao passado vivido. Excedo-me na espectativa de tornar-me um melhor ser, Sentir cada segundo, disfrutando deste meu bem-querer.
Assim vejo e fecho este tempo, Revejo e choro o que de mau passou, Sorrio perante o bom que o ano me ofertou e despeço-me deste ano sorrindo, desejando aos velhos e novos amigos Um novo ano cheio de poesia e encantamento.
de Maria Rosa Santos Alves
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Quero voltar a sentir
Errante no bosque, longo é o percurso na escuridão Já nada me satisfaz nesta vida sem encantamento. Apesar de viver na multidão, padeço de solidão Revejo-me no fado, triste é este sofrimento.
Quero voltar a sentir... Quero voltar a ser ... Correr sem olhar para trás... Despir os preconceitos e correr... Mergulhar na chuva e... dançar... Caminhar ... simplesmente ...caminhar Para onde? Não importa o destino, Desde que o espírito seja livre Que o pensamento possa esvoaçar e Eu...possa voltar a sentir...
Ser um colibri, pequeno mas destemido. Penetrar num desenho infantil e sorrir. Partir em busca do arco-íris... Atentar o proibido e chorar. Mergulhar num mar salgado Atentando as ondas e os seus seres Descobrindo seus tesouros escondidos. Ser eu, nada mais do que eu Numa infância... A infância... A verdadeira alma... A essência... A pureza da inocência... algures perdida...porquê?
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Palavras ao Vento
Soltar palavras ao vento. Escrevê-las sem qualquer pensamento reflectido, apenas largá-las, como se tivessem presas no teu intimo como se de ti dependessem, como se tuas fossem, mas são de toda a gente. Soltá-las, deixá-las esvoaçar por entre a multidão, esperando que cada pessoa de forma individual ou colectiva as agarre e as torne suas também. Palavras ao vento, emoções, sensações, paixões, ódios, vivências, crenças e tantas outras formas de sentir que prendemos em nós, muitas das vezes de forma silenciosa. Palavras ao vento são assim, gritos que se transformam em doces melodias de dor, glória, paixão, amor e desamor. São as palavras eternas que cantam as batalhas ganhas e perdidas e que deixam cair em desabafo os anseios e as glórias. São eternamente palavras largadas ao vento. Palavras ao vento. Meditação em devaneio. Hoje, metade de mim é poesia e a outra fantasia. Hoje, vou simplesmente, soltar palavras ao vento!
In Livro de Maria Rosa Santos Alves, "Palavras ao Vento"
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Palavras a Ninguém
Caro amigo, amigo de alguém Aqui estou eu e não sou ninguém Apanho o comboio, contigo, também E espero que um dia para lá do além Te recordes do anónimo que será alguém.