Maria alves

Maria alves

n. 1976 PT PT

n. 1976-10-03, Lisboa

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Solidão ao Luar


Invado a noite fria e quieta de andar estreito,
Quebro o silêncio nostálgico desta escuridão
Onde os sons evasivos são sombras do peito
Quebrados por um poema desta dimensão.

Desafio o olhar triste que a lua me oferece
Declamando-lhe um verso de amor perdido.
Seu rosto encandeia-se à medida que cresce
O desgosto da paixão que lhe é agora erguido.

E no silêncio nostálgico da escuridão,
de ar melancólico responde baixinho:
- Estou só, nunca soube o que é amar,
Vivo aprisionada nestas noites vadias.
Ouço os teus e mil outros desabafos,
Ilumino a alma que me aclama e enlaça
Pena é... ser breve o ensejo de quem passa.

de Maria Rosa dos Santos Alves
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Poemas

4

Amanhã - Feliz Ano 2012

Amanhã

Despertar para um amanhã ainda por descobrir,
Adivinhar uma nova oportunidade a sobrevir,
Sinto, sim,uma porta que se enclaustra.
Vivo, sem pestanejar, um novo acordar.
Sob um ano que foi, enfim, assim-assim.
Vivências que amanhã serão saudade em mim.
Tirocínios que servirão o que há-de devir.
Para o amanhã desperto a mente alegremente,
Abraço o destino incerto de peito cantante,
Abro a janela e aguardo um enleio soalheiro,
Partindo na descoberta, sendo um real escuteiro.
Respiro o ar revolto das profundezas da harmonia,
Embalo-me numa suave, alegre e delicada sinfonia,
Procuro na mais bela flor o colibri mais destemido,
E desafio o horiozonte sobre um mar por mim protegido.
Com o ontem, presente-ei o presente e desafiei o futuro,
Procurando um amanhã superior ao passado vivido.
Excedo-me na espectativa de tornar-me um melhor ser,
Sentir cada segundo, disfrutando deste meu bem-querer.

Assim vejo e fecho este tempo,
Revejo e choro o que de mau passou,
Sorrio perante o bom que o ano me ofertou
e despeço-me deste ano sorrindo,
desejando aos velhos e novos amigos
Um novo ano cheio de poesia e encantamento.

de Maria Rosa Santos Alves
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Quero voltar a sentir

Errante no bosque, longo é o percurso na escuridão
Já nada me satisfaz nesta vida sem encantamento.
Apesar de viver na multidão, padeço de solidão
Revejo-me no fado, triste é este sofrimento.


Quero voltar a sentir...
Quero voltar a ser ...
Correr sem olhar para trás...
Despir os preconceitos e correr...
Mergulhar na chuva e... dançar...
Caminhar ... simplesmente ...caminhar
Para onde? Não importa o destino,
Desde que o espírito seja livre
Que o pensamento possa esvoaçar e
Eu...possa voltar a sentir...

Ser um colibri, pequeno mas destemido.
Penetrar num desenho infantil e sorrir.
Partir em busca do arco-íris...
Atentar o proibido e chorar.
Mergulhar num mar salgado
Atentando as ondas e os seus seres
Descobrindo seus tesouros escondidos.
Ser eu, nada mais do que eu
Numa infância...
A infância...
A verdadeira alma...
A essência...
A pureza da inocência...
algures perdida...porquê?



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Palavras ao Vento

Soltar palavras ao vento. Escrevê-las sem qualquer pensamento reflectido, apenas largá-las, como se tivessem presas no teu intimo como se de ti dependessem, como se tuas fossem, mas são de toda a gente. Soltá-las, deixá-las esvoaçar por entre a multidão, esperando que cada pessoa de forma individual ou colectiva as agarre e as torne suas também. Palavras ao vento, emoções, sensações, paixões, ódios, vivências, crenças e tantas outras formas de sentir que prendemos em nós, muitas das vezes de forma silenciosa.
Palavras ao vento são assim, gritos que se transformam em doces melodias de dor, glória, paixão, amor e desamor. São as palavras eternas que cantam as batalhas ganhas e perdidas e que deixam cair em desabafo os anseios e as glórias.
São eternamente palavras largadas ao vento.
Palavras ao vento.
Meditação em devaneio.
Hoje, metade de mim é poesia e a outra fantasia.
Hoje, vou simplesmente, soltar palavras ao vento!

In Livro de Maria Rosa Santos Alves, "Palavras ao Vento"
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Palavras a Ninguém

Caro amigo, amigo de alguém
Aqui estou eu e não sou ninguém
Apanho o comboio, contigo, também
E espero que um dia para lá do além
Te recordes do anónimo que será alguém.

Maria Rosa Santos Alves
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