Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo.
Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo. Além de escrever e ler gosto de cinema, de música e de praticar jardinagem. Sou mãe e essa é uma experiência de vida que me fascina e desafia permanentemente. https://www.facebook.com/faatimarodrigues [email protected]
É difícil dizer sobre o dizer À mim basta o prazer da escuta poética Lá se vão os sons deslizando em meus ouvidos fazendo-se em melodias e em porvir atravessando o cérebro, a garganta e a desaguar em pleno ar Sons, letras e memórias flutuam às margens da superfície onde se criam e recriam Lá se vai a bagagem sonora em movimentos que se opõem do bendito e ao maldito Ressonâncias dialogam ensimesmadas Palavras e sons seguem nos subterrâneos e veredas criam possibilidades inventam sentidos. distopias e utopias comunicam e ocultam, libertam e coisificam manifestam e assimilam, negam e afirmam O dizer não tem receita tanto se mantem como se desvia Palavras ? Transmutam-se-em dores e em alegrias que se conectam na espiral de nós, para além dos contornos da vida.
Fátima Rodrigues Expedicionários. João Pessoa., Paraiba, Brasil em 28 de julho de 2023.
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O ar do Siará
No Siará o AR, ha, ha, ha ha, ha! Existe! E com "ar encorajado" vamos arar e plantar O Aracati se espraia atravessando sertões, depressões, cantinhos e cantões Quando se fizer bonito e chover vamos arar e plantar campos, planícies e serras e também ara-remos mentes e corações Ara-remos em Santa Luzia, em São José, em São João e em S, Pedro E se o aperreio vier ara-remos até o Forte de Assunção - E então?! Vamos arar com as mãos sem matar as espécies boas As ervas daninhas, sim! serão retiradas de prontidão! - E o que dizer dos que ceifam vidas, infantis, juvenis e anciãs? Esses não passarão!!! Escuta Fortaleza do Siará! Numa fêmea amada pelo sol há luz para prover a todes
Emane-se em cuidar da vida. Lute! Os currais dos bárbaros ficarão na memória como lições da História E só! Pois, nada ocorreu em vão! Vamos arar e plantar Siará! E com coragem vamos arar e desertar a praga do fascismo, pois o ar, ha, ha, ha,ha,ha! HÁ.
Fátima Rodrigues
Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil em 04 de junho de 2023.
https://averdade.org.br/2019/12/os-currais-retrata-campos-de-concentracao-durante-a-seca-de-1932/ acesso em 02 de junho de 2023 https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/regiao/vento-aracati-compoe-real-e-imaginario-dos-sertanejos-1.216432 acesso em 02 de junho de 2023 https://mapacultural.secult.ce.gov.br/espaco/245/ acesso em 02 de junho de 2023
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Declaração de amor aos rios
Declaração de amor aos rios
Gosto de mergulhar na Geografia dos rios com suas curvas longilíneas envoltas em tecidos aderentes onde pássaros, anfíbios, beija-flores, borboletas, e tantas outras espécies encontram seu habitat Com o espírito liberto adentro ao Amazonas descendo em despenhadeiros desde o Peru varando a planície extensa O rio, a água e a terra amalgamando vidas em sintonia com a floresta e abastecendo os ribeirinhos Abundância de tudo!
Paisagens incontáveis!
O Uruguay Com suas imensas cachoeiras planícies, serras e despenhadeiros a encantar os pampas a alimentar os indigenas Paisagens incontáveis! Rio São Francisco Peleja entre água, rochs e ventos traduzida em canions e planícies cheios de altos e baixos e de surpresas A natureza modela e recria A sociedade degrada!
Paisagens incontáveis!
Dois rios "Jaguaribe" Um no Ceará Cruzando tantas cidades Outro a acolher a própria vida em memória da Parahyba Rios e vidas Nesses vales de lágrimas e de sonhos Vidas sobre vales ! Paisagens incontáveis! No caminhar dos rios Os ruídos calientes das suas águas Ou a dura frieza que cura a dor da alma Um convite à imaginação Emoldurado pelas terras vermelhas, roxas, acinzentadas eles serpenteiam Enchem-se Vazam! Paisagens incontáveis São polissêmicos os rios e emprestam-se a muitas metáforas Rios de lágrimas Rios de sangue Rios de Prata "Rio da Prata" Rio da morte (....) Abrigam ampla biodiversidade Tão diversa que é impossível narrá-las em sua plenitude Mas além da vida que os animam O rios povoam a memória de crianças e adultos em suas viagens subterrâneas Não há nada melhor do que "dar de braçada neles"... Abraçá-lo em tempos de águas fartas e descer em suas correntezas ouvindo o canto dos pássaros Pular de suas encostas e navegar, navegar, navegar Medi-lo com os olhos e indagar-se - Posso? Cariús de minha infância Quase morto Amazonas dos meus sonhos São Francisco, Chico, Velho Chico, de tantas cachoeiras e águas calmas Que lindeza é vê-lo adentrar ao mar! Os rios traduzem-se em vida. Oh! Minha ! Oh nossa! Oh ! América Latina ! abundas em rios Como nós abundamos em lágrimas Paisagens incontáveis! Dores infindas! Lutas sem tréguas! Rios de esperanças e de teimosias nos acolhem e nós os seguimos em alvoroçadas destruições.
Fátima Rodrigues, Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil em 20 de maio de 2020.
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Palavras sonhadas
As vezes eu quero dizer mas não consigo E penso... as palavras são tantas! Por que não expressam? É que as sensações são múltiplas e até quando me atravessam eu declino Descrevê-las demanda sentidos que a grafia não dá conta Fico oculta Caminhar é diferente O sentido se faz em cada músculo e no ar que respiro Chorar me torna inteira E para a alegria do encontro não há palavras para descrevê-lo Te amo são apenas duas palavras Mas o amor se anunciando é um turbilhão Suores, secreções, sensações que atravessam os corpos em êxtase Impossível dizer tudo Melhor é sentir.
Fátima Rodrigues, João Pessoa, Paraiba, Brasil em 27 de agosto de 2023.