Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo.
Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo. Além de escrever e ler gosto de cinema, de música e de praticar jardinagem. Sou mãe e essa é uma experiência de vida que me fascina e desafia permanentemente. https://www.facebook.com/faatimarodrigues [email protected]
Um barco a perder-se de vista me fascina fico a mirá-lo até que a sua proa se esconda, além do horizonte Ao ver o céu e o mar em sua pureza novas rotas e descobertas me guiam Imagens fazem-se vivas em mim como fantasias da minha infância Penso em portos e em paradas em idas e vindas em novas descobertas e em novos lugares Sinto a brisa que adentra às janelas abertas de uma Geografia que me ressuscita Imagino diferentes pessoas Horizontes infinitos somam-se ao meu olhar Vasto é o mundo de cada um e o de todos nós Finita é a vida, mas a língua não Expressar-se é busca Se faltam palavras nos meus versos imagine as emoções nas entrelinhas Nem tudo precisa ser dito Se o dizer segue aquém o viver segue além Me entrego ao ócio.
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Mãe
Uma mãe caminha nas nuvens segue os filhos acolhe Estará sozinha?
Estar sozinha? (são instantâneos) Não há ausência os filhos acolhe ela os aninha
A língua trava o braço acolhe os filhos abriga ela os aninha
Mãe, mamãe, mainha! o som ecoa à noite os acolhe o tempo some
Uma mãe sozinha? ninguém duvide ninguém designe ela supera até o destino!
Fátima Rodrigues, Benfica, Fortaleza, Paraíba, Brasil em 08 de maio de 2022.
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Guerras globais
As guerras do Norte transpõem as fronteiras e as armas da morte perenes campeiam
Em rotas efêmeras e por acordos vis adentram em eras que nunca se viu
O sangue transborda nas redes e nos corpos Às vidas cansadas impõe-se o fim
Memórias narradas em acordos horrendos desfilam empávidas no gozo do gozo
Em guerra e sem paz tem-se apreensão O acordo se impôe com incorporação
Violações e sangrias em territórios armados Mulheres açuladas Corpos devassados
'- A guerra é de quem? - É contra quem? - Por quê o combate? Todes em escuta! (A resposta não vem). Fátima Rodrigues, expedicionarios, João Pessoa, Paraíba Brasil em 15 de abril de 2022.
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Tua liberdade!
Foi com pura alegria, à luz do dia Foi com fé e poesia, em oração Caminhando sozinha, em movimento Ecoando o lamento, "sem pressão" Que de mim me fiz confidente, e consciente auscultando a memória e a imaginaçao Me vi plena, sem pesos, e "sem pressão" Eras tu em liberdade, por que não? Um amor se revoga? E então? Se for peso... há de ir sem omissão Se voltar... há de ser só com perdão Esquecer ou lembrar? Tempos de ser! Em pasárgada nos veremos Pode ser? "Lá a existência é uma aventura". "Sem pressão!"
Fátima Rodrigues, expedicionarios, João Pessoa, Paraíba Brasil em 15 de abril de 2022.
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Correntezas da alma
Oh, correnteza livre! corres junto ao mar e paralelo à costa veloz e em desalinho sem nenhum tempo a cumprir
Tua voz rima com a luz e o vento
Rompes fronteiras Teces caminhos Acolhes em ti as ondas dos rios e dos mares
Vozes em ti silenciam
Em teu ventre prenhe ondas se acomodam e vagam da costa ao fundo das águas das margens às profundezas
Protegei-me dos teus repentes
O teu resvalar sorrateiro em mim torna-se um caos É lá onde o meu eu faz-se poesia e onde prenuncia-se a minha alma
Não me acorrentes
Da fluidez líquida onde flutuas livre brota a minha verdade pura como um diamante
Sou como és
correnteza em desalinho tempestade em copo d'água tsunami passageiro Sou brisa que paira além
sou como és.
Expedicionários, João Pessoa, Paraíba , Brasil em 09 de março de 2022
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Um sonho de mulher
Se eu soubesse dizer para além do que se diz Se eu pudesse criar para além do que se faz Se eu pudesse amar para além do que sou capaz inventaria um mundo em que todas as mulheres seriam respeitadas Das ladeiras do pelô às escadas do Cristo Redentor Nos milhares de metrôs e nos restaurantes retrô Das calçadas da fama às favelas em chamas Dos plantios regados a canções às mais doces emoções Tudo para elas criaria e num só canto diria dos meus afetos mais puros e da mais sublime admiração Embalaria seus sonhos Aliviaria suas dores Acalantaria seu pranto e dele faria orações sem nenhuma religião que as esteriotipassem Faria acima de tudo uma ode que as apaziguassem em seus sobressaltos e dores.
*Dedico às mulheres do meu convívio famíliar e dos coletivos acadêmicos e políticos que participo
Fátima Rodrigues Expedicionários, João Pessoa, Paraíba-, Brasil em 08 de março de 2022.
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Degustação da palavra
A palavra que degusto com paixão e desapego sem pressa ou alvoroço diz muito da minha sina e do continente que sou Com os olhos iluminados e o coração disparado palavras me atravessam e riscam o meu caderno com clarões de sons e tons De forma lenta e tenaz planto, lavro e colho versos numa estrada ao reverso onde as palavras se-dão Nessa oculta digressão com metafísica e escuta traduzo com ou sem rima as dores que a vida traz Nos limites do viver e muito além do horizonte escrevo ensimesmado ao modo de D. Quixote que de moinhos fez arte até com reis e rainhas Seguindo esse itinerário a palavra voa livre com ou sem identidade em registros pontuados ao modo dos trovadores ou de anônimos repentistas.
Expedicionários , João Pessoa, Paraíba - Brasil em 18 de fevereiro de 2015
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Perto de ti
Perto de ti sou leve como a brisa me aqueço em tua pele e me entrego em demasia
Perto de ti me enterneço sem fim sucumbo aos teus delirios até me perder de mim
Perto de ti floreio como a primavera e por assim ser rodopio ao teu redor liberto como um beija-flor
Perto de ti tudo é festivo e eu sussurro em teus ouvidos Mil odes de amor
Perto de ti os teus braços me aquecem e os meus em ti anelo para que não fujas de mim
Em sendo assim finjo ser o teu sopro e tu a minha vida num círculo amoroso sem fim.
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O pacto da palavra
O pacto da palavra
Fátima Rodrigues
Uma afiada lâmina a percorrer os nervos e a resvalar a pele a contra-pêlo
Um mar de sons, metáforas e de vazios põem a palavra fustigada em desafio
Confrontos que põem a nu metáforas, hipérboles e oxymoros desvelam os seus subterrâneos por inteiro
E quando o verso cânone entoa a rima mensageira a musicalidade no ar vagueia
Eis que apaziguada a palavra faz-se encanto a espraiar o seu famoso canto
Nos palcos Nas catedrais E nas colheitas
É assim que ela alimenta a vida e fortalecida segue as mulheres paridas a vicejarem para além dos madrigais
Alvissareira e ciente ela resiste regozijada nas mãos dos que a afagam e que a imortalizam por toda a sua vida. Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil em 27 de janeiro de 2022.
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A forma do falso e a forma dita
A forma do falso e a forma dita Fátima Rodrigues
( Para a cantora Elza Soares) Eu atravesso fronteiras, sem nenhuma permissão,
promovo ocupações, e por assim ser sou clandestina,
crio grafias no chão, nos ares, em mim e nos outros.
Me inscrevo em ações voluntárias
só pelo puro gosto de ultrapassar a forma dita
Quem sabe ler a forma do falso?
A forma que se diz Lei resistirá ao veredicto?
Caminho entre labaredas sem senti-las,
pois me fiz errante, desde as primeiras viagens.
Errar por subversão é algo que me sobra na vida.
Séculos já vivi e ninguém crê
E só quando atravesso os desertos é que retorno revigorada
Abraço as brisas nomeadas como o vento do Aracati, só para me aliviar...
E as brisas que são anônimas?
Para além da cena, adoro o anonimato!
porque ele me permite ser a forma perfeita.
Quando me mostro, a nudez me torna estranha a mim em razão do outro.
Persigo caminhar na escuridão, no deserto, e até mesmo no lamaçal que marca as tempestades,
após esses eventos vislumbro uma herança pura, recomeço de alma lavada.
O novo ali ressurge das vagas, sem nada a dar, mas com orgulho de ser.
É preciso recomeçar com a pureza de quem nada têm, nada herdou e nada é,
porque é do nada que viemos, e é para o anonimato que retornaremos
Ser natureza é o nosso destino, assim creio. "Com Deus me deito com Deus me levanto" Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil 26 de janeiro de 2022