Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo.
Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo. Além de escrever e ler gosto de cinema, de música e de praticar jardinagem. Sou mãe e essa é uma experiência de vida que me fascina e desafia permanentemente. https://www.facebook.com/faatimarodrigues [email protected]
Não faço propósito Sou livre! Ando de cabeça erguida a captar cheiros e paisagens Costumo dirigir aos que sofrem ora a minha compaixão, ora a minha admiração pois descobri que a dor percebida pode ser vencida Oro! não é oração que se repita são sons que se acumulam e se deslocam a socorrer-me em palavras Os sentidos desses sons me libertam Não faço propósito Se fizesse teria contratempos O ônibus que não passa O amigo que não chega O corpo que espera o abraço O intelecto que vagueia O compromisso que me espera Quero aprender a amanhecer a entardecer e a viver Quero entender a transitoriedade Acatá-la como a metafísica maior Porque a vida não é eterna e é preciso degustá-la Reinventar o tempo livre é meta Pois, ao final, o que nos resta são os feitos que nos aprazem E, para além do vivido, vale acolher a matéria viva no trânsito da memória.
Fátima Rodrigues expedicionarios, João Pessoa, Paraiba, Brasil em 24 de julho de 2024
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Travessias
Atravessei ruas, becos, vielas não via e nem era avistada Senti as madrugadas geladas e o silêncio a contornar-me Um rio caudaloso se fez em mim de margem à margem Se fez pleno Sem barqueiro Só um imenso e angustiante vazio me invadia e eu pocurava urgente o calor de um abraço Encandeada atravessei desertos gelada atravessei pântanos e nem mesmo na multidão me encontrei Sobram desertos nesse amálgama que é a minha vida Mas em meu ser a graphia é generosa E os mapas ? Desnudam a terra Para além do que a vista alcança Não desnudam a mim onde o aço e o vazio se alternam numa valsa insana Ser é incongruente mas nada tenho a temer Na lua crescente me ergo incólume Na lua cheia me vejo em fragmentos A vida requer coragem. Hei de tê-la!
Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil 14 de março de 2021.
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Ler ou não ler?
Ler ou não ler?
Não me levem a mal, mas tenho piedade de quem não gosta de ler, pois não sabe o que é um nariz andante descrito por Nicolai Gogol; também não tem ideia dos sentimentos de "desassossego" de Fernando Pessoa; Jamais imaginou o que são os subterrâneos de Dostoiévski; e nem desconfia que uma mulher periférica, como Carolina Maria de Jesus, possa produzir poesia; Nunca imaginou existir uma terra como Pasárgada, do Bandeira; Não se encantou com a educação pela Pedra de João Cabral; Jamais pensou existir uma mulher tão única em seus infortúnios como Macabéa, de Clarice Lispector. ... Leitura é vida, é asas para a imaginação, é alento, entretenimento, é base para a resignificaçao da vida.
Fátima Rodrigues, Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil, em 21 de novembro de 2020.
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Aprendizados do amor
Aprendizados do amor
Esquecer? Talvez fosse bom esquecer tudo que foi ensinado, exceto o que foi aprendido lá na dor da ignorância. Lá onde o aprender salva! Ter apreço por aqueles aprendizados singelos, amalgamados na vida, como os aprendizados de parteiras que, com voz suave e mãos ligeiras, abrem caminhos para um ser vir ao mundo. Incorporar o saber amoroso da mãe, que combina ingredientes vários para saciar a fome de uma criança, que dela depende em sua função materna. Falo do afeto que transborda pelas bordas do prato. Mas, sobretudo, dos afetos que transbordam no abraço e nas lágrimas que vêm do riso e da dor. Cato palavras como cato feijão, ha dúvidas se as escolho correto. Escolho ? contém colho, e é bom saber que as palavras são plantadas e colhidas em mim. Quem disse que pequi é melhor que cana-de-açúcar? Fiquei em dúvida! Gosto de ambos. Chorei quando li sobre o calvário do Frei Caneca. Talvez me compadeça em demasia de um passado que o Brasil não memoriza, pois em muitos dos humanos plantaram a pós verdade. E isso causa incômodo, e o dito no confronto não ecoa. Perde-se no vazio. Carrego esse fardo! Mas, também a musicalidade e a poesia. Em conta-gotas me vem à música e a poesia, para depois essas artes me inundarem como as águas de Belo Monte fizeram com as terras indigenas. Embora com efeitos incomparáveis. De forma absoluta, intermitente, esmagadora, fico plena de letras. O Rio Cariús nem se fala! Tomo banho em suas águas diariamente, enquanto ele banha com amor as vazantes que o entornam. Quando acordo, rio dos sonhos bobos que me atravessam e conto aqui para meia dúzia de leitores, cujos olhos cansados se entretem, mas ficam a indagar sobre a veracidade dos versos. Queria conversar por outros canais com cada um desses leitores e, além disso. escutar os seus próprios versos. Talvez lêssemos juntos os conselhos do Rilke, e caminhando à beira mar recitariamos "Vou-me embora pra Pasárgada".
Fátima Rodrigues, expedicionários, João Pessoa, Paraiba. BRASI, em 10 de abril de 2024.
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Aprendizados do amor
Aprendizados do amor
Esquecer? Talvez fosse bom esquecer tudo que foi ensinado, exceto o que foi aprendido lá na dor da ignorância. Lá onde o aprender salva! Ter apreço por aqueles aprendizados singelos, amalgamados na vida, como os aprendizados de parteiras que, com voz suave e mãos ligeiras, abrem caminhos para um ser vir ao mundo. Incorporar o saber amoroso da mãe, que combina ingredientes vários para saciar a fome de uma criança, que dela depende em sua função materna. Falo do afeto que transborda pelas bordas do prato. Mas, sobretudo, dos afetos que transbordam no abraço e nas lágrimas que vêm do riso e da dor. Cato palavras como cato feijão, ha dúvidas se as escolho correto. Escolho ? contém colho, e é bom saber que as palavras são plantadas e colhidas em mim. Quem disse que pequi é melhor que cana-de-açúcar? Fiquei em dúvida! Gosto de ambos. Chorei quando li sobre o calvário do Frei Caneca. Talvez me compadeça em demasia de um passado que o Brasil não memoriza, pois em muitos dos humanos plantaram a pós verdade. E isso causa incômodo, e o dito no confronto não ecoa. Perde-se no vazio. Carrego esse fardo! Mas, também a musicalidade e a poesia. Em conta-gotas me vem à música e a poesia, para depois essas artes me inundarem como as águas de Belo Monte fizeram com as terras indigenas. Embora com efeitos incomparáveis. De forma absoluta, intermitente, esmagadora, fico plena de letras. O Rio Cariús nem se fala! Tomo banho em suas águas diariamente, enquanto ele banha com amor as vazantes que o entornam. Quando acordo, rio dos sonhos bobos que me atravessam e conto aqui para meia dúzia de leitores, cujos olhos cansados se entretem, mas ficam a indagar sobre a veracidade dos versos. Queria conversar por outros canais com cada um desses leitores e, além disso. escutar os seus próprios versos. Talvez lêssemos juntos os conselhos do Rilke, e caminhando à beira mar recitariamos "Vou-me embora pra Pasárgada".
Fátima Rodrigues, expedicionários, João Pessoa, Paraiba. BRASI, em 10 de abril de 2024.
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Aprendizados do amor
Aprendizados do amor
Esquecer? Talvez fosse bom esquecer tudo que foi ensinado, exceto o que foi aprendido lá na dor da ignorância. Lá onde o aprender salva! Ter apreço por aqueles aprendizados singelos, amalgamados na vida, como os aprendizados de parteiras que, com voz suave e mãos ligeiras, abrem caminhos para um ser vir ao mundo. Incorporar o saber amoroso da mãe, que combina ingredientes vários para saciar a fome de uma criança, que dela depende em sua função materna. Falo do afeto que transborda pelas bordas do prato. Mas, sobretudo, dos afetos que transbordam no abraço e nas lágrimas que vêm do riso e da dor. Cato palavras como cato feijão, ha dúvidas se as escolho correto. Escolho ? contém colho, e é bom saber que as palavras são plantadas e colhidas em mim. Quem disse que pequi é melhor que cana-de-açúcar? Fiquei em dúvida! Gosto de ambos. Chorei quando li sobre o calvário do Frei Caneca. Talvez me compadeça em demasia de um passado que o Brasil não memoriza, pois em muitos dos humanos plantaram a pós verdade. E isso causa incômodo, e o dito no confronto não ecoa. Perde-se no vazio. Carrego esse fardo! Mas, também a musicalidade e a poesia. Em conta-gotas me vem à música e a poesia, para depois essas artes me inundarem como as águas de Belo Monte fizeram com as terras indigenas. Embora com efeitos incomparáveis. De forma absoluta, intermitente, esmagadora, fico plena de letras. O Rio Cariús nem se fala! Tomo banho em suas águas diariamente, enquanto ele banha com amor as vazantes que o entornam. Quando acordo, rio dos sonhos bobos que me atravessam e conto aqui para meia dúzia de leitores, cujos olhos cansados se entretem, mas ficam a indagar sobre a veracidade dos versos. Queria conversar por outros canais com cada um desses leitores e, além disso. escutar os seus próprios versos. Talvez lêssemos juntos os conselhos do Rilke, e caminhando à beira mar recitariamos "Vou-me embora pra Pasárgada".
Fátima Rodrigues, expedicionários, João Pessoa, Paraiba. BRASI, em 10 de abril de 2024.
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Eu sinto falta
Eu sinto falta
Das conversas num canto da sala... diante da mesa Agora? Nem o telefone toca, só sinaliza Eu sinto falta, em dias comuns, da mesa cheia de gente ruidosa, a recitar sonoras liras. Eu sinto falta da fila do circo, em dias de espetáculo era tudo tão alegre: cores, músicas, picadeiro
Eu sinto falta das reuniões da escola e dos dias festivos Quem dera eu pudesse... Rememoro as repetições cansativas... Dia das mães, dos pais, dos aniversários Lembro dos abraços regados a suor e lágrimas E o que falar dos preparativos para as viagens? Agora? Parece que a vida carece de sentido Se todos os dias são iguais, como fazer renascer novos sentidos?
Fátima Rodrigues. Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil em 19 de fevereiro de 2024.
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Eu sinto falta
Eu sinto falta
Das conversas num canto da sala... diante da mesa Agora? Nem o telefone toca, só sinaliza Eu sinto falta, em dias comuns, da mesa cheia de gente ruidosa, a recitar sonoras liras. Eu sinto falta da fila do circo, em dias de espetáculo era tudo tão alegre: cores, músicas, picadeiro
Eu sinto falta das reuniões da escola e dos dias festivos Quem dera eu pudesse... Rememoro as repetições cansativas... Dia das mães, dos pais, dos aniversários Lembro dos abraços regados a suor e lágrimas E o que falar dos preparativos para as viagens? Agora? Parece que a vida carece de sentido Se todos os dias são iguais, como fazer renascer novos sentidos?
Fátima Rodrigues. Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil em 19 de fevereiro de 2024.
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Eu sinto falta
Eu sinto falta
Das conversas num canto da sala... diante da mesa Agora? Nem o telefone toca, só sinaliza Eu sinto falta, em dias comuns, da mesa cheia de gente ruidosa, a recitar sonoras liras. Eu sinto falta da fila do circo, em dias de espetáculo era tudo tão alegre: cores, músicas, picadeiro
Eu sinto falta das reuniões da escola e dos dias festivos Quem dera eu pudesse... Rememoro as repetições cansativas... Dia das mães, dos pais, dos aniversários Lembro dos abraços regados a suor e lágrimas E o que falar dos preparativos para as viagens? Agora? Parece que a vida carece de sentido Se todos os dias são iguais, como fazer renascer novos sentidos?
Fátima Rodrigues. Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil em 19 de fevereiro de 2024.