Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo.
Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo. Além de escrever e ler gosto de cinema, de música e de praticar jardinagem. Sou mãe e essa é uma experiência de vida que me fascina e desafia permanentemente. https://www.facebook.com/faatimarodrigues [email protected]
Segurei a caneta como se fosse amolá-la e o papel como se fosse uma pedra. Pensei na pedra, sobre a pedra e com a pedra: rocha impenetrável que me ocupava mentalmente. Insisti em enfrentar a rocha mais dura, só para treinar a minha resistência. Como seria escrever na pedra quando nos acostumamos a escrever em belos e variados papéis e, sobretudo, na tela? A escrita me possuiu. Pensei em suar sobre a palavra, em moldá-la com formas e grafias para somente depois acariciá-la. - Carinho a vir ? - Sim! Pensava que, depois do esforço para demarcar um episódio tão cruel, a brisa soprada sobre o pó desnudaria as letras, os sons, os sentidos, a ideia. Um ato assim, violentamente amoroso, me possuia e me empurrava a traduzir as dores, a ausência, o desamparo. a guerra. Bombardeios, crianças desnudas, sangue jorrando, a fome doendo e na memória, não só na minha, na memória coletiva, assomaria o talmud, o torá, o hezbollah, o semitismo, o antissemitismo, o cristianismo e as explosões de ira. -De ondevirá tanta ira? Lembrei de Aquiles e da sua ira, de sua dor diante do cadáver de Patroclus, lembrei, também, da sua brutalidade incontrolável, sem esquecer da sua compaixão diante da dor do rei Príamo, que ansiava por dar um funeral digno ao seu filho Heitor. - E nós? Ainda temos compaixão?! - Que mundo pensamos para nós e para os que virão? Que os tiranos cessem com a sua ira sobre a Palestina para ceder lugar à vida e a paz.
Fátima Rodrigues. Expedicionários. João Pessoa. Paraiba, Brasil. 10 de novembro de 2023.
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A ira sem compaixão
Segurei a caneta como se fosse amolá-la e o papel como se fosse uma pedra. Pensei na pedra, sobre a pedra e com a pedra: rocha impenetrável que me ocupava mentalmente. Insisti em enfrentar a rocha mais dura, só para treinar a minha resistência. Como seria escrever na pedra quando nos acostumamos a escrever em belos e variados papéis e, sobretudo, na tela? A escrita me possuiu. Pensei em suar sobre a palavra, em moldá-la com formas e grafias para somente depois acariciá-la. - Carinho a doar? - Sim! Pensava que, depois do esforço para demarcar um episódio tão cruel, a brisa soprada sobre o pó desnudaria as letras, os sons, os sentidos, a ideia. Uma pulsão assim, violentamente amorosa, me possuia e me empurrava a traduzir as dores, a ausência, o desamparo. a guerra. Bombardeios, crianças desnudas, sangue jorrando, a fome doendo, e na memória, não só na minha, na memória coletiva, assomariam o talmud, o torá, o hezbollah, o semitismo, o antissemitismo, o cristianismo a biblia e as explosões de ira. -Virá de onde tanta ira? Lembrei de Aquiles e da sua ira, de sua dor diante do cadáver de Patroclus, lembrei, também, da sua brutalidade incontrolável, sem esquecer da sua compaixão diante da dor do rei Príamo, que ansiava por dar um funeral digno ao seu filho Heitor. - E nós? Ainda temos compaixão?! - Que mundo pensamos para nós e para os que virão? Que os tiranos recolham-se e retirem a sua ira em armas sobre a Palestina para ceder lugar à vida e a paz.
Fátima Rodrigues. Expedicionários. João Pessoa. Paraiba, Brasil. 10 de novembro de 2023.
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A ira sem compaixão
Segurei a caneta como se fosse amolá-la e o papel como se fosse uma pedra. Pensei na pedra, sobre a pedra e com a pedra: rocha impenetrável que me ocupava mentalmente. Insisti em enfrentar a rocha mais dura, só para treinar a minha resistência. Como seria escrever na pedra quando nos acostumamos a escrever em belos e variados papéis e, sobretudo, na tela? A escrita me possuiu. Pensei em suar sobre a palavra, em moldá-la com formas e grafias para somente depois acariciá-la. - Carinho a doar? - Sim! Pensava que, depois do esforço para demarcar um episódio tão cruel, a brisa soprada sobre o pó desnudaria as letras, os sons, os sentidos, a ideia. Uma pulsão assim, violentamente amorosa, me possuia e me empurrava a traduzir as dores, a ausência, o desamparo. a guerra. Bombardeios, crianças desnudas, sangue jorrando, a fome doendo, e na memória, não só na minha, na memória coletiva, assomariam o talmud, o torá, o hezbollah, o semitismo, o antissemitismo, o cristianismo a biblia e as explosões de ira. -Virá de onde tanta ira? Lembrei de Aquiles e da sua ira, de sua dor diante do cadáver de Patroclus, lembrei, também, da sua brutalidade incontrolável, sem esquecer da sua compaixão diante da dor do rei Príamo, que ansiava por dar um funeral digno ao seu filho Heitor. - E nós? Ainda temos compaixão?! - Que mundo pensamos para nós e para os que virão? Que os tiranos recolham-se e retirem a sua ira em armas sobre a Palestina para ceder lugar à vida e a paz.
Fátima Rodrigues. Expedicionários. João Pessoa. Paraiba, Brasil. 10 de novembro de 2023.
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Queria saber
Queria saber responder as tuas perguntas... mas penso que nem os deuses saberiam o que dizer. Queria saber se ao dormir sonhas com terras estranhas, e se estrangeiro ficas só pelo gosto de assim ser. Andei varando tempestades e cavalgando ventos e nessas trilhas até aos oráculos indaguei. Mas, não sei! Saber dói! Alguém disse. por isso, fico no escuro. Se habitasse a certeza te diria com belas palavras o que não sei. Mas, o que sei é tão pouco e banal! Já tentei me fazer passar por Dom Quixote mas, faltam-me palavras e armaduras. Queria tudo responder com certeza mas se não a tenho, como posso usá-la? Diante dos fatos meus olhos serenaram, já o meu coração permanece inquieto!
Fátima Rodrigues
Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil . Em 18 de setembro de 2023.
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Contrasensos
Há um peso ali e uma leveza aqui, contrapostos? As vezes aqui, as vezes ali, contrapostos ? Palavras e atos, sintonizados? O peso sobrepesa sobre os ombros, sobre as pernas, sobre o dorso. Nos reviramos, nos acostumamos ou nos insubordinamos? O nós reúne o claro e o escuro, o senso e o contrassenso, o peso e a leveza. Achatados sobre o chão ou esmagados sobre as asas há nós contrapostos. - Como desatá-los? Fátima Rodrigues. Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil. Em 16 de setembro de 2023
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O ser e o nada
Eu nunca me completo estou sempre em busca me desmanchando e me refazendo Não me aborreço com isso apenas fico curioso Os meus sentidos me dizem que não sou o meu artifice mas me sinto sempre fazendo coisas em consonância com o universo Pratiquei atos admiráveis e outros que esqueço para não sofrer Eles foram irrefreáveis Sossego quando a tardinha se despede dos raios solares porque a noite pertence aos deuses e eu aguardo-a para aninhar-me em seus braços A depender do que me enlaça sou imponderável! E é nesse momentâneo estado de ser que me faço outro Tenho muitos argumentos e dores O fim-do-mundo é sempre um horizonte Mas de que mundo falo? De qualquer um! Nada freia meus devaneios Sou fogo e cinza, água cristalina e lama Sou ora diamante, ora calcário O ser em mim é provisório e de resto me refaço do nada Nada pode ser o começo pode ser a síntese ou o caminho da liberdade.
Fátima Rodrigues ( expedicionários. João Pessoa, Paraiba, Brasil. Em 10 de setembro de 2023.)
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Vidas aprisionadas
Um quarto 1/4 Hum quarto ou uma cela? Um quarto aprisionado Um quarto sem medidas Um quarto apartado Um quarto dividido Um quarto enviesado Uma cela de 1/4 Uma "cabana" prá chamar de sua Nisso tudo há pessoas Cabeças e sentenças Um dia sem espaço, sem bigorna Uma noite sem cama, com sopa cola Colchões que transbordam gente no sistema Noite que traz pesadelos de sindicância Vidas que transcorrem no vazio do tempo e no escambo Isso tudo em 1/4 desmedido, no avesso de latifúndio onde o medo sangra.
Fátima Rodrigues. Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil.
*Dedico aos pesquisadores e ativistas dos Direitos Humanos que lutam por justiça e dignidade para os encarcerados, sobretudo para as mulheres.
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Nossas dores e silêncios
Deitei a voz Chorei com a voz Por dento ri em cântaros Era preciso escutar Calei a minha voz Acolhi com a voz Doeu em mim Mim é a voz do silêncio Mim é a voz recolhida Mim é também tu Nossa voz, nosso silêncio Nossas dores em uníssono Dores que nós entendemos Dores do mundo Dores de nós Acolhi com a voz e com o silêncio.
Fátima Rodrigues, expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil em 05 de agosto de 2023.
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Palavras em gozo e em agonia
É difícil dizer sobre o dizer À mim basta o prazer da escuta poética Lá se vão os sons deslizando em meus ouvidos fazendo-se em melodias e em porvir atravessando o cérebro, a garganta e a desaguar em pleno ar Sons, letras e memórias flutuam às margens da superfície onde se criam e recriam Lá se vai a bagagem sonora em movimentos que se opõem do bendito e ao maldito Ressonâncias dialogam ensimesmadas Palavras e sons seguem nos subterrâneos e veredas criam possibilidades inventam sentidos. distopias e utopias comunicam e ocultam, libertam e coisificam manifestam e assimilam, negam e afirmam O dizer não tem receita tanto se mantem como se desvia Palavras ? Transmutam-se-em dores e em alegrias que se conectam na espiral de nós, para além dos contornos da vida.
Fátima Rodrigues Expedicionários. João Pessoa., Paraiba, Brasil em 28 de julho de 2023.
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O ar do Siará
No Siará o AR, ha, ha, ha ha, ha! Existe! E com "ar encorajado" vamos arar e plantar O Aracati se espraia atravessando sertões, depressões, cantinhos e cantões Quando se fizer bonito e chover vamos arar e plantar campos, planícies e serras e também ara-remos mentes e corações Ara-remos em Santa Luzia, em São José, em São João e em S, Pedro E se o aperreio vier ara-remos até o Forte de Assunção - E então?! Vamos arar com as mãos sem matar as espécies boas As ervas daninhas, sim! serão retiradas de prontidão! - E o que dizer dos que ceifam vidas, infantis, juvenis e anciãs? Esses não passarão!!! Escuta Fortaleza do Siará! Numa fêmea amada pelo sol há luz para prover a todes
Emane-se em cuidar da vida. Lute! Os currais dos bárbaros ficarão na memória como lições da História E só! Pois, nada ocorreu em vão! Vamos arar e plantar Siará! E com coragem vamos arar e desertar a praga do fascismo, pois o ar, ha, ha, ha,ha,ha! HÁ.
Fátima Rodrigues
Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil em 04 de junho de 2023.
https://averdade.org.br/2019/12/os-currais-retrata-campos-de-concentracao-durante-a-seca-de-1932/ acesso em 02 de junho de 2023 https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/regiao/vento-aracati-compoe-real-e-imaginario-dos-sertanejos-1.216432 acesso em 02 de junho de 2023 https://mapacultural.secult.ce.gov.br/espaco/245/ acesso em 02 de junho de 2023