maria

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Esta noite fui tua





Esta noite fui tua







E o meu corpo



Cansado de esperar



Precisou-te até à medula.







Esta noite fui tua,



Mas não foram "tuas" as palavras



E porquanto foram.







Não atingiremos sozinhos o tempo das aves.



E não ignoro o silêncio



Nem a vontade de voar.







Esta noite fui tua



E as minhas asas planaram sobre tua cabeça



E o teu amor inundou-me de ti.







Esta noite fui tua.



Mas os meus flancos não sentiram tuas mãos.



E eu não consegui e fiquei nua, orvalhada e sozinha no chão.



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Poemas

4

Moinhas Mãos

Enquanto escuto todas as vozes

E desfio horas e palavras

Vou perguntando a Deus

Quanto tempo?

Quanto tempo mais

Até te amarrar em teus braços

Nos unir, amar

Perder o tino

Perder a compostura

Perder e ganhar.

Enquanto desfio o rosário dos aflitos

Confronto-me com Deus e digo:

Quero-te, desejo-te, cedo.

Amo o rio que corre no teu corpo e

Que desaba no meu mar.

Não consigo dormir

Abraço-me e procuro-te.

Moinhas mãos trabalham arduamente

Tecendo o tempo que nos separa

Aumentando o desejo e encurtando a espera.

Já não sei o que fazer.

Começo a ficar com o olhar ausente

E as mãos dormentes.

Preciso do teu amor.
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Com título e sem ti

Estava escuro

A noite gelava e eu

Estremecia em teu abraço

De medo e de desejo

A fome impelia-nos

Mais que o medo,

Mais que o terror,

Mais que os bichos acoitados

Lá fora.

Estava frio

O quarto gelado

A pequena cama

O sofá

Não servia

Quiseste-me vestida

Calçada

De pé

Na cozinha

Foi de loucura

Foi de breu

Apenas a lua iluminou
nossos contornos

Amámo-nos muito.

Bateram á porta

Paralisei de terror mas teus braços não me abandonaram.

O nosso coração batia descompassadamente

Junto



Jamais me abandonaste nessa noite.

Nem então paraste.

Levaste-me até ao gozo

E querias mais. Queríamos mais.

Tanto mais.

E a tua coragem então

Quebrou as barreiras, submergiu os campos

Deixou-me presa na barragem do teu amor

Onde o lodo hoje ameaça tudo cobrir.

Partiste por todas as razões

Mas eu fiquei um pouco naquele quadro.

E na tua figura esguia, varonil, protectora

Amigo seguro que partiste e jamais voltaste

Ninguém me protege

Sinto-me tão só sem ti.
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Sem título

A loucura vive
Nesta porta vedada
entre ti e mim.
Por não aguentar mais esta pressão
Vou embora
No rasto do teu corpo
Das nossas noites
Deste cheiro novo que há em mim
Não sei se procuro o mar
Se a serra, se o chão.
Sei que me procuro a mim.
Porque simplesmente desapareci
no dia em que te conheci.
Amo-te
Não suporto mais a soliddão
Errei tanto que já não sei contar
Mas errei com a sensação
absoluta de estar certa
Só que ninguém, senão tu,
percebe porquê.
Sim, sabes de cor
o meu rosto, o meu olhar,
o desejo que se consome em
chama ardente, febre alta,
na noite escura do meu ser
onde fecho os olhos e cerro as mãos
de tanto te querer.
Se não consigo comunicar
contigo esta amargura
Se me empurras para o caminho
então tenho que me perder para
te encontrar..
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Lágrimas secas (como as tempestades de África)





Quem nunca sentiu chorar por dentro

Não sabe o que é o amor.

Começa no seio que desponta,

No sexo que arredonda e brilha

Entra pela circulação

E escava um rio até ao coração.

Emerge num suspiro, num olhar perdido e magoado

Causa febre localizada e vertigem

Arrepia, magoa, já não arde.

Não fere na sua inevitabilidade

Foge por entre os dedos

Crava-se na carne

Arranca-nos o peito e

Prepara-nos a viagem...

Diz-nos que estamos sós,

Mostra-nos o chão e o céu.

Enubla a visão e enobrece o coração de um bravo

Desfalece em seus braços e diz-lhe toda nua,

Sou tua

Depois adormece e mais tarde continua.

Desaba no mar algures onde o farol alumia.
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