Matheus Nascimento

Matheus Nascimento

n. 1997 BR BR

phunky buddha----033--024----

n. 1997-10-12, Caratinga, MG

Perfil
5 514 Visualizações

QUARTA ÀS VINTE

A cada quinze dias
nas quartas
às vinte
eu me sinto bem,
tenho horário marcado
com os ocultos
desse vai e vem.

As dores de um moribundo
que não cabem nesse mundo
se dispersam num feitiço
escondido nesse assunto,
ontem calado,
hoje profundo.

À doce confidente que me escuta
e sabe bem como chegar,
como eu queria devolver
os abraços que me dá.


Petrópolis, agosto de 2021.
Ler poema completo

Poemas

15

RESPLENDOR

Finório deflagra solto
Flecha pousa na corda
Ao peito lança a chama
Chama arde acalento

Desatento a toda forma
Verso livre é alimento
Horda e rosa do vento
Girassol que desabrocha

Limo ócio adora rocha
Titubeia ao movimento
Todo tempo é agora

Ainda que a passo lento
Água que perfura pedra
Mora cálida no momento.


Governador Valadares, abril de 2020.
259

FORMIGA-DE-EMBAÚBA

Para o piloto,
Correr
Para o mercante,
Vender
Para o estudante,
Aprender
Para o fantasioso,
Pretender
Para a terra,
Chover
Para o sol,
Nascer
Para mim,
Você.

Governador Valadares, 2017.
248

OCASO MANIFESTO

Te peço um verso
ao avesso inverso,
seja daqui,de outro universo
e até de Madrid.

Pode escrever,
até salvo e imprimo
registro impresso.

Vamos andar pela rua
olhar paisagens
à barista
por favor, um expresso.

Pois longe de ti
fico louco, possesso.

Só me falta dizer
que te amo,
confesso.



 Governador Valadares, 2016.
253

A PERSISTÊNCIA VITAL

Um poema nunca deve ser escrito a lápis,
muito menos deve-se usar borracha.

A poesia é o reflexo da vida e nada pode ser apagado,
os erros se tornam lembranças como feridas que cicatrizam a pele.

Uma atitude errada vira uma mancha,
um verso errado vira um borrão.

E a função do poeta é desafiar os problemas,
os caminhos e o vento que sopra contra seus objetivos.

Governador Valadares, 2012.
268

ÁGAPE

A campainha toca
Ela abre a porta

Suas íris esverdeadas penetram meu olhar
Sinto seu cheiro entre amassos
tão íntimos e carinhosos que não ouso separar.

Nem percebo
sinto um beijo
recheado de desejo

e encontro a beleza em tudo que vejo.

O mundo para por um momento
Não tenho o que falar
Esqueço os problemas, jogo fora os esquemas
Só penso em sentir o seu corpo e ver o tempo passar.

Fico reparando
Enquanto ela vai
Pequena
olhar brilhante
Morena
sorriso cativante
basta ficar por um instante
e me conquiste
me encante.

 


Belo Horizonte, 2015.
253

CARTA PRA CRONOS

Há tempos se procura uma verdade que dura.

O tempo apresenta
Complementa
Mostra as caras

Tempo curto
Sem saber
Conquista, encanta
tem poder.

O tempo é breve
e  nele se esquece,
que a vida acontece
e você não se conhece.

Faz muito tempo
que vivo meu tempo
e enfim me contento
com um bom momento.

Que o tempo passe e não me engane,
esteja sempre vivo ao meu alcance.
 

Governador Valadares, 2015.
258

CORDAS E BAMBAS

Torna-se um assassino quem busca estatísticas antes de apostar;
quem busca dinheiro antes de trabalhar;
quem diz que ama sem se expressar;
quem transa com a mesma mulher sem se animar.
Porém o mais cruel também é ignorante
e sobrevive sem se arriscar.

Tropeças quando soma números
se sonhas letras,
pois vive na ilusão do exato.

Esqueceu-se dos sonhos nesse encontro desmarcado,
são dez pras quatro e meia,
compre meia passagem pro trem das memórias,
e o infinito num instante,
em retratos na estante.


Cachoeiras de Macacu, fevereiro de 2021.
244

NO CLARÃO DO CANDEEIRO

Ninguém dança quadrado
No jogo de roda
A cadência do samba
Faz desembolar.

Se o caminho é breu
Agradeço a mãe lua
E de olhos fechados
Hei de enxergar.


Governador Valadares, abril de 2020.
261

CONFUSO CONFÚCIO

Tão efêmero quanto o mero fiasco da lâmina que encosta no esmero,
sai a faísca que brilha num escuro tão enfermo.

O sangue fino escorre pelas alterosas de meu peito,
tão sentido de intensos suspiros desmentidos eu suspeito
se a novidade desse sujeito não é mais do outro mesmo.

Inseguro só desejo
Que esse mimo e quente beijo
Se acerte a termo
a priori ou a esmo
E nas páginas de minha história
realce tudo que vejo.


Petrópolis, setembro de 2021.
277

QUARTA ÀS VINTE

A cada quinze dias
nas quartas
às vinte
eu me sinto bem,
tenho horário marcado
com os ocultos
desse vai e vem.

As dores de um moribundo
que não cabem nesse mundo
se dispersam num feitiço
escondido nesse assunto,
ontem calado,
hoje profundo.

À doce confidente que me escuta
e sabe bem como chegar,
como eu queria devolver
os abraços que me dá.


Petrópolis, agosto de 2021.
267

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.