maurosouza

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Sou espírito, sou algo, sou paixão e sou ninguém. Só estou e vou por ai a observar e a sentir.

n. 0000-03-20, rio de janeiro

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TAL COMO PORTA

Dias atormentados
Braços combalidos
Os pés agrilhoados
Axiomas indecisos

De repente a porta
Uno o sem ao nada
Vazio que importa
Como porta calada

A astúcia mundana
Diz: “surda e muda”
Porta de choupana
Frágil, mas sisuda.

Algo tenho a dizer
Ninguém pra ouvir
Porta sem querer,
Sangrar, ou sentir.

mauro
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Poemas

7

“VIAGEM”

Vida, liberdade e sabor dos ventos
Um “torpedo” pra ajudar a “viagem”
Não certo, mas vale os momentos
Sinto ar e terra e sinto a paisagem

Sentir é bem maior que ser e estar
Observar a natureza e vê-la em si
Sentir a chuva doce e o sal do mar
Isso posso levar; o tudo qu’eu vivi

Pois deixo de ser e deixo de estar
Se o tudo é real quando se sente
Viver é ver, sonhar, sentir e amar
Vivências conservadas na mente

mauro
277

MAIS UMA VEZ

Que não me mate a terra
Nem a vida me consuma
Antes de alcançar a serra
Para ver-te, linda, na luna

Que o pranto qu’eu deitar
Não me estorve as vistas
Não seja longo quão mar,
Mas ainda impressionista

Pois não basta estar triste
Tem que revelar essa dor
Saudade é dor sem limite

Ah um dia ou dois talvez!
Um tempo pro meu amor
Te sonhar mais uma vez.

mauro
294

EI VOCÊ!

Ei você, sim estou escrevendo pra você!
Pensa que você fica incólume me lendo?
Através do que lê, posso você conhecer
Lendo, você também vai me entendendo

E no fundo você sente e até sofre comigo
Por vezes minha história é a sua também
Não? Quem nunca sofreu por um amigo?
Iguais homem e mulher, somos o alguém

E você pode gostar se identificar, ou não
Mas peço não me ignore, preciso de você
Não precisa curtir apenas preste atenção

E, em momentos iguais, até alivie sua dor
Na pauta de quem luta pra tudo esquecer
Tentando viver sem desacreditar no amor

mauro
285

PEDAÇOS

Todo pedaço é uma parte de um todo
Cada pedacinho tem toda informação
Não o feitio, sentido, mas composição
Cabeça nas nuvens e os pés no lodo
Sonhando, porém presos às vontades
Desejos mudos, absurdos de reformar
Não terá reparo, só serão lembranças
Caquinhos de vida, amor e esperança
Traços de sonhos, de afeição e pesar
A vida passa pirada e sem compaixão
Cada conta uma ponta, dor e pontada
Sem tempo e perdão é simples assim
Amar e querer não dão direito a nada
No final acaba a música, luz e é o fim
É como no cinema em final de sessão
Todos devem sair, satisfeitos, ou não
Cada um leva seus cacos de vivência
Juntaremos, mas não irão se encaixar
Nunca, não obstante a nossa dolência!
Porém é chegado “novo e senil” tempo
Abraços, beijos e promessas de tributo 
Luzes, cores e os improfícuos desejos
Tudo será passado no próximo minuto

mauro
163

ESTOU VIVO!

Oi! Tudo bem?
Que bom!
Eu? Estou vivo!
E a vida?
Melhor?! Eu já sabia!
Você merece!
A minha? Estou vivo!
E o trabalho?
Ah! Você cresceu e apareceu!
Parabéns!
Saber de mim? Estou vivo!
E seus sonhos?
Hum... Já realizando!
Valeu! Os meus?
Estou vivo!
E quanto ao amor?
Ah! Finalmente surgiu!
Então está feliz!
Comigo? Estou vivo!
Foi bom ver você!
Até mais e se cuida!
Como? Eu também?
Imagina! Estou vivo!
mauro
304

TAL COMO PORTA

Dias atormentados
Braços combalidos
Os pés agrilhoados
Axiomas indecisos

De repente a porta
Uno o sem ao nada
Vazio que importa
Como porta calada

A astúcia mundana
Diz: “surda e muda”
Porta de choupana
Frágil, mas sisuda.

Algo tenho a dizer
Ninguém pra ouvir
Porta sem querer,
Sangrar, ou sentir.

mauro
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UM CORAÇÃO QUEBRADO


Alguém, muito especial, fazendo-me refletir, deu-me essa ideia
Então resolvi desenvolver e escrever essa desambiciosa prosa
Crash! Não se espantem é apenas um som, uma onomatopeia
Um coração que acaba de cair do alto da esperança e quebrar
É tão comum hoje em dia; lembrança de personalidade furiosa
Ou poderia dizer o egoísmo exacerbado tão pobre e tão impar

Não obstante, pensando bem, eis que nos revela nosso algoz
A projeção de nossos ideais (nossas pseudo-almas gêmeas)
A crença em outros humanos, por vezes, mais frágeis que nós
(Amamos nossos sonhos, desejos e a pessoa que nele habita)
Dilatamos o coração de ilusão, de expectativa e de ansiedade
E não importa nossa idade, abonamos os achaques da paixão

Aí, permitindo que entrem, deixamos que quebrem o coração 
Mas a verdade é que somos apáticos e cúmplices permissivos
Se não há cuidados, só entrega incondicional, lógica ou razão
E o pior é que tudo ocorre de novo, de novo... Estamos vivos!

Somos espertos e sagazes, porém só até a primeira flechada
E o incauto cupido nos transforma em indigentes mentecaptos
Onde toda nossa experiência de vida é prontamente apagada
Então nós ficamos cegos e surdos, amantes cativos e inaptos

Assim nos tornamos adoradores de um modelo que foi criado
Habilmente forjado por nosso doce delírio; o verdadeiro amor
Mas o que é pior, o devaneio de um adolescente apaixonado
Ou a frieza de um velho coração já remendado de tanta dor?

mauro
167

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