Miguel Neves

Miguel Neves

n. 1992 PT PT

n. 1992-05-07, Almada

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Ex-Servo

Vai embora,
O que podes querer de mim?
Se já levaste água que me leva,
Porque queres traçar o meu fim?

Leva este vinho,
Que me faz ter devaneios,
Esse olhar que me mata mais,
Que a beleza desses seios,

Diz o que quiseres,
Afinal de contas nada me importa,
Sai, vive a tua vida,
Que a minha já nasceu torta,

Quem me dera recuar,
Até aquele vão de escada,
E dizer que aquele beijo,
Era uma garrafa envenenada,

Eu amei conscientemente,
Na conformidade desta obssessão,
Por muito amor que existisse,
Nada vindo de mim foi são,

Por isso vai,
Corre e desaparece,
Bebe do meu copo,
Consome-me e esquece-me.

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Poemas

1

ASAS FINGIDAS

Ah, poeta incompreendido,
Nem musa tens para chorar,
Escreves à noite, sem uma garrafa de vinho,
Declamas à luz da lâmpada e nem sequer vês o luar, 

Que merda será não seres o cliché,
Que todos procuram em estrofes infinitas,
Como será querer acordar no vazio,
Sem curares a dor que esta noite citas,

Ah, poeta desgraçado,
Resta água e algum licor para beber,
Não fumas e levas uma vida saudável,
Um raro boémio que não se deixa ver,

Coruja de alcunha,
Mas será a noite assim tão amiga,
Pois se te sentes bem,
Porque vês a dor como inimiga.

Ela te fez assim,
Com força para seguir sem medo,
E se agora és quem querias ser,
Porques finges ser o cliché em segredo?

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