Lista de Poemas

Medo

Tenho medo de não ver o sol

Quando entrar a primavera,

De não sentir o cheiro das flores,

Mesmo sabendo que elas estarão belas.

Tenho medo de não acordar

Quando o dia começar a clarear.

Tenho medo de ficar preso no trânsito

E perder meu voo.

Tenho tantos medos encravados

Como daninhas em minha mente e

Alastrados ao meu coração.

314

Deixe-me

Me deixe morrer

Nas ondas azuis

Nas nuvens macias

Nas velas dos castiçais.

Deixe-me dormir

Na selva serena

Na pele morena

Do amanhecer.

Despeço-me - permita,

Antes da lua desligar,

Levo-te assim bonita

Na imaginação passear.

322

Linhas

Duas linhas paralelas

Infinitas para a visão

Lado a lado...

Seguem sempre

Sem se verem.

Sem saber pensar

Juntos e sós...

Definitivamente sós.

359

Eu espero

Eu espero,

A pressa não vai influenciar.

Eu espero,

A ganância não me fará egoísta.

Eu espero,

Tem valores que posso e devo abdicar.

Eu espero,

Sem gritaria,

Sem agressões.

Eu espero,

E assim vou fazendo a hora chegar.

Eu espero,

Não atravessarei a nado.

Eu espero,

Sem medo de ser o último,

Estarei no meu tempo

Meu ritmo eu dito.

Enquanto o caminho não acaba

Meu caminhar é infinito.

Eu espero,

Pois sei que ao andar

Encontrarei vestígio de quem passou afoito,

Eu espero,

Tenho pressa em viver.

Eu espero,

Vivo a esperança que a humanidade

Feliz haverá de ser.


314

Pinheiro Marcado

Na terra onde nasci os trilhos cortavam o pequeno lugarejo como brilhantes luzindo à luz solar"

Terra adorada da minha infância,
Meu belo berço natal,
Vivi alegrias e pujança
Meu amor por este chão é sem igual.

Não fossem as contingências do supremo,
De lá não sairia nenhum minutinho.
Fronteira municipal bem no extremo,
Lindo distrito no interior de Carazinho.

O ruído do trem de longe se escutava
A estação, de gente, certamente se enchia,
Surgiam em minha imaginação
As emoções de quem chegava ou partia.

Terra de tantos sonhos sonhados,
De agricultura e reais belezas
Do meu primeiro aprendizado
De vivências intensas com a natureza.

Da Escola Veiga Cabral de eternas lembranças,
Do amor inocente platonizado,
Trago grudado em meu peito às heranças
E gratidão ao meu chão: Pinheiro Marcado.

(Projeto AVL- Meu Berço meu orgulho)
304

Depois de você

Eu ainda mantenho a mesma rotina.

Não deixo de fazer as coisas que fazíamos juntos.

Sufoco o vazio dentro de mim para poder manter vivas as nossas lembranças.

Queria ter sabido que eram as últimas vezes para poder dar a estes momentos muito mais intensidade.

Visto a roupa que você elogiava e coloco uma música como se fôssemos dançar. Preparo o jantar. Abro um vinho e coloco duas taças.

Empresto-me uma das minhas próprias mãos para podermos brindar.

Tem horas que caminho pelo jardim admirando as flores e seus encantos. Falo com elas como fazias.

Te chamo quando algo me impressiona - preciso que vejas.

Acaricio teu cabelo e cubro-te a noite, como se ali estivesse.

Às vezes escuto você contando do seu dia, eu também te conto o que eu fiz. - Juro - conto.

O silêncio faz cair uma lágrima e na emoção digo, com o mesmo orgulho, que nossos filhos estão bem, os netos crescendo no caminho que tantos queríamos.

Sim, tua falta aqui é impossível de suprir. Foram tantos momentos, planos, desejos, sorrisos....

Quanta vida vimos brotar em nós e nos nossos.

Não, eu não estou enlouquecendo, ainda que pudesse ser, pois a saudade e a solidão podem levar à loucura.

Sei que um dia você vai aparecer. Vai me chamar. Vai segurar minha mão para não soltar mais.

Assim caminharemos para a eternidade.

Espero paciente.

Quando este dia chegar vamos salvar o que infinitamos nas nossas almas.

No céu seremos novamente nós dois.

326

Paralelo

Paralelo

Meu pai era à moda antiga
Eu um pai moderno.

Meu pai nos orientava e protegia,
Isso colei dele.

Meu pai dava tudo de si pelos filhos,
Bem melhor do que eu sou.

Meu pai se enchia de alegrias nossa presença,
Sou idêntico.

Ele tinha princípios, seriedade, responsabilidades.
Não consegui notas iguais as dele.

O meu foi um pai moderno
Eu me esforço para ser à moda antiga

363

Estrela

A estrela é um sonho

Que se tornou incerto,

Mas sonho e vivo.

Na ternura noturna

Acendo uma vela

E a chama queima

Por mim, por ela.

Deito levemente

Em insônias inimagináveis

Em meu céu (uni) estrelar

Sonho e vivo.

289

Tempo lindo

Há tempo para ser prático

Em que se cultiva a roseira,

Outro para ser romântico

Em que se oferece a rosa.

Há o tempo tocante que voa

E a música preferida entoa.

Aquele mil vezes desejado

Delicioso como o vinho maturado.

Tem momentos que passam vazios

Fazendo tudo tão frio,

Outros, aconchegantes com o toque na pele

Causando relevantes arrepios.

Há tempo para perder-se

Em devaneios atemporais.

Para perdoar há o tempo infindo.

Há tempo para ver a vida amanhecer

E o amor dizer: - bem-vindo!

É tempo de viver...

Ah, que tempo lindo!

336

Eu e meus amigos

Alguns amigos partiram.
Eu não.
Eu fiquei.

Foram ser importantes,
Vencer na vida,
Realizar sonhos.

Saíram pelo mundo
Buscando status
Roupas de grife,
Riquezas,
Ou, talvez, só a felicidade.

Eu não.
Eu fiquei.
Eu iria comigo
Se decidisse partir,
Por isso fiquei
Para ser feliz aqui.

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Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais.
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)