E para formar o rio O sereno se consumiu Em suas margens fez brotam árvores poéticas Impregnando cheiro de poesia no ar Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.
E o sabor da poesia É saudável Palatável Colorido Incomparável.
Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais. Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais. Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras. Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)
Quando amanheceu dei-me sem rumo, Desnudo de qualquer amor. Meu grito poético sem prumo Tomado por súplicas de dor.
Onde guardarei os versos que pra ti compus? Que me deixaram rouco de te querer. Pra que lado sopra o vento que me conduz? Onde você foi de mim, se esconder?
379
Se ainda posso homenagear a terra natal
Na terra onde nasci, Os trilhos cortavam o pequeno lugarejo, Como brilhantes luzindo a luz solar.
307
Pedinte
Não. Não quero ver o dia amanhecer. O amanhã será como hoje. Talvez mude o clima, A chuva, O sol, Mas amanhã e outros amanhãs Serei o mesmo. Incontestavelmente o mesmo. Acho que é assim, Nem bom, Nem ruim, Risco do meio. Amanhã será escuro. O pão, Será seco, A mesa - o beco, A porta - a pedida. Meu amanhã será teu hoje, Pois vivo do que você sobra.
343
O sol e a lua
Com o escuro da noite A paisagem enegrece, Mas seus raios cristalinos Aos poucos aparecem.
O manto negro se desmancha O astro rei vem à tona, Enche o dia de relíquia Seus raios de ouro ele aplica.
A lua, rainha da noite, Pelo rei sol se apaixonou, Deste amor brilhante Muita estrela resultou.
Neste casal liberal Os dois têm seus direitos. E para dividirem o trabalho Não tinha outro jeito.
Combinaram de acordo Que o sol iluminaria o dia. E a noite, sem compromisso, A lua apareceria.
358
Brilho
Onde tem brilho nasce uma vida cresce a poesia de versos e sabor. Onde tem brilho as mãos se entrelaçam os olhares se cruzam os sorrisos florescem. Onde tem brilho os passos são ritmados a direção é conjugada as pessoas são amadas. Onde tem brilho nasce uma flor. o sol se controla pra que vença o amor.
334
Toda
Toda ação, mesmo sentimental, é racional. Não fosse assim seríamos iguais aos outros animais.
353
Sobrem
Gosto de amores que sobrem para os dois lados.
454
Vem... Vamos
Chamou seu cachorro meio incrédulo da vida. Ao ajoelhar-se para acaricia-lo, sentiu o desconforto da cintura maior. Queria outros ventos. Buscava uma vida sem rodeios e pessoas sem “nove horas”. Estava farto de lirismo comedido, tanto quanto Bandeira. E ao rasgar a foto em que usava gravata, talvez buscasse repetir Getúlio e entrar para a história ou, no fundo, no fundo mesmo, desejasse ser o Policarpo. Contudo trocou de roupa. Lustrou os sapatos. Abriu a geladeira, devorou meia fatia de melancia rapidamente. Segurou com a mão direita o blusão no ombro esquerdo. Uma última olhada no espelho. - Outra pessoa, concluiu. Nem percebeu a marcas de patas no jeans. Fechou a porta deixando a luz da sala ligada. Não voltaria para apagá-la. Com pequenos assovios chamou Serelepe: - Vem... Vamos...
370
Sumiço
Cada sumiço Mata um pouco. Cada saudade Afunda mais o poço.
382
Lua
Fecha-se noite. Volte teus olhos para dentro de si. Não quero ser visível. A lua nos esqueceu. Siga teu rumo Eu seguirei o meu.