Lista de Poemas

Saudade

Saudade é rastro em terras que não pisamos.
337

Palco

Seja palco por um momento...
Faça você à cena,
Solte a imaginação
aproxime-se da plateia
deixe só a metáfora te distanciar.
Agradeça ao público
mande beijos para as críticas,
aperfeiçoe só o possível
não endureça, seja sensível.
Quem não sente não chora,
Mas também não vive.
380

Cratera

Abriu-se repentinamente uma cratera ousada que quase engoliu a mente.
Algumas cargas de serenidade e generosas doses de bom senso, misturada com a mais potenciada ternura cuidadosamente colocada por um mutirão de amigos, foi possível fechá-la.
Hoje a vida consegue passar por ela, mas a marca lá esta... Será eterna.
354

Único

A única vantagem de ter um único livro
É que você tem facilidade em escolher
A sua melhor obra.


364

Vem... Vamos

Chamou seu cachorro meio incrédulo da vida. Ao ajoelhar-se para acaricia-lo, sentiu o desconforto da cintura maior.
Queria outros ventos. Buscava uma vida sem rodeios e pessoas sem “nove horas”.
Estava farto de lirismo comedido, tanto quanto Bandeira.
E ao rasgar a foto em que usava gravata, talvez buscasse repetir Getúlio e entrar para a história ou, no fundo, no fundo mesmo, desejasse ser o Policarpo.
Contudo trocou de roupa.
Lustrou os sapatos. Abriu a geladeira, devorou meia fatia de melancia rapidamente.
Segurou com a mão direita o blusão no ombro esquerdo.
Uma última olhada no espelho.
- Outra pessoa, concluiu.
Nem percebeu a marcas de patas no jeans.
Fechou a porta deixando a luz da sala ligada.
Não voltaria para apagá-la.
Com pequenos assovios chamou Serelepe:
- Vem... Vamos...
362

Brilho

Onde tem brilho
nasce uma vida
cresce a poesia
de versos e sabor.
Onde tem brilho
as mãos se entrelaçam
os olhares se cruzam
os sorrisos florescem.
Onde tem brilho
os passos são ritmados
a direção é conjugada
as pessoas são amadas.
Onde tem brilho
nasce uma flor.
o sol se controla
pra que vença o amor.
326

Fecha-se

Fecha-se noite.
Volte teus olhos para dentro de si.
Não quero ser visível.
A lua nos esqueceu.
Siga teu rumo
Eu seguirei o meu.
327

Velhos arquivos

Escuto um poema falado,

mergulho em mim extasiado

tão recente... Tão passado.

Ao fundo uma música conhecida

que balança a sensibilidade

já abalada nesta idade.

Procuro em velhos arquivos

minha poesia mais linda,

tempos que me sentia poeta,

acho que eu nem tinha nascido ainda.

O mundo pra mim passou,

hoje sou papel amarelado

de um poema obsoletoe mal acabado.

328

Cena

A noite colou folhas na árvore

Um riozinho límpido também fez,

A lua cheia não ficou fora dapaisagem,

Tudo perfeito e com grande nitidez.

Rabiscou um poema de amor

Decolou pensamentos sem limites

Sentiu-se livre para voar

Feito ave sem pressa de pousar.

Subitamente voltou para onde estava

Assim mesmo não desanimou.

Ainda que não fosse a vida quesonhava

Mantinha esperança pois nada desmoronou

319

Sobrem

Gosto de amores que sobrem para os dois lados.



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Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais.
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)