Antonio Carlos Mongiardim Gomes Saraiva

Antonio Carlos Mongiardim Gomes Saraiva

n. 1957 PT PT

Português, nascido em Lisboa e residente no Brasil desde 1995. Professor e Tradutor da Língua Francesa e Inglesa. Artista Plástico e Escritor.

n. 1957-09-09, Mantena / Minas Gerais / Brasil

Perfil
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ÁGUA


Cai a água muito aguada; 

Desaguada em aguaceiro.

Rega os campos primeiro

E refresca a madrugada.

Seja bem vinda no calor

E no fogo cruel do amor.

Caia em forte enxurrada,

Para apagar a nossa dor.

Hoje te procuro ó água;

Ávido, seco e sedento... 

Ouve bem esse lamento;

Afoga já a minha mágoa.



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Poemas

13

ÁGUA


Cai a água muito aguada; 

Desaguada em aguaceiro.

Rega os campos primeiro

E refresca a madrugada.

Seja bem vinda no calor

E no fogo cruel do amor.

Caia em forte enxurrada,

Para apagar a nossa dor.

Hoje te procuro ó água;

Ávido, seco e sedento... 

Ouve bem esse lamento;

Afoga já a minha mágoa.



263

MERGULHEI EM VOCÊ


Mergulhei em você...

Assim, porque não?

Quis sentir o seu chão;

Olhar o que não se vê.

Só assim poderei saber,

O que brota do meu ser

E juntá-lo ao que é seu.

Sentir uma doce afinidade,

Verdadeira, só; sem idade.

Quero repartir o que é meu,

Para além de uma miragem.

O que quero dessa viagem,

É apenas a nossa chegada;

Ilesa, franca e consagrada...



274

SOU O PIRATA DA PERNA DE PAU


Hoje descanso à deriva;

Náufrago, em escuna altiva.

Amanhã serei mais um pirata,

Em busca do ouro e da prata;

Quero saquear muitas ilhotas

E encher de moedas as botas.

O meu lema é o meu tesouro 

E a morte, já não me assusta.

Sou ágil e forte; águia e touro.

Ao vento, confio o meu leme.

Roubo aquilo que você teme...

"Sou o pirata da perna de pau;

Olho de vidro e cara de mau". 




288

O RISO DAS CONCHAS


Textos que habitam as ondas

E sabem ao sal das maresias,

Provocam o riso das conchas;

Dos cardumes, são doce empatia.

No passar pelo frio das águas,

Depuram-se tristezas e mágoas.

Guardam-se segredos e enredos.

As letras nadam na corrente 

E a espuma lambe as pedras;

Húmidas e escassas que beijam,

Em ensejos de graça e quimeras. 

Não fosse o som de uma gaivota,

Tudo pareceria um mar das frases,

Capazes, perdidas e sem rota...


237

COLECTÂNEA LITERÁRIA DE POESIA - O Amor é a essência da Vida


http://tempuri.org/tempuri.html


243

O BEIJO DA INCERTEZA


O Homem está deliciado à beira do seu poço...

O destroço banhado a sangue, corrói até ao osso.

Partituras e sinfonias, alimentam tórridas orgias.

Discursos de corrupção, comandam toda a nação.

Águas apodrecidas, banham os rios e os mares.

Loucos, aos pares, querem proliferar a raça...

Mas a dura carapaça, não deixa viver a razão.

Quanto mais tempo é requerido, menos noção...

Pobres inglórios, choram o fim da humanidade;

Deles é o uso da tristeza, que nega a natureza.

Abatidos e vencidos, na morte da liberdade,

Só lhes resta a saudade e o beijo da incerteza... 



299

ENTRE QUATRO PAREDES


Estou entre as quatro paredes...

Não ouso esconder o meu pranto.

Quero prolongar a minha sede;

Não bebo, não falo, não canto...

Sou o mentor do meu profano;

Não vejo, não rio; sou espanto...

Acabo de possuir o teu encanto;

Sagrado, leviano, aceso; humano.

Nas paredes brancas me afoito,

Embriagado e enrolado num oito.

Sou a imaculada prisão do branco; 

Leve, informal e inimiga do mal...

Entre o chão e o teto, me revejo;

Nesse cubo branco e oco; perfeito.

O alimento entre as quatro paredes,

São palavras que escapam das redes

E ampliam o bater do meu peito...



    



293

A CARNE


A carne é saborosa,

Podre e indecorosa...

Não se compara a uma rosa,

Quando exala o seu perfume.

É boa para estrume;

Fraca, trémula e maldosa.

Na flor, reside o Amor.

Na outra, o vil estertor...

O mundo venera a carne,

Do carnaval e do efémero;

Sem sangue, não te graça...

Apunhalem a vossa carcaça

E bebam o líquido vermelho.

Quando olharem no espelho,

Vejam a carne a apodrecer...

Não se esqueçam de chorar;

A carne tem de morrer... 






 

259

GENESIS


O estranho túnel do tempo...

A magistral música ambiente;

Sons cavos do túnel da mente,

Tempo duma memória recente.

Danças reminiscentes; tribais,

Embalos perdidos e ancestrais...

Canais abertos; passado e presente.

Ondas decorrentes; sons dormentes,

Vibrações certeiras; sempre primeiras...

Mergulhos profundos; velozes, imundos,

No descompasso das nossas noções...

Corações impregnados de amor e súor.

Jargões pesados, lançados no espaço...

Lambendo as covas da nossa garganta,

Em lamúrias santas e profanas de bagaço;

"Eu sei perfeitamente o que eu faço"...


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280

USINA POÉTICA


Escrevo e me atrevo,

A mostrar-te o que devo.

Sou um mentor sem torpor.

Atinjo o calor do meu ser,

Às vezes, para me entreter.

Mas sempre ligado à verdade.

Não quero parecer um covarde.

Sou um confessor do meu amor,

Mesmo que te provoque a dor.

Às palavras, destino um desfecho.

Quero que fiquem exaustas, soltas

E se entrelacem, em orgias gozadas.

Disfrutem no aconchego do poema

E permaneçam vazias e estilizadas,

Num fino lapso atemporal de fonema.

Pareçam belas, sem tu teres pena;

Apelo urgente, reservado e informal.

Ensejo premente; prazer sem igual. 


 
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