Quando assalto as almas de ideias E prendo-as no papel Elas perdem tanto o seu primor.
Creio que seja o trauma sofrido por elas De deixarem de ser além da matéria E tornarem-se letras.
O trauma é, de tal modo, que envelhecem bem novas, E quando vou em suas folhas Não me parecem ideias de outrora.
Fico caçando a ideia nas vírgulas E tento-me achá-la em mim: Mas ai lembro que a sequestrei E tornei menos alma e mais gente.
Antes, uma cara vigorosa Cheia de saúde As veias que apareciam Eram rígidas com vontade Mas agora seus olhares são tão esmos Tão fracos que parecem querer desgrudar da cara; Suas pernas, antes tão vigorosas, Agora cheias de varizes irancudas Sedentas de vingaça Pela minha lesa à majestade.
A natureza faz de propósito Para que eu não as admire mais Mas eu, o que tenho a perder? Apenas um júbilo a menos em meus dias E as ideias, coitadas Para sempre idosas na idade de 5
Toda aquela tinta ordenada entre molduras Linhas retas e curvas Azul ministrado com calma, falhando para branco quando necessário Pequenos círculos a imitarem gotas d'água Todo esse conjunto de rabiscos Uma maneira falha de embelezar o que é real Imitando suas cores E imaginando seus aromas Pois a natureza não faz o seu trabalho por completo. Nós coletamos, depois de alegrias e dores As memórias de nossas vidas O cair da água da cachoeira O balançar dos galhos das árvores à moléstia do vento O êxodo das águas de um limite do mundo ao outro Todos esses contos -Como não podemos leva-los conosco- Os imitamos à nossa maneira e limite. Aproveitamos o desgarro consentido do concreto sob a tela Para colocarmos nossos ângulos e maneirismos. Assim o azul é mais profundo O vermelho é mais imperador Tudo é mais tudo, e o nada também é tudo, onde tudo há de ter propósito. Mas a natureza não é assim. As ondas que se debruçam na areia da praia não a fazem por querer O canto dos pássaros não é belo sem acaso O vento não rebola os fios da donzela pois assim ela é mais bela ainda. Toda a natureza, da sua gênese ao ômega, é improvisada e sem roteiro, E por um belo acaso, foi um belo monólogo. E o dia em que o vento chorar O sol derramar O negro brilhar As estrelas criarem olhos,e por eles gritarem E se tudo o mais perder a sanidade? Então nós a perdemos. E ai? O que há de se fazer? Nada. O sentido e a razão é um grande favor imaginário do universo a nós. Toda a arte é por acaso E pelo acaso, fazemos arte. E realmente Como são imperfeitos os traços O quão finita é a tinta do quadro Comparado ao real Fuji-san? Mas realmente Como são menos alegres e tristes suas sombras O quão menos humana é a montanha Comparado ao real quadro de Hokusai? O que há de ganhar? Dentro da moldura ou fora dela?
158
The Bullet
Escuto a bala evacuando da pistola O vento é perfurado com raiva O cartucho jogado para trás Sinto a bala me perfurar Beliscar minhas têmporas e entrar.
Então eu escuto alguém carregando a arma para atirar.
168
The Sound Of The Trumpets
Oh, I feel the angels singing.... I don't hear But I feel
I feel In each hair on my arm The chords upon the clouds Reciting my name Echoing for all the paradise
I hear the run of the Horseman of Death... I don't feel But I hear
The steps that it lefts Whips all the land And where it stomps nothing grows anymore But it doesn't matter, no one ever burnd there.
He becomes cloud He covers the sun His shadow is the perlude of the nightmare -Oh,but mine is over. However, I didn't wake up yet.
Why I don't woke up already? Perhaps I have died in the dream With that sickle falling like a sound The sound of the trumpets.
146
Ruelas
Nado sem água Respiro sem ar Enxergo sem luz Sinto sem pele
Queimo-me sem fogo Falo sem boca Penso sem mente E morro sem vida
Tudo que me torno e sou São em palavras escorregadias Que me deslizam Para lá e para cá Atravessando suas ruelas E vejo nas varandas das casas, Todas as suas vidas, roubadas ou não.
Prosadas ou não, Perfeitas ou não.
169
Roteiro
O roteiro, em sua quintessência É a fúria em si É a cópia da realidade Que o autor tanto odeia Pois se não por isso Não estaria fingindo o real No pedaço de papel
É a refração da vida Na água de um copo prismado
É borrar um quadro já pintado De cores que não deviam estar lá
O único erro de um roteiro são as palavras É pintar um quadro com cores que já existe Enquanto uma nova cor não nascer O pintor não deixará de ser humano Mas quando o ser humano será pintor?
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Right In The End
As I wish for dearth Its grey eyes Avoid all my senses Am I unworthy? Am I a sinner? Why I cannot be happy Once in life? -Right in the end When no one will be disturbed? No one stay in the exit Only the smokers With black lungs And red speech
Exploing my head Without reason No poetry in death Only souless blood drops
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Breve
A vida A rotina Tudo ao redor Tudo é uma piscina seca Que aprendemos a nadar sem água
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Perfume
Nariz irritado Com perfume de engano Faz meu coração parar
Mas que mulher formosa Cheia de lágrimas para doar E criar
Seu olhos são um verdadeiro céu Queria poder voar neles Até chegar às estrelas de sua alma
Seu vestido azul irônico Contrasta com seu pai O Rei Carmesim
Consquistar o rei Para casar-se com tua filha Não sei se vale a pena
Mas o seu perfume engana,não é mesmo? Cheira a promessa Quero me casar com tuas promessas De dias melhores
Estou no aguardo Para a coroação da Rainha Celeste.
O pai dela me chama: "Quer saber como me tornei carmesim?" Eu respondi: "Eu já sei como se moldou. Muito,mas muitos costureiros Remendaram sua capa rubra uma costura para cada um assim sua capa faz sombra à todos"
O rei sorriu para mim. "Não quer costurar também?" Não pude negar. Mas descobri porque tantos homens remendaram a capa do rei carmesim Todos atraidos pelo perfume Daquela mulher formosa Mas seu perfume engana, não é mesmo?
173
Pequena Nina
Pequena Nina de vida pouca Nasceu e morreu chorando Choro esse menor que o meu Quanto te vi me deixando Esquecendo a vida no apogeu
Minha alma já está rouca Há anos que estou gritando Pois minha voz já pereceu Aos poucos me abandonando Não há homem moribundo como eu
Você, solidão, está louca Se acha que está me incomodando Não sabes pois nunca sofreu Perder um amor estando ainda amando Não te vejo no meio deste breu
Não me importo com paixão tampouco Que de todos eu fosse me isolando Menos de meu pequeno anjo que já morreu Não posso sentir teu corpo se aproximando Pois de amores e felicidade,já sou ateu
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O Vento
Sentado no pé da escadaria Escuto o vento passar Assobiar em meus ouvidos Contos que não consigo entender
A vida da lavandeira Estendendo sua roupa na varanda Escarnando suas últiams dores do outro dia Como se o vento fosse seu doutor
A vida do amante Sonhando com a noite anterior Dos beijos macios que deu nos seios da amada Mas ela é de outro homem.... Ele não disse nada, Só tragou o cigarro e expeliu a fumaça E na fumaça,diziam todos os seus belos sonhos -Todos com o nome dela
A vida do rapaz Que acabara de perder a mãe Berra igual sua estreia Quando dormia nos colos dela. Não se aguenta de pé um único momento, E irancudo, condena o ar Derrubando em suas costas Todos os palavrões do mundo. Mais tarde,ele volta chorar, Mas chora fino -Nem mesmo o vento consegue ouvir.
A vida da dançarina Na cama do bordel Do lado do cliente Suspirando amores d'outras vidas Vidas que não aconteceram. Olha para o teto escuro e sujo E não exerga teto algum Só um amanhã brihante e glorioso Como se o brodel não estivesse ali. Como se nunca tivesse chorado no parapeito da janela Por um raio de sol mais bonito do que aquilo.
A vida do pobre cão Que late de fome Na frente da padaria Todo fraco e raquítico -Se tivesse crença, teria rezado a noite inteira Por um calor em sua barriga E por um chão mais confortável.
E o vento me conta tudo..... Mas eu não entendo nada. Só imagino vidas deitadas no ar Só escuto sons sem palavras -As palavras coloco eu. Se ele quiser mais histórias, procure outrem Que eu mesmo nunca tive vida Só sentado aqui No pé da escada.
Quando ele se vai, vejo que somos tão parecidos Vivemos vidas alheias Sem sentir Ou ver Ou ouvir Mas todos passam por nós E nunca nos veem. Mas eu nunca serei imortal como você Sou apenas mais um conto incompleto.