monteiro_damaceno

monteiro_damaceno

Perfil
5 595 Visualizações

Mendigo

Leio uns versos quaisquer
Bonitos
Bem consturidos
Mas comuns.
Li ele em uma ruela da vida
E vi como deveria ver:
Apenas uma pedra dentre demais.
São lindas as viagens de cada letras
Porém não indígenas:
Quantos bardares
Já vi tão iguais?
Terminando a valsa
Já julgo serem versos marginais
De um exímio amador tal qual meu patamar
Quando vejo o autor:

Fernando Pessoa.

Então eu vejo uma poesia.

Se Pessoa fosse apenas uma pessoa
Se o papel em que escreveu tivesse sido esquecido
Na frente da tabacaria
Só seria tinta rabiscada em uma folha vagabunda.
Ler poema completo

Poemas

36

Depois dos créditos

Em lágrimas se afogou
Tornou-se Ofélia que não era só sua

Debruçado aos gritos surdos da meia-noite
Gritos iguais sussuros

Já não respira no leito
No chão, já tinha sua cova

Viu a beleza da moça, mas acabou;
Já tirou sua pele e carne, volta a terra

Naquela barro batido, os grãos sinalizam
A beleza dela, justa pois finita

Mas não seja por isso.
Que quando nascer de novo, cá estará ele.
154

Aplausos

Odeio de cor
Os aplausos já esperados
Depois de um corar de um poema
Quebrando amoralmente
A quietude da palavra
169

Bonne nuit, Julia - O manequim

A chuva que nos coloniza
Que ara a terra de nossa pele
Que cai como Lúcifer em nossos pelos
Cobre feito véu
Nosso belo adeus.

Ela tenta, em vão
Que todos os outros não vejam nosso partir
Achando que suas gotas
Vão tão grossas quando concreto
Mas, entre todo esse universo entre elas
Um intrometido qualquer pode avistar
Nosso requíem de paixão
Como uma criança
Em uma fechadura feita de chuva.

O vento nos arranha igualmente
Talvez por pura cólera
Por dar fim nossa própria festa.
Ou seja ele nos puxando
Para perto um do outro
Tão violentamente e dessesperadamente
Que já começa a chorar de temor (a chuva, lágrimas suas,
trovões, seus berros)

O neon do letreiro do cinema
Falha e pisca
Sua existência começar a falhar
Ao ver o precipício do cadafalso.

A chuva para:
O vento finalmente aceitou o fim de sagrado matrimônio,
Como uma mãe que deixa para trás seu filho amado,
Deitado no caixão.
Mas o corpo apodrece,
O corpo começa a feder.
O miasma ali nasce.
Quando o cheiro de mormaço sobe
É o chão tentando nos avisar
Do que será o mundo sem nosso amor.

Mas eu lhes digo que basta!
Quando o cheiro sobre, já não vejo ela.
Ela já virou a esquina.
Já estou a caminho de casa.
Mais um episódio de paixão
De uma grande odisséia amorosa.
Cada pessoa por quem me apaixonei
Tornaram-se apenas paixão,
O amor nunca veio.
A única por quem eu tenho verdadeiro,
genuino
E inexorável amor
É a própria paixão.

Eu amo a paixão:
Todas as pessoas por quem me apaixono
São apenas vestidos dessa bela mulher
Que é só minha
-Pelo menos,foi o que ela me disse.

Eu penso em como vivem esses homens e mulheres
Que trocariam essa mulher pelo vestido:
Jogando-a no lixo,
E colocando um manequim no seu lugar
Apenas para ver o vestido em alguma silhueta.
O carmesim dessa seda é tão bela assim?
202

Arte

O espectador é a mais suprema forma de arte:
versátil, ele a tudo se transforma e a tudo significa.
A verdadeira beleza de uma obra está em que a admira,
como se quem fosse espectador
fosse a própria obra.
A obra é apenas uma porta de entrada para o sentir,
e quem a observa
sente-a como ela nunca faria em retorno,
e muito mais além do próprio sentir.
A arte é estática, mesma as que representam cinemática,
pois as mesmas são efêmeras,assim como nós.
Talvez seja por isso que procuramos arte:
ou um espelho quebrado de nossa própria natureza,
ou então para assistir um espetáculo mais finitos que nós
Para nos sentirmos
além do fim.
185

Colombo

Você é o meu Novo Mundo
Você é a milha Marília
Teu olhar já me exila
Desconheço um mais profundo

Navego para além dos sentidos
Para contornar o seu amor
O vazio só me causar dor
Suas terras já tinham nativos

Meu nome é Colombo
Descobri o amor
Achando que era coisa qualquer
Carrego no ombro
Tremenda dor
A de que você não é minha mulher

Queria ter morrido antes de saber
Que você não é uma
Você é "A"
164

Vertigem

Na entalpia de sua alma,me guio
De rastros te sigo
Por puro vertigo

Sim,vertigem tua alma me faz parir
Assim não consigo te seguir
Quer me fazer desistir?

Deve ser algum mecanismo de defesa
Não quer que um homem de safadeza
Macule sua interna beleza?

Vejo agora que não é tua intenção
Ir com seu coração na minha contra-mão
Pois sou uma sombra em tua escuridão

Tua indiferente alma me faz tremer
Desejo voltar a me entender
Cego-me para voltar a ver
165

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.