Andando de chinelo de dedo sobre as calçadas As nuvens fechadas A chuva molhando O vento safado Seu vestido levantando Olha a bunda! Corre que tampa na frente Tampa atrás Não dá para desviar o olhar Todos os que estavam na rua Que viram a bunda Terão sonhos bundudos E irão suspirar.
Andando de chinelo de dedo sobre as calçadas As nuvens fechadas A chuva molhando O vento safado Seu vestido levantando Olha a bunda! Corre que tampa na frente Tampa atrás Não dá para desviar o olhar Todos os que estavam na rua Que viram a bunda Terão sonhos bundudos E irão suspirar.
Mora Morangos
218
Arco íris
Em uma exposição Se via vagina em cada tela O pintor fez uma rosa Com as pétalas abertas
Um arco íris de buceta No quadro maior Preta Rosa Branca Bege e marrom
Os homens sorriam Por ver tanta xoxota As mulheres queriam ver mesmo É piroca
Esculturas podiam alisar Sentiam os lábios E o clitóris faziam os homens enxergar.
Mora Morangos
112
Divórcio
Eu não o amo mais! Eu também não...
Devemos nos separar: Sim...
Arrumando as malas As roupas são lembranças Das noites que passamos feito crianças,
As manchinhas de tomate Dos rodízios de pizza As canecas com nossas fotos As marcas na casa de brigas,
Somos duas rosas espinhosas Tentando se abraçar O nosso cheiro emana um perfume Que é difícil desgrudar,
Na cama somos um, O sexo é vulgar Nossos orgasmos se completam Ambos ficam sem ar,
E a cria que tivemos Como vamos combinar Você fica com ela nos fins de semana Pra eu estudar?
Os anos juntos valeram a pena? Os erros foram perdoados? Seremos amigos um dia? Ou ficaremos isolados?
Um abraço de despedida Um beijo acabamos por dar Acordamos na cama Depois de trepar.
A paz reina por um tempo Depois o caos vem visitar, Vivemos em constante Idas e vindas Quem mais se machuca É quem estamos a carregar.
Mora Morangos
168
Superação
Corre, corre, corre, Fuja dessa casa. Falava a diaba Ou o anjo, talvez. Me perdi na rua, Andando noturna. A lua me julgando, talvez.
As pernas tremiam sem coragem, O coração arrastando, A boca surrada. Livre, Livre, talvez. Pela estrada bandida Vou perseguindo, Levando chocolate Para os meus amiguinhos.
São imaginários, Mas são fofinhos. Me abraçam, Me dão flores, Me fazem carinho.
Na fuga foi descoberta, Acordou na cama 10 anos depois. Superou, talvez.
Gatilhos aparecem e a fazem lembrar. Ser feliz todo dia é impossível. Só quem te ama vai lhe apoiar.
Se nem o palhaço sorri sempre, Por que eu tenho que a boca arreganhar?
Mora Morangos
160
Sugador
O sugador Vibra A deixa úmida, Os olhos reviram O corpo a arrepiar, Os dedos não precisam mais usar Mas a mente tem que trabalhar,
Deitada no escuro Aparece um homem em sua mente, A enforca Enquanto os seios recebe Úmidos lábios a abocanhar, Ela esquece do barulho do sugador, Aquilo parece tão real Fecha os olhos Imagina o pau, A foder enquanto seu ar se solta E logo o volta aprisionar, Vai repetindo sua cena favorita Na mente Logo logo Suas coxas tremem No início do orgasmo Por dentro adormecendo, Uma dor deliciosa Vai espalhando No meio do ato, Dilatando Os segundos finais, O corpo relaxa, Ela rir extasiada Querendo de novo Usar.
Mora Morangos
159
Primitivo
Os meus olhos Te vêem como Um animal Pela nuca erguo tua face, Minha língua lambi tuas orelhas,
Nossas mãos se puxam, Na mata, A metamorfose Nos encontra, Taças de vinho bebemos pra nos libertar Da nossa antiga forma, Nossas roupas rasgamos Beijos lambidos No balançar das caldas,
Nossos sons proferidos como duas onças, Tuas unhas deslizam as minhas costas Sua vulva coberta por um manto negro Me encaixo em tuas costas, E me perco Na escuridão do meio das tuas pernas, Gritos selvagens me cega Não sou mais eu,
Urra, por trás te pego com força, As minhas garras seguram tua polpa Do rabo quente no cio a empinar,
O som dos nossos gemidos selvagens Se perdem na floresta, Ao te segurar em pé ao meu colo No ar te faço galopar, Enquanto tuas presas me mordiscam Nossas peles começam a escorregar,
Te encosto na madeira fria da árvore Seus braços seguram dois troncos, E suas pernas arreganhadas Ao sereno Se unem às águas da úmida folhagem, suor do corpo E gozo das feras.