Lista de Poemas

saudade...

Saudade é a prisão da dor de quem espera
O desassossego da alma de quem desespera
É o pressentimento do não voltar a ter
É matar o tempo com a dor do não saber.
A agonia que cresce quando se contam os dias
A apatia em que se cai se não há notícias
É a nostalgia do beijo e do abraço
Uma inquietude onde nem o sono tem espaço.

Saudade é sentir longe quando se está perto
É o desespero de se perder o que se tem como certo
Sentir a voz de quem queres que te chame
Saudades sentes mesmo que já não te ame!
Saudade é a alma cheia de desejo
Um momento amargo doce, aguardando o ensejo
Adormecer esperando o dia com ansiedade
Sonhar o reencontro também é saudade.

As despedidas que ainda nem aconteceram
As esperanças dum regresso, que se perderam
A angústia de não saber quando
Saudade é o respirar o mesmo ar,as bocas colando
É um silêncio triste e obstinado!
Múrmurio que o vento traz do bem amado

Num lugar secreto onde mora a solidão
Mora a saudade que não nos larga o coração.

Rosafogo
Natalia Nuno
331

perdida perdi o norte...trovas

se não há quem me entenda
a ninguém quero entender
n'venha então quem pretenda
que lhe vá a mão estender...

o pensamento eu mantenho
pois venha lá quem vier
 se é de longe que já venho
trago a saudade a crescer

deixem dizer em segredo
que o q' parece nem sempre é
desejo de desejar, traz medo
mas ao amor o peito, bate o pé

as lágrimas que não chorei
libertei-as na escuridão
perdi-me de mim, já nada sei
são rasto em meu coração

dei comigo a sonhar d'alto
com o teu abraço forte...
ai de mim em sobressalto
perdida, perdi o norte

natália nuno
rosafogo
1999
292

espera amor...

Perco-me no abismo do teu olhar
Morrem flores neste entardecer
Perde-se Vida num constante acenar
Mas a esperança volta sempre a florescer.
O tempo é como rapaz novo, a correr
Torna minha solidão ainda maior
Já nem o corpo me quer obedecer
Resta o tempo de lembrarmos amor.

Perco coisas que aprendi a amar
O tempo é colete de forças que me põe à prova
Que me aperta sem cessar
Mas deixa ainda no meu peito uma emoção nova.

Perco-me no abismo do teu olhar
Olhas-me de medo de me ver cair
Hesitante de palavras mas com vontade de gritar
ESPERA AMOR... a noite mansa que há-de vir!?
E assim foi sempre entre o deitar e o dormir
A nossa festa com brilho e chama
Esquecidos do tempo do porvir
É nesta hora que a gente sempre se ama.



ROSAFOGO
NATALIA NUNO
240

já não sei se lembro...

na poeira do tempo minhas pegadas
continuo no meu entardecer,
trago as palavras caladas
por não as saber dizer
apenas murmuro as mágoas em tom
plangente, mas nem do coração ouço
qualquer som...também ele nada sente

melancolia de quem vai acenando à vida
deixando para trás páginas cheias
de viver e sonhar amor
que esvoaça incerto, não tendo por perto
das suas mãos o calor...

e hoje é como se o tempo se soltasse
esquecesse a minha já marcada face
e eu viesse ao mundo outra vez
só por fruir e amar a vida...talvez!

já toda me embaraço
reinventando memórias loucas
lembrando passo a passo
as carícias, os beijos das nossas bocas
fosse a nossa vida nada, sem amor e entendimento
não faria a saudade no meu coração assento
essa saudade que me escreve
e me lembra o que deve e o que não deve
faz dançar o coração, uma valsa lenta
e, a sonhar sempre me tenta.

natália nuno
rosafogo
285

Irei por aí!




Vou por aí ... o tempo escasseia
o caminho difícil antes do fim,
vou urdindo teia a teia...
procurando horas de felicidade
ainda que o tempo fuja de mim,
e só reste um pouco de saudade.

Hei-de ir por aí mesmo cansada
este é meu caminho a percorrer
n' quero perder o fio à meada
e se um dia me hão-de ver
a seguir por outra estrada
não foi...a por mim traçada!

Vou por aí neste meu sentido,
seja ou não grande m' loucura
a vida é fantasia e pouco dura
se no caminho tiver adormecido
ou se me virem por aí caída!?
Levo amor, não levo a dor fingida!

Se a morte me quiser engolir
ainda irei por aí, pra lá de tudo,
cabe-me a mim a vida conduzir
andando neste meu passo miúdo.
Não deixarei nenhum recado
levo presente, futuro e passado

Não, não desisto de ir por aí!
Levo comigo tudo que me resta
levo as rimas que um dia escrevi
sobre alecrim, madressilva, giesta
e as outras que ao amor dediquei
gestos, afectos, o que cantei e chorei.

natalia nuno
rosafogo
239

a ti me dou...

olha-me nos olhos firmemente
udo neles te revelo
este amor que acalento
denso como as águas do mar
arco-íris no firmamento
que o tempo levará
mas devagar
toda a ti me dou
de ti tudo espero
como o moinho espera o vento

é assim, este amor que acalento!

natalia nuno

296

arroz doce...



Saltita um casal de melros,vai saltitando
Na faina construindo o ninho
Enquanto eu aqui pertinho vou recordando
O princípio do meu caminho.
Ah! Hoje fiz arroz-doce!
E no fim rapei o tacho
Foi tal qual como se fosse
Pequenina, assim me achei ou acho!

Falei com minha mãe:
Mãe quem rapa o tacho sou eu!?
Que gaiata lambareira.
De cresceres não há maneira?!
Lembro também:
Minha mãe, tinha um vestido
De popeline alaranjado
Já um pouco poído
E até já um pouco desbotado.
A memória mostrou-me o que desejava
Até ouvi a sua voz... enlevo ou fantasia?
Durou um pouco, minha mãe falava
Foi imaginação, passou por mim a alegria.

Foi bom este meu querer
Foi calmo este meu recordar
Saudade sempre vou ter
E vontade para o tacho rapar.

Recordar o passado
Me faz sorrir, e traz saudade
Lembrei com amor a MÃE
e também,
fui lembrar o arroz doce açucarado
E de quão tenra era a minha idade.

rosafogo
natalia nuno
331

estradas no tempo...

Rugas são estradas que o tempo traçou!
Caminhos perdidos que lembramos
São o azul do céu ou o azul do mar de quem amou
Pedaços bons e maus que caminhamos.

São rosas negras, pássaros madrugadores
São águas transparentes ou sombrias da vida
Longos silêncios, abismos, momentos de dores
São também a lembrança da chegada e da partida.

Rugas são recordações sempre presentes
Restos duma Primavera de espaço e luz
A bater violentamente nas nossas mentes
Sombras que vão durar e lembram a nossa cruz.

rosafogo
natalia nuno



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319

dia azul...

onde quer que eu vá
o fascínio me vence
olhando o mar, olhando
os céus...
e os lábios teus
pousados nos meus
uma festa para mim
tudo o que me resta
povôo de sonhos

assim:
se o dia é azul
e o amor romance
ponho o sol de permeio
onde quer que eu vá
ao sonho me enleio.

natalia nuno
257

magoa-me pensar...

Entre a minha memória inquieta
E o tempo que tudo repete
Há um regato a correr...
Que observo em silêncio...quieta!
às vezes desespero, mas já pouco
tenho a perder.

O tempo lembra-me que existo
Que trago comigo um passado
Me lembra de tudo isto
Estou cansada e ele cansado.

Tudo acontece devagar
Mas o tempo corre...!
Magoa-me pensar
Que tudo o que nasce morre.

Tantos anos trago comigo
São já um poema de saudade
Ou aquele livro amigo
Que ao ler nos dá felicidade.
O tempo passou por aqui
Por um instante, um apenas!
Será que eu não o vi?
Pesam em meus ombros
minhas penas.

rosafogo
natalia nuno
264

Comentários (11)

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natalia nuno

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.

Natural de Lapas/Torres Novas A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas . Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil. Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda» Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César, O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e « Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira. Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora. Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........