Lista de Poemas

pensamento...

como entender o tempo da felicidade, da entrega sem limites, quando eras o sol que subia pelo meu corpo, se a carência de ti me percorre agora a pele?!

natalia nuno
https://pensador.uol.com.br/colecao/nataliarosafogo1943/
225

a inquietação do meu rio...

Entre a folhagem há um coro
de cânticos subtis
E no rio um curso em quietação
E meu coração me diz
Porque será que choro,
da saudade do meu corpo feminino?
Oh! Absoluto e mal fadado destino!

Ondulam brisas sobre as searas
Vibram as folhas prateadas
Pensar eu que me amaras...!
Em marés arrebatadas.

Já vão as horas perdidas
E os corações distantes
Para quê lágrimas caídas?
Se não haverá prantos bastantes?

Meus medos são trevos em flor
Andorinhas, entre a bruma
do esquecimento.
No fundo dos meus olhos... amor,
já coisa nenhuma!
Já partem, como nuvem em seu labor.

Fica o horizonte tão mudo
E o vento entoa seu balido
Não há nada que desejar
Ou haverá tudo?
Volta o desejo aos corpos
reacendido.
Numa imensa vontade de amar.

Meus sonhos são moinhos de vento
São tiros no ar,
que me trespassam o pensamento
Num tempo inquieto sempre a andar
Quero viver, viver como a pedra que dura!
Não quero morrer de peito oprimido
Não me basta do céu a ventura
Não me basta o tempo já vivido.

natalia nuno
rosafogo

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299

descaminho...

Quanto tempo,
diz-me,
ouvirás o rumor das minhas pétalas
antes que a ânsia das estrelas
ou o desarvorado vento,
nos levem para longe
arrancando nossas vidas...

nataliarosafogo
340

pequena prosa poética...

hoje está morta, porque hoje ela casualmente se viu ao espelho, e viu um rosto velho, podia ter ficado indiferente, mas tristemente padeceu quando viu esse rosto sombrio...pensou enlouquecer... ah...pensem o que quiserem, ficou triste sim, tão triste que as nuvens pararam para chorar com ela, e a chorar também o vento que ouviu o lamento, sentiu esmorecer-lhe o coração, e diz-lhe descuidado como quem segreda um recado...no espelho, já foste trigo por colher, agora és uma seara seca à míngua pronta para morrer...
conserva como relíquia um poema maduro mas sem futuro, espreita o tempo a um canto da vidraça e refaz-se abraçada à criança que foi, assim passa o tempo e a dor não dói ...entre a memória da primavera e o outono caído ao chão, traz sonhos a escorrer do verão...e aos ombros uns salpicos de saudade, onde o inverno é já verdade.

natalia nuno
http://flortriste1943.blogspot.pt/
191

aquela criança...

há tapetes de flores nos campos
ressuscitaram as papoilas
e há uma proximidade
entre elas e a minha saudade
vejo-as à lonjura, mas vivo na procura
é amor que por elas nutro desde criança
à procura de sonhos brinvava com elas
não sei se tinham angústias, mas pareciam-me felizes
e feliz era eu, rimava flores com amores e sonhava...

as minhas mãos eram como borboletas
a acariciar cada uma delas, e os sonhos íam
encubando em mim, havia sempre uma rã
invejosa por perto, um pássaro fazendo ninho
e no caminho havia giestas saciadas pelo sol
e nem a bruma nem o nevoeiro
cobriam o sorriso do girassol

ah! saudades são inquietas águas
que trago em mim da nascente,
pedacinhos de tristeza que a gente sente
pássaros, que de quando em quando vêm espreitar
meninas sobre a relva do coração
atalhos à espera da primavera
rasto de andorinhas a pulsar lá p'lo verão,
saudades... são donas dos meus vendavais
que ameaçam continuar...
a moldar a minha esperança
como se eu fosse ainda aquela criança.

natalia nuno
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eco da minha voz...trovas

aguenta a quadra é nobre
rima e tem sempre valor
quem diz que ela é pobre
não é dela merecedor...

se minha rima é pobre
também rimo com a rica
se a pobre fica tão nobre
com a rica nobre fica...

pássaros trazem cantigas
de chilreios enchem o ar
n' promessas nem intrigas
que não me deixo enganar

o sol me olha de frente
já pouco a mim me basto
trago a morte presente...
mas da vida não m'afasto

escrevo verso com m' mão
minh''alma ao céu entrego
quero a Deus pedir perdão
do mal que fiz...não nego!

se amanhã deixar de ver
ou meu coração parar...
sempre tu podes dizer
feliz, porque soube amar

meu coração vive triste
por não dizer o que sente
a tanto amor não resiste
vive a sofrer e não mente

que esperam de mim então
não nada mais pra dizer
tenho comigo só solidão
só a saudade sei escrever

assim neste correr d' dias
q'deslizam nada os detém
vou escrevendo poesias
e assim, me sinto bem...
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pequena prosa poética...

às vezes sinto-me só, num mundo estranho, de esperanças poucas, e sentindo que nada posso mudar avanço nas horas sem remos, debaixo de calor, onde basta saber-me viva...perco até as palavras e aguardo pela paz em mim...então faz-se aurora e eu sou a viagem e sigo minha trajectória...

natalia nuno
254

memórias...

com cerejas enfeitava as orelhas
...sentia-me uma princesa
...tranco o portão da memória,
para não esquecer.

natalia nuno
https://pensador.uol.com.br/colecao/nataliarosafogo1943/6/
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o último sonho...

solicito o meu quinhão de felicidade
abro o peito aos abraços
saboreio as lágrimas da saudade
crio à minha volta laços
de amizade e afeição...
separo das recordações os dias sombrios
cruzo comigo enternecida
e nego à amargura a entrada no coração
e sem saber porquê faço-me de novo à vida

cruzo com o enternecimento
poiso os olhos no papel e escrevo
com mãos de poeta e encantamento
de madrugada ergo-me do leito
os pensamentos ajeito
do travesseiro trago o último sonho
e de novo a sonhar me ponho

a aldeia está silenciosa, quieta
e a noite perfumada de luar
aqui sozinha eu e o Poeta
ouvindo apenas a os pios da aves
os murmúrios das folhagens, suaves
os soluços duma flor desfolhada
e eu devaneando no sonho, nesta hora
calada.

meu coração agita-se nas folhas de papel
o sonho é ilusão mas é amor que arde
sinto-o na pele,
e antes que seja tarde,
que o tempo tudo consome
deixo-me afagar pelo luar
deixo que nasçam na mente como flor
os versos que trato com amor...

natalia nuno
rosafogo

http://nataliacanais.blogspot.pt/
369

começo e fim...memórias

As minhas pernas, vão-se afoitando, pé ante pé seguem neste caminho e cá vou chegando, assim fiz o percurso do inicio até um não sei quando, um anoitecer em que me ausento perdida no tempo, numa monotonia e nela o corpo morrendo, volto então os olhos atrás de mim e já nada alcanço...que dor é esta oh tempo? Este é o meu desabafo de alma o momento de meditação. Corri tanto quanto me permitiram as forças, agora não consigo dominar o tempo, extraordinariamente diabólico que assenta em mim tirando-me o brilho do olhar, a impor no meu rosto a sua influência. de que serve o meu protesto? Ando agora ao acaso no tempo, esqueço as horas e fico apaziguada, e com o espírito menos angustiado. Na mente trago recordações de episódios de toda uma vida, um mar de ideias, que de vez em quando me sabe bem cantar em rimas com uma certa nostalgia quase como se se tratasse duma obstinação ou devaneio. A vida tem a força que a gente lhe der, e essa força nos faz caminhar, avançar sempre um pouco mais, até que a morte nos bata à porta.

natália nuno
320

Comentários (11)

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natalia nuno

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.

Natural de Lapas/Torres Novas A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas . Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil. Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda» Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César, O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e « Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira. Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora. Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........