Não me julguem, nem me condenem Trago o coração cheio de frio
Serenem...serenem...! Que minha voz está por um fio.
Talvez regresse na primavera Mas esse tempo já não será o meu Também o jasmim espera cuidar do odor seu.
Não se pode reduzir a distância O que lá vai passou... Visita-me ainda a infância óh minha mãe triste estou! escuto-te no vento mágico que ocorre Nesta tarde... manso e invasor
Tudo morre, tudo morre! Menos por ti...o meu amor.
Tudo é tão belo, porém triste Oculto em meu coração Não abandono a esperança que existe E na dor te dou a mão. Onde encontro consolo ainda quase...quase menina, para encurtar a distância volto ao regaço da infância
Agora que o sol declina... Eu sonho...ao mesmo tempo choro e canto E em solidão acesa Hoje me sinto ainda tua princesa, Enquanto durar o sonho...por enquanto!
Natural de Lapas/Torres Novas
A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas .
Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil.
Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda»
Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César,
O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e
« Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira.
Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora.
Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC
Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........
cerca-me a memória a saudade que não me abandona como brisa que me traz a linguagem das flores e o harmonioso tempo da felicidade, e dos amores, atravessa esta paisagem de estio que é meu corpo e é como rio que corre, oscilando entre o silêncio e o rumor nada cala a dor nada procura nem espera diz-me apenas palavras por dizer cresce com os anos, com o maduro sentido de viver
é testemunha do meu silêncio do meu entardecer...
enquanto a tarde se põe no poente e as rosas desfolham com o vento escrevo linhas misteriosas com o coração que sente enquanto da terra escuto o alento. o eco da infância é ventura de voltar a sentir e a contemplar a frescura... da minha origem e com inocência poder a sede, da saudade saciar.
natália nuno rosafogo
318
amor....soneto
Quem disse ou crê que o amor é só agonia?! Amor é uma bela rosa com pétalas de emoção São cândidos os minutos ao amar-se dia a dia É o madrugar dos olhos, saindo da escuridão.
Amor é uma chama ardendo, é puro incenso É a dor real que não se vendo está presente! É chama que ateia em delírio em fogo denso Brasa que dói que se deseja de tão contente.
Assim quanto mais arde , posto que é chama?! Mais inflama e não importa de amor morrer-se Desejo na hora, coração sofrendo, assim se ama.
Ponte do amor à saudade, da saudade à agonia Mais vale a ferida lenta do que amor perder-se! Amor, sonho e emoção, entre um dia e outro dia.
rosafogo natalia nuno
318
quando o sol dorme...
quando o sol dorme mato um pouco de desespero falando com a solidão, vou até à esquina de mim e assim deixo que o coração fervilhe de sentimentos, embora saiba de antemão que a noite arrefece o corpo e os pensamentos. logo o verde dos meus olhos vai até onde começa o dia, e brilha deslumbrado como se fosse um verde prado onde crescem giestas, e onde há linguagens em festa.
quando o sol dorme há pássaros nos meus dedos que sabem a direcção dos ventos arautos dos meus pensamentos e no verde dos meus olhos, vai-se apagando a neblina logo ouço ao longe os trinados que trago na recordação de menina
quando o sol se deitar mais cedo e a vida a beber o ultimo trago, a esvair-se o verde dos meus olhos fechar-se-á a medo de não voltar a abrir-se não voltará a sentir a opalescente luz matutina nem recordará mais a imagem da menina ah se o sol não tivesse adormecido e o verde dos meus olhos empaledecido, nem as opalinas luzes me entrassem na alma, causando esta obscuridade não morreria hoje de saudade!
natalia nuno rosafogo
381
memórias de mim ...
Vinha aquela chuva pela tarde cinzenta, o ar abafado que mal se respirava, o trigo nas eiras perfumava a aldeia e mais à noitinha um enxame de pirilampos aparecia de todos os lados por sobre a folhagem das árvores vindo até à beirinha das nossas casas a testemunhar o silêncio e preocupação das gentes da aldeia que à soleira da porta descansavam da fadiga do tormentoso dia, mas a trovoada passava o eco dos trovões desaparecia e o dia voltava a ter uma insólita beleza já mostrando o entardecer...ali ao lado mesmo na esquina do quintal uma buganvília agradecida por ter saciado a sede, crescia a olhos vistos como querendo cumprimentar a lua, enquanto nos loureiros lá mais em baixo os pássaros já se aninhavam para passar a noite...no destino da tarde quantos segredos, quantas preocupações e quantos sonhos acariciados pelos jovens com tanto amor para dar. Nestas horas cresce a nostalgia e a lembrança traz-me o assombro daquela moça perdendo-se nos sonhos com perfume a rosa nos inolvidáveis dias da juventude...o dia chorou comovido mas, resplandece prontamente, só na minha memória solitária há sonhos perdidos para sempre. O tempo range nos meus ossos, e coloca uma subtil névoa nos meus olhos, com o seu sorriso hipócrita me deixa ainda sonhar, voltar no sonho à infância onde sou feliz com algo tão simples, às vezes traz-me uma mão cheia de recordações e me deixa num frenesim, recordações que zumbem aos meus ouvidos como abelhas em volta dos laranjais em flor e eu num tímido vôo lá vou lembrando a vida distante numa cega ilusão de matar o tempo permanecendo para sempre criança com a vela acesa na mesa verde onde para lá dos trabalhos de casa, sonhava! No quarto ao lado sinto ainda a ditosa presença de minha avó, lembro o seu rosto sulcado de rugas e só de lembrar me quedo numa nostalgia e os olhos de água se rompem. Acordar o passado é amar o rio, a aldeia, aceitar a ausência dos que partiram, e trazê-lo ao presente com palavras de frescura e luz.
natalia nuno do meu blog ... aqui...https://fiodamemoria.blogspot.pt
375
o sonho em chama...
no rosto a indolência da bruma o sonho em chama a surpreende a saudade, já de coisa nenhuma um vendaval que ninguém entende
do tempo traz nela a voracidade entre os lábios a quente labareda os desejos transbordam de saudade no olhar tristeza que ninguém arreda
natalia nuno
272
mãe...trovas
Igual à espiga de milho que cresce no campo livre livre quer a mãe o filho vê-lo a crescer, feliz vive.
Mãe é doce... é rebuçado que filho não vai esquecer mãe cuida dele com cuidado seu menino sempre há-de ser
Os olhos da mãe são belos naturais como uma fonte quem me dera ainda vê-los à minha espera na ponte
Choro com alegria secreta ao relembrar minha mãe ai se eu fosse poeta... fazia-lhe versos também
Igual à espiga de milho que o sol ajuda a crescer também a mãe p'lo filho amor eterno há-de ter...
natalia nuno rosafogo
305
clamor...trovas
silva o vento pela janela parece meu nome gritar passa a vida e eu por ela e a saudade a contestar
o pássaro chora perdido como criança sem mãe e o meu coração partido chora tal qual ele também
meus olhos tristes caindo vão morrendo dia a dia só minha boca sorrindo com uma estranha ironia
logo os sonhos embrumados inertes no silêncio da loucura marioneta de gestos cansados no peito duendes de ternura.
um dia abre-se uma greta destas cortinas da janela e logo a morte como seta quererá que siga com ela
e na sua ávida avareza no seu afiado gume... amarras traz com certeza segui-la-ei sem azedume.
natalia nuno rosafogo
290
trovas d'amor....soltas
saltam os olhos em pranto o coração salta no peito de tanto, eu te amo tanto é o amor... amor perfeito
entre flores surge formosa com sua modesta graça... d'entre os lírios formosa rosa veste os olhos de quem passa
do mar, pérola ou sereia da terra papoila menina... meu rosto de água e areia o céu azul o fascina...
depois do tempo passado passa por mim e abala... trago o peito tão agitado quando vem comigo à fala
tudo volta a ter sentido dentro o meu coração anda de amor perdido não quer saber da razão
tudo aquilo que te dou o tempo não leva não... o coração se entregou morre agora de paixão
natalia nuno rosafogo
248
poeta nas nuvens...
O poeta é uma espécie de doido varrido Vive e morre cantando dores sem cura É como um mendigo esquecido, Feliz, eleva a sua musa às alturas. Canta a tragédia, vive suspirando Às vezes não cala a sua indignação Dia após dia se resignando Repetidamente se apodera dele a emoção.
Chora e soluça, também sonha, sonha... O Poeta é um sonhador sem vergonha!
Delicia-se a sonhar, carícias e doçuras Às vezes sente-se ave acorrentada Outras solta-se nas alturas, Ou fica errante p'la estrada É veloz, tem asas de condor Tudo ama, tudo o cega, vive de amor.
O Poeta cria seu Mundo à parte Não se conforma em perder Com muito engenho e arte!? Escreve de manhã ou ao anoitecer. De voz clara fala de outrora Da distancia infinda, lembranças!? Fala da flor que murcha agora. Fala da velhice e da mocidade Fala dos sonhos, das esperanças E porque sofre fala também da saudade.
Murmura suas preces sem pausas Na esperança de respostas receber Suspira amargurado, indiferente às causas De tudo julgar ter... e nada ter. Canta seu Deus, e a Natureza É fanático p'la liberdade Mas no seu coração vive a certeza!? De que um dia morrerá de saudade.
Tem sempre saudades dum bem Seu coração é de criança sem maldade, Mas só desse bem lhe vem, A Poesia com vontade!
Desfia seu rosário em ritmo lento Finge que a linguagem não é sua Retém lágrimas ou sorri a cada momento Imerge da tristeza, e também amua. Não pára de saciar sua sede ardente Como um rouxinol, cantando, cantando... Nas alturas celestes se deixa voando. Ora se sente ninguém, ora se sente gente.
assim te quero... apesar da proximidade, morro de saudade... um sol pequenino desprende-se do teu olhar e vem aquecer a sombra outonal do meu peito, e num abraço, um delírio percorre a nossa pele, neste sentimento firme só nós o silêncio e o desejo sedento de mel... nada se desperdiça deste amor que fala a nossa língua, que traz o cheiro dos nossos corpos, a ternura das nossas mãos, os sonhos e afagos, num perpétuo suceder... que dá sentido ao viver!
natalia nuno
EM - ESTREMECIMENTOS DE ALMA - NATÁLIA CANAIS NUNO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA
Caraca, muito bom mesmo. Alma poeta.
Contundente, muito bom mesmo. Parabéns.
Obrigada :)
Fernando Pessoa Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim É o quem eu me suponho, Corre um rio sem fim.
Parabéns pela beleza da escrita!