natalia nuno

natalia nuno

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Serenem, serenem...

Não me julguem, nem me condenem
Trago o coração cheio de frio

Serenem...serenem...!
Que minha voz está por um fio.

Talvez
regresse na primavera
Mas esse tempo já não será o meu
Também o jasmim espera
cuidar do odor seu.

Não se pode reduzir a distância
O que lá vai passou...
Visita-me ainda a infância
óh minha mãe triste estou!
escuto-te no vento mágico que ocorre
Nesta tarde... manso e invasor

Tudo morre, tudo morre!
Menos por ti...o meu amor.

Tudo é tão belo, porém triste
Oculto em meu coração
Não abandono a esperança
que existe
E na dor te dou a mão.
Onde encontro consolo ainda
quase...quase menina,
para encurtar a distância
volto ao regaço da infância

Agora que o sol declina...
Eu sonho...ao mesmo tempo choro
e canto
E em solidão acesa
Hoje me sinto ainda tua princesa,
Enquanto durar o sonho...por enquanto!

rosafogo
natalia nuno
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Biografia
Natural de Lapas/Torres Novas A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas . Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil. Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda» Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César, O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e « Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira. Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora. Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........

Poemas

1285

haverá pássaro e flor...

lanço os anos ao esquecimento
deixo-me como a água errante
que segue perdida
cujo destino é desbravar
caminho
que a levará ao mar...
vivo a minha hora
aqui e agora
meu tempo sempre principia
já com séculos de nostalgia,
hoje brota prodigioso
e eu o acolho gota a gota
e a minha memória é
como uma gaivota
voando na ilusão
de manter a harmonia
em meu coração.

soalheiros estão os trigais
como o encanto da vida
ao passado volto uma vez mais
dou à saudade guarida.

e haverá pássaro, flor,
e do vento rumor
que isso não pode morrer!
serei a chama da distância
que me queima o coração,
e este sonho que é ilusão
o elo entre o presente e o
passado.
o pensamento recriado,
cada palavra novo caminho,
semeando sementes de carinho
e sempre na incerteza
serei tudo o que sou sem ser,
na surpresa de ver
o sonho dia após dia renascer.


natalia nuno
335

loucuras...

beijar teus lábios
cerrar os olhos
abri-los depois radiante
tingir o rosto de felicidade
ser mulher e amante
ouvir o teu clamor
a atracção do teu olhar
e deixar-me nesse beijo
doce
nesse licor
nesse ficar
nas asas do amor

fazer-te versos íntimos
de sílabas cantadas
com palavras poucas,
palavras loucas
de alma arrebatada

abrir-me ao desejo
como andorinha esvoaçada.

natalia nuno





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442

não olhes mais o retrato...

Não olhes mais o retrato
Deixa-o longe do teu olhar
Se o olho a chorar desato
E não são horas de chorar.
Tens-me aqui de corpo inteiro
O retrato, pouca importância tem
Tens meu perfume, meu cheiro.
Deixa-o ficar!?
Na moldura como refém.

Ele tem o que me falta a mim
Eu tenho o que lhe falta a ele?!
Mas se me quiseres assim!
Com jeitinho?!
Verás não perdi o mel.

Esquece a do retrato formosa!?
Vem até mim e me estreita
Já vi murchar muita rosa
Mudando a àgua, se ajeita...
Volta a ser flor mimosa!
Se estivermos em harmonia?!
Esqueces que ela existiu já
Nesse papel, ela é fria?!
Deixa-a!?
Vem caminhando p'ra cá.

rosafogo

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270

alma da saudade...

momentos sem ti
sinto bater o frio, ou de esperança
tremi?
até a noite se esconde
ao ver-me esperar-te
e meu coração é como um cão cego
a chamar-te
sigo errante, dói na memória
lembrar-te
já não é límpida a minha visão
já meu mundo está perdido
só trago na lembrança
um sentido...o de amar-te
guardado como milagre
trago esse amor na minha saudade
ao recordar-te...
uma tremura na pele
e uma estranha inquietação
na folha de papel.

natalia nuno
336

nosso amor...

Enquanto o rio se perpetua
no mar
enquanto a nuvem desliza
suave no céu, eu
sou a brisa trémula que passa
e tu o pássaro por entre a
folhagem
cantamos a mesma linguagem
buscamos uma ilusão já velha
a chama do amor espelha,
ainda em nós ateia
mas nosso amor é onda
prestes a morrer na areia.

Entre a saudade e a dor
o silêncio do nosso amor.

natalia nuno
311

sem ti ...

me abandono em ti
saio do meu casulo
és o espelho onde me deito
o porto onde eu acosto
contigo a vida regulo
sem ti,
eu morro...aposto!

cansei da palavra
a memória escura
trago fome de ternura.

natalia nuno
341

já mal me lembro...

nuvens vieram sombrias
nada me dizem afinal
promessas de melhores dias
neste meu tempo outonal
não está distante a entrega
meus sonhos são o que são
na alma folhas secas, no coração
a vida que dele já despega.

cantei às flores da primavera
chorei com o som do ribeiro
por ti meu coração ficou à espera
à tua espera o tempo inteiro...
amadurecem os frutos na horta
e eu no meu destino solitário
mas o coração não fecha a porta
e vou desfiando este meu rosário

trago de prata meus cabelos
e na saudade vou caminhando
e se me vires a desprendê-los
é porque m' sinto ave d'céu voando
voando entre um nevoeiro espesso
por entre cedros e abetos
à procura de quem nunca m' esqueço
em busca do amor... e de afectos!

rugas do meu rosto são bofetadas
que vou levando a torto e a direito
há nele risos e lágrimas escancaradas
enquanto o coração bate no peito
desenfreado tempo que tudo arrasas
por isso são tristes minhas razões
vontade esta de voar já sem asas,
aceito este viver de sonhos e ilusões.

natália nuno
333

passo o tempo a desejar-te...

passo o tempo a desejar-te
como se tivesses partido...
e o tempo sempre a chegar-se
a ofuscar-me o sentido.
volto à felicidade d'outros tempos
a ver-te chegar
recordações fugazes como pirilampos
voejam nos lençóis quentes
onde os nossos corpos de desejos
se entregavam em rasgadas carícias
e beijos...
escuto o silêncio, as horas deslizam
e a lembrança daquele tempo me põe louca
passa um doce vento e num beber lento
teus lábios entreabrem minha boca
mordo a polpa fresca que me ofereces
a recordação é agora ilusão que
se aperta contra o meu peito
e como naufraga, persigo o ar
para no teu beijo me afundar.

verdeja o meu instinto, não minto!
como sonhos inventar?
passo o tempo a desejar-te!

natália nuno
356

poema de amor...

lanço a rede ao fundo,
para vislumbrar o poema
feito de palavra de nada
ou do que não foi dito ainda,
talvez da palavra calada,
duma porta fechada ou aberta,
alento de minha boca
uma dor que aperta,
memória dum tempo
ou da minha força, já pouca.

será o poema pássaro
que voa para o poente
de asas fatigadas,
tocando as águas do mar
rumando à eternidade
docemente,
levando com ele meu olhar?

este poema é cego
e causa-me calafrio!
os seus resignados olhos,
são os meus,
às vezes são rio
que já corria
no ventre de minha mãe,
num sussurro morno
onde não há volta.
mas, ainda assim me alegro,
porque este poema
é de amor também.


natalia nuno
340

esperança...

pode não ser hoje
nem amanhã
podem adiar
podem até negar, mas
nos meus versos
encontrarão o que
a saudade me diz,
o aroma da infância feliz!

a claridade que fui
o rosto da primavera
a dor da recordação
dos lábios o murmúrio
o tempo que talha em mim
a tristeza, a saudade
e seu mistério
o amar até ao delírio
meus versos serão
levados a sério...

pode não ser hoje
nem amanhã
mas a minha certeza
não é uma certeza vã
minha poesia
permanecerá no trinar
dos pássaros
na linguagem da natureza
com uma força
que o tempo amadurecerá
e assim a poesia permanece
e sobreviverá fresca a quem
se oferece
pode não ser hoje
nem amanhã, mas dirão
escreveu e morreu
seus dedos doendo
inventou sonhos e felicidade
e levou da vida
SAUDADE...

natalia nuno


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Comentários (10)

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natalia nuno

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

natalia nuno

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.