Lista de Poemas

Que horas serão?

Marcas da idade
Sinal de cansaço
Cicatrizes que dão saudade
de voltar
atrás no passo.
No peito bate um coração
Tenho tanto medo
Que me deixo
levar p'la mão.

Sou ainda aquela menina
Do vestido de organdi
E a saudade repentina
Ressuscita, tudo o que já esqueci.
Olho ao longe e
vejo
Violetas no jardim
Sento-me no banco, cresce o desejo
E a esperança ainda te traz a mim.

O dia já envelhece
Morre o sol no parapeito
Que horas serão?
Não é que me interesse!
É apenas este jeito,
de querer o tempo parar,
meus lábios dos teus
aproximar.

Apaguemos as luzes...
não vá a vida querer nos separar.

natalia nuno
rosafogo
843

meu caminho, meu destino...

Percorro este meu caminho

nem depressa, nem devagar

Nem sei mesmo por que caminho!

Se não tenho pressa em chegar.

... Vou num passo vagaroso

Num interminável arrastar

Levo o coração saudoso

Pena não puder ficar.



Sigo um pouco à sorte

Não levo rumo nem destino

Trago o rosto voltado a norte

Sou como o sol... peregrino.

Levo o sonho no olhar

Nos cabelos estrelas de prata

Meu peito é barco a navegar

E no coração raizes que a vida ata.



A minha voz por aí se propaga

Em versos de saudade

Acordados na madrugada

Ansiosos de liberdade.

Versos da minha infância de ser

São a minha fragância, a minha respiração

A combustão...

Para o caminho percorrer.



natalia nuno



rosafogo
837

ÓH! Que maldito poeta!



 Louco como ave inquieta

Que não cansa de gorgear

Oh! Que maldito Poeta...!

Que à Eternidade quer passar.

... Canta às vezes com voz triste

Anda em fracos versos iludido

Cativo, deles não desiste!

Conhece a desventura do poema perdido.



Vai sonhando, tomando notas

Todas de sonho e utopia

Perdido por ilhas ignotas

Buscando inspiração para a poesia.

Morre a cada instante vencido,

sofrido,

e a palavra vive ali defronte

diante dos olhos seus.

São pérolas, são sóis

Mas a memória desvaneu.



Ora vive no crepúsculo,

ora no resplendor...

É esta a sua forma de cruz

o seu amor

a sua luz.



Chega a odiar-se

Querendo rasgar o infinito

Por um poema maior

Um grito,

lhe sai do coração!

Sombras, sonhos. ilusão, desilusão.

Maldito Poeta...Mas,

Poeta que desiste, isso é que não!



natalia nuno

rosafogo
886

saudade que amanhece...

há luas que nos entram casa fora
nas noites em que a gente quer amar
abre-se a janela àquela hora
descobrem-nos nus, os raios de luar,
e eu fico a pensar?!
tantas noites demoradamente doces
- como é bom recordar!
há ruídos que nos afagam
para lá do tempo, nem sabemos de onde
já todas as luzes se apagam
é a hora a que o sol se esconde.
já não lembro que me dizias
nestas noites ao ouvido,
foram noites, foram dias
tantas como as rugas, que hoje
no rosto fazem sentido.
nas noites albergamos o nosso amor
éramos felizes e eu não sabia quanto,
lembro só do pudor
e mais tarde, como me atrevia tanto!
somos amantes consumidos na nossa 
própria fogueira 
e hoje entra p'la janela a tristeza
a saudade deita-se ali à nossa beira.
já não há luas nem raios de luar,
nem o ruído do nosso amar,
vagueia a saudade nos trilhos da memória
e traz-nos recordações das noites vivas
de glória...
tínhamos a vida toda para viver,
tudo o que nos resta são sonhos com sabor a luar,
são muitas as coisas que eu não sei dizer
o que sei da vida e da morte, 
é que uma passou a correr
e a outra está pra chegar...


natália nuno
pode ler mais aqui...............https://nataliacanais.blogspot.com/
84

saudade que amanhece...

há luas que nos entram casa fora
nas noites em que a gente quer amar
abre-se a janela àquela hora
descobrem-nos nus, os raios de luar,
e eu fico a pensar?!
tantas noites demoradamente doces
- como é bom recordar!
há ruídos que nos afagam
para lá do tempo, nem sabemos de onde
já todas as luzes se apagam
é a hora a que o sol se esconde.
já não lembro que me dizias
nestas noites ao ouvido,
foram noites, foram dias
tantas como as rugas, que hoje
no rosto fazem sentido.
nas noites albergamos o nosso amor
éramos felizes e eu não sabia quanto,
lembro só do pudor
e mais tarde, como me atrevia tanto!
somos amantes consumidos na nossa 
própria fogueira 
e hoje entra p'la janela a tristeza
a saudade deita-se ali à nossa beira.
já não há luas nem raios de luar,
nem o ruído do nosso amar,
vagueia a saudade nos trilhos da memória
e traz-nos recordações das noites vivas
de glória...
tínhamos a vida toda para viver,
tudo o que nos resta são sonhos com sabor a luar,
são muitas as coisas que eu não sei dizer
o que sei da vida e da morte, 
é que uma passou a correr
e a outra está pra chegar...


natália nuno
pode ler mais aqui...............https://nataliacanais.blogspot.com/
29

entrega...

viaja a boca até à boca
paixão, loucura feitiçaria
e já a mão se desloca
o desejo cresce esfuzia
nos rostos a alegria!
o entusiasmo redobra
coisa louca
os beijos da tua boca
e o meu corpo te cobra
que seja dia de festa
e o que tem de melhor?

-a entrega ao conquistador
e eu me entrego com amor
no sonho com sabor a mel
que arrepia nossa pele...


natália nuno
131

a horas mortas...

não escolho as palavras
são desejos que por mim passam
sonho com elas, um sonho que não faz ruído,
na minha mente desfilam
e ondulam como um mar erguido.
apresento-as ao mundo, para que minha voz
se espalhe,  como um caudal de luz,
e é atroz senti-las a afogar-se nas águas
dum mar infinito,
levando meu grito, minhas mágoas 
sem querer ouvir o meu sentir,
fogem de mim a horas mortas
nem sei porque as escrevo, só Deus
escreve por linhas tortas!
não escolho as palavras
escrevo como um recém nascido que chora,
com a saudade que no meu coração mora.
memórias escritas que são folhas que caem
em solidão e esquecimento,
move-se minha mão, que não sei porque escreve,
quando o pensamento lhe diz que não deve,
alguma coisa o coração embriaga
será o aroma de pétalas pela vida esmagadas?
ou a esperança, talvez o destino me traga
aos dias, rosas belas perfumadas.


natalia nuno
rosafogo
132

nesta dor sentida...

esmorecem as vontades, o olhar agora baço e a cada passo,
dou conta que as saudades descansam no meu regaço,
o tecido do meu rosto inquietou-se com rugas de cansaço,
no pensamento como que um aturdimento,
e deixei de contestar, os braços sem abraçar,
perdeu-se o permanente sorriso, no meu pedaço de mundo,
nada mais se altera, finjo que não estou à espera,
e quando chegar a hora vou pensar em liberdade,
lembrar as cartas d' amor que escrevi ao homem que amei,
das juras que jurei...
eram então as noites longas e sem sono,
o amor era tentador e ali ficávamos ao abandono...revivo nossos momentos íntimos,
até onde a lembrança me leva,
os sons do amor vêm aos meus ouvidos para encantar,
quanta ingenuidade ainda me vem esperançar,
o pensamento tanto tenta, na coragem perdida, nesta dor sentida,
é a saudade  que sempre me acalenta.

natalia nuno
126

pequena prosa poética...

há um silêncio sempre pronto a atacar-lhe a solidão, sempre a acompanhar-lhe os passos a cortar-lhe o coração, voejam com ela pássaros pretos que atravessam o vento e deixam-lhe o pensamento cosendo e descosendo lembranças, trazendo-lhe mil recados de tempos amados, dos seus brincos de princesa, do baloiço da oliveira, do rio ali à beira, e a certeza dos besouros arrecadados, dos pés descalços, das amoras dos silvados e das horas atrás dos vidros embaciados...há um silêncio que a faz morrer de cansaço, sabe que o sonho é sempre de ida e volta à realidade e, ao abrigo dos sustos carrega nela a saudade...as asas andam p'lo chão mas, hoje traz um silêncio fresco no coração.

natália nuno
79

pequena prosa poética...

Cá estou de novo, vou acender a lareira, fazer a reconciliação com o tempo e deixar-me engravidar de saudade, lembrar daquela lareira pequenina onde me sentava a comer as minhas migas de café... depois dum dia frio mas ensolarado onde me deixava baloiçar ao sol... horas a fio... faço uma pausa, recomponho-me, aqui não há cheio e nem vazio, calor ou frio, há sómente uma torrente de recordações, que se vão desmoronando com o caminhar já longo...sardinheiras em flor, águas que me falam de amor, papoilas de abraços, que ainda me seguem os passos, e tudo tem uma razão e tudo faz ninho no meu coração...visto-me de auroras, agasalho-me nos poentes, e assim as horas passam-me indiferentes, vêm as rolas, as cotovias, e os melros pousam nas malvasias, oiço as enxadas de sol a sol, e morro no tempo a saber-me viva, afrouxam os dias... correm os dias, e eu semeio versos...crepita a saudade da terra e do pão e em mim cresce a solidão....

natalia nuno
121

Comentários (11)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.
natalia nuno

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.

Natural de Lapas/Torres Novas A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas . Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil. Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda» Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César, O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e « Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira. Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora. Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........