Lua em escorpião
[XI]
Esperando a profundidade do meu ser invadir
Para deixar registrado em palavras
Toda sensualidade existente na escuridão
Apesar de um coração frio, minha alma queima por dentro
Absorvendo tudo por onde passa
Com a certeza que não sou sua, sou da minha Lua
Que rege todo o meu jeito de me entregar
Pois sei que transbordo, quando meu mar enche
Que minha maré sobe quando minha Lua se aproxima
E aí...Eu nem sou mais minha.
Sinto o fogo da minha alma, queimar toda a razão
Vejo, literalmente eu derreter e ficar no chão
Pois ainda espero alguém
Alguém, que consiga domar
Essa minha Lua em escorpião.
Ainda...
[X]
Gostaria de dizer o que sinto
Mas não consigo
Pois todo louco tem uma dor.
Dor não sentida
Dor não vivida
Ou que jamais será
Mas o “ainda” explica
A ansiedade sentida, dessa dor, que nunca chegará.
Irmã
[XIV]
Só queria poder te abraçar
Dizer que tu é especial
Pois não precisa se preocupar
Tudo vai ficar bem no final
E nós poderemos brindar
O nosso reencontro de almas
Não sei como, mas já te conheci.
Antes de tudo isso aqui.
Por isso nutro em te....
Esse sentimento, tão humano.
Que não vai ser um “eu te amo”,
A transmitir.
Meu ser gêmeo, sem ser.
[VIII]
Não me sobram palavras para você
Você me enxerga sem abrir os olhos
Me toca mesmo a distância
Seu abraço quente de palavras frias
Seu jeito tão seu, que qualquer ser, arrepia.
Mesmo em um mar nada calmo
Você consegue equilibrar, meu barco.
Mesmo em verões frios, sua primavera, chega antes do outono
Você é meu ser para sempre
Meu eterno ser gêmeo, sem ser.
O verdadeiro dono das minhas palavras bonitas
Mesmo sem admitir
É tu…
Ser em ti
Ser em mim
Sim...?
[VII]
Não me dê estrelas, quando eu quero a lua
Não me dê a lua, quando se têm constelações
Não me permita ser o que não sou
Não se espante com meu coração gelado
Não se assuste com meu repentino calor
Não fuja da intensidade do meu amor
Não me queira como investigado
Não me olhe como se fosse o fim
Não me olhe quando digo um não
Não me busque na superfície
Não me procure quando eu sumir
Não apareça se eu não chamar
Não me escute, se quiser me amar.
Um poema para um poema
[VI]
Me sinto mais um vez sufocada
Por um sentimento sufocante
Ardente…
Corre em minhas veias.
Não há nada no mundo que pare.
Preciso, mais que nunca, cair em desilusão.
Me transbordar em palavras.
Ser verbo e substantivo.
Ser adjetivo e artigo.
De mim mesma
De alguém?
Desses versos, com certeza.
É sobre liberdade...
[V]
Sonhos podem dizer a verdade?
Ou são fugas da realidade?
Será que eles expressam o nosso interior real?
Mas nem tudo pode ser tão literal
Queria eu, que eles fossem um pouco...
O pouco que aliviasse o sufoco....
Sonhos poderiam transbordar para realidade?
Assim não me preocuparia em ser.
Assim não me privaria de ser.
Por que sonhos são livres
São imparciais
São especiais
Liberdade transcendental
Liberdade individual e privada
Sonhos são feitos pela liberdade…
Liberdade presa em mentes individuais.
Paiz
[IV]
Pais não façam isso.
Paz não se compra, conquista.
Pais não comparem seus filhos.
Paz não é sinal de dever comprido.
Pais não olhem apenas para seu poder
Paz aparece quando o diálogo acontece
Pais a vida é maior que tarefas domésticas
Paz não está em um almoço servido
Pais vocês também erram
Paz estar em aceitar que errou
Pais a última palavra não é a sua.
Paz é entender que a última palavra não existe.
Eu
[III]
Eu erro, para aprender
Eu escrevo, para dormir
Eu medito para não me perder
Eu me perco para sumir
Eu atravesso meus próprios mares
Eu me satisfaço com minhas ideias
Eu odeio isso de ideologia
Eu sou minha própria primavera
Não cabe a mim, me compreender
Não cabe a você me entender
Não cabe a mim lhe satisfazer
Não, não é você que vai me corromper
Não me procure em grandes palavras
Não me encontre em bons livros
Não me perca em poesias
Não me beba sem concedimento
Não me queira.
Não me ache.
Proseando
[II]
Você não se entrega para a vida, a vida se entrega à você.
É inconstante o balançar do corpo, quando a mente não entende e não vê.
Eu tiro os meus dias para poder entender e processar aquilo que nunca foi dito.
E quando a noite cai, o silêncio do grito é audível.
Me considere estúpida. Me chame de imbecil.
Mas não ponha em mim a culpa de ser um pouco viril.
A entrega é constante, como o vento errante, que erra por ser gentil.