Lista de Poemas
vênus
a estrela mais reluzente
a olho nu
nem de verdade é.
dito de outro modo:
qualquer tom de afeto
é o astro mais potente
no vasto breu.
a olho nu
nem de verdade é.
dito de outro modo:
qualquer tom de afeto
é o astro mais potente
no vasto breu.
305
júpiter
um mantra se infiltra
por dentro dos olhos
e me incentiva.
abro os braços
as pontas dos dedos
esbarrando em satélites.
como nunca vi tantas luas
dançando ao meu redor?
devo atraí-las com
essas palavras turvas
dentre as quais cintila
o que há de melhor.
de lua em lua, um arremate:
de braços abertos
somos sempre maiores.
por dentro dos olhos
e me incentiva.
abro os braços
as pontas dos dedos
esbarrando em satélites.
como nunca vi tantas luas
dançando ao meu redor?
devo atraí-las com
essas palavras turvas
dentre as quais cintila
o que há de melhor.
de lua em lua, um arremate:
de braços abertos
somos sempre maiores.
291
saturno
uma cobrança pode levar
vinte e nove anos
[ou dias]
para te alcançar
mas ao cair sobre ti
o momento da colheita
lembra: houve tempo
[e esquecimento justo]
desde o ato da semeadura.
vinte e nove anos
[ou dias]
para te alcançar
mas ao cair sobre ti
o momento da colheita
lembra: houve tempo
[e esquecimento justo]
desde o ato da semeadura.
277
plutão
lapida o subterrâneo
tudo que é invisível
brilha como tesouro
ou assusta como pesadelo
o medo, embora asqueroso
às vezes tem de vir antes do ouro.
tudo que é invisível
brilha como tesouro
ou assusta como pesadelo
o medo, embora asqueroso
às vezes tem de vir antes do ouro.
298
netuno
uma sereia que tenta
escapar do oceano
esbarra no ar, sem voz
ou sem firmeza na terra.
eis o dilema da fuga
o deleite do sonho
o sacrifício de um peixe
fora d’água
cuja arte de fingir
forja-lhe o resgate
de qualquer marasmo.
escapar do oceano
esbarra no ar, sem voz
ou sem firmeza na terra.
eis o dilema da fuga
o deleite do sonho
o sacrifício de um peixe
fora d’água
cuja arte de fingir
forja-lhe o resgate
de qualquer marasmo.
286
mercúrio
quando o carteiro chegou
bateu um bom papo
iludiu meu cachorro
cruzou a rua
e sequer uma carta deixou.
bateu um bom papo
iludiu meu cachorro
cruzou a rua
e sequer uma carta deixou.
270
o sol
ludibriemos o sol
ou ele nos oprime
sejamos como prisma
estático e translúcido
filtrando radiação
em cores distintas
aplaudamos o astro
no raiar e no crepúsculo
para então servi-lo banquete ao jardim.
dancemos em torno do sol
como predador
a cortejar um antílope
quanto mais ele nos vê
menos caça se torna
quanto mais o vemos
menos enxergamos o campo
todo dia, o mesmo rito:
o sol nutre e incendeia nosso ego.
ou ele nos oprime
sejamos como prisma
estático e translúcido
filtrando radiação
em cores distintas
aplaudamos o astro
no raiar e no crepúsculo
para então servi-lo banquete ao jardim.
dancemos em torno do sol
como predador
a cortejar um antílope
quanto mais ele nos vê
menos caça se torna
quanto mais o vemos
menos enxergamos o campo
todo dia, o mesmo rito:
o sol nutre e incendeia nosso ego.
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Comentários (1)
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Bruno Macedo
Olá boa noite! Seus poemas são encantadores e fortes, parabéns. Como faço para me cadastrar no Escritas.org e publicar meus poemas? No momento do cadastro pede um código, mas não sei onde encontrar.