Neilson Medeiros

Neilson Medeiros

n. 1985 BR BR

n. 1985-06-21, São Mamede

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vênus

a estrela mais reluzente
a olho nu
nem de verdade é.

dito de outro modo:

qualquer tom de afeto
é o astro mais potente
no vasto breu.
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Poemas

11

a lua

decifre a lua
ou ela nos devora
seu nome desliza
para além da curvilínea
eis a hora perfeita do rapto
guarda-a em seu bolso
e recorda o enigma dissoluto:
o jogo de luz e sombras
a lua é cheia no céu
e também lâmina rasa
em ascensão.
235

o sol

ludibriemos o sol
ou ele nos oprime
sejamos como prisma
estático e translúcido
filtrando radiação
em cores distintas
aplaudamos o astro
no raiar e no crepúsculo
para então servi-lo banquete ao jardim.

dancemos em torno do sol
como predador
a cortejar um antílope
quanto mais ele nos vê
menos caça se torna
quanto mais o vemos
menos enxergamos o campo
todo dia, o mesmo rito:
o sol nutre e incendeia nosso ego.
240

alhures

alhures é um nome bonito
para atribuir a uma estrela morta
cujo fantasma ainda vibra
soa como o barulho do mar
que está por toda parte
mas não exatamente aqui
talvez a um passo ou
a muitas milhas de mim
quando se vai além
tem-se a dúvida como guia
e o espanto como desfecho
para que o transe do conforto
quando se pode arrastar raízes
em outras estâncias?
sabendo que de onde vim
nunca a mim será estranho
o mundo se abre a cada paragem
e se amplia o terreiro chamado aqui.
246

plutão

lapida o subterrâneo 
tudo que é invisível 
brilha como tesouro 
ou assusta como pesadelo 
o medo, embora asqueroso 
às vezes tem de vir antes do ouro.
320

netuno

uma sereia que tenta
escapar do oceano
esbarra no ar, sem voz
ou sem firmeza na terra.
eis o dilema da fuga
o deleite do sonho
o sacrifício de um peixe
fora d’água
cuja arte de fingir
forja-lhe o resgate
de qualquer marasmo.
306

urano

decidiram que o céu
não teria chance
rasgaram-lhe o corpo
restou a violência das estrelas
e a fervura das ondas.
294

saturno

uma cobrança pode levar
vinte e nove anos
[ou dias]
para te alcançar
mas ao cair sobre ti
o momento da colheita
lembra: houve tempo
[e esquecimento justo]
desde o ato da semeadura.
297

júpiter

um mantra se infiltra
por dentro dos olhos 
e me incentiva.

abro os braços
as pontas dos dedos
esbarrando em satélites.
como nunca vi tantas luas
dançando ao meu redor?

devo atraí-las com
essas palavras turvas
dentre as quais cintila
o que há de melhor.

de lua em lua, um arremate:
de braços abertos
somos sempre maiores.
313

marte

quanta alma
dessa jarra
você despeja

nas palavras
nas vontades
e nas feridas
ao redor?
284

vênus

a estrela mais reluzente
a olho nu
nem de verdade é.

dito de outro modo:

qualquer tom de afeto
é o astro mais potente
no vasto breu.
326

Comentários (1)

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Bruno Macedo
Bruno Macedo

Olá boa noite! Seus poemas são encantadores e fortes, parabéns. Como faço para me cadastrar no Escritas.org e publicar meus poemas? No momento do cadastro pede um código, mas não sei onde encontrar.