decifre a lua ou ela nos devora seu nome desliza para além da curvilínea eis a hora perfeita do rapto guarda-a em seu bolso e recorda o enigma dissoluto: o jogo de luz e sombras a lua é cheia no céu e também lâmina rasa em ascensão.
235
o sol
ludibriemos o sol ou ele nos oprime sejamos como prisma estático e translúcido filtrando radiação em cores distintas aplaudamos o astro no raiar e no crepúsculo para então servi-lo banquete ao jardim.
dancemos em torno do sol como predador a cortejar um antílope quanto mais ele nos vê menos caça se torna quanto mais o vemos menos enxergamos o campo todo dia, o mesmo rito: o sol nutre e incendeia nosso ego.
240
alhures
alhures é um nome bonito para atribuir a uma estrela morta cujo fantasma ainda vibra soa como o barulho do mar que está por toda parte mas não exatamente aqui talvez a um passo ou a muitas milhas de mim quando se vai além tem-se a dúvida como guia e o espanto como desfecho para que o transe do conforto quando se pode arrastar raízes em outras estâncias? sabendo que de onde vim nunca a mim será estranho o mundo se abre a cada paragem e se amplia o terreiro chamado aqui.
246
plutão
lapida o subterrâneo tudo que é invisível brilha como tesouro ou assusta como pesadelo o medo, embora asqueroso às vezes tem de vir antes do ouro.
320
netuno
uma sereia que tenta escapar do oceano esbarra no ar, sem voz ou sem firmeza na terra. eis o dilema da fuga o deleite do sonho o sacrifício de um peixe fora d’água cuja arte de fingir forja-lhe o resgate de qualquer marasmo.
306
urano
decidiram que o céu não teria chance rasgaram-lhe o corpo restou a violência das estrelas e a fervura das ondas.
294
saturno
uma cobrança pode levar vinte e nove anos [ou dias] para te alcançar mas ao cair sobre ti o momento da colheita lembra: houve tempo [e esquecimento justo] desde o ato da semeadura.
297
júpiter
um mantra se infiltra por dentro dos olhos e me incentiva.
abro os braços as pontas dos dedos esbarrando em satélites. como nunca vi tantas luas dançando ao meu redor?
devo atraí-las com essas palavras turvas dentre as quais cintila o que há de melhor.
de lua em lua, um arremate: de braços abertos somos sempre maiores.
313
marte
quanta alma dessa jarra você despeja
nas palavras nas vontades e nas feridas ao redor?
284
vênus
a estrela mais reluzente a olho nu nem de verdade é.
dito de outro modo:
qualquer tom de afeto é o astro mais potente no vasto breu.
Olá boa noite! Seus poemas são encantadores e fortes, parabéns. Como faço para me cadastrar no Escritas.org e publicar meus poemas? No momento do cadastro pede um código, mas não sei onde encontrar.