Para a semente o fruto é o mundo, até que ela saia de lá. E então conhece o tempo, caminhos, carinhos, caretas. Curvas, esquerdas, direitas, Sabores, perfumes no ar. E se aventura ao longo do tempo que lhe foi concedido e aceito, sem ao menos ser ou estar. Segue em frente caminhando ao vento, Com seus lenços e seus documentos, Uma mochila cheia de exemplos, Buscando sua sala de estar. E aquela semente que um dia Saiu para o mundo habitar, Tornou-se um fruto, e também um mundo, Mas nunca se esquecerá Qual foi o seu primeiro lar.
Para a semente o fruto é o mundo, até que ela saia de lá. E então conhece o tempo, caminhos, carinhos, caretas. Curvas, esquerdas, direitas, Sabores, perfumes no ar. E se aventura ao longo do tempo que lhe foi concedido e aceito, sem ao menos ser ou estar. Segue em frente caminhando ao vento, Com seus lenços e seus documentos, Uma mochila cheia de exemplos, Buscando sua sala de estar. E aquela semente que um dia Saiu para o mundo habitar, Tornou-se um fruto, e também um mundo, Mas nunca se esquecerá Qual foi o seu primeiro lar.
232
Andarilho
Andarilho (Nicholas P. Barros)
Ele andou e andou Pelos vales mais verdes Montanhas afiadas Desertos ferventes Florestas geladas
E andou e andou E em sua bagagem Carregou muitas dores Pesadas verdades Grandes amores
E andou e andou A favor do vento Contra a maré Gerou seu rebento Encontrou sua fé
E andou e andou Perdeu Encontrou Arrependeu Perdoou
E andou e andou Então, cansado E realizado Do caminho trilhado Simplesmente parou.
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O livro do tio Evaristo
O livro do Tio Evaristo (Nicholas P. Barros)
Aquelas folhas escritas Eram mais do que poesias Ali se contavam histórias Da vida de uma grande família
Lendo aquilo tudo Ouvi os risos das crianças A construção de seu futuro E suas antigas cirandas
Andei por onde viveram Por onde trabalharam duro Senti cheiro de terra arada Em um tempo que não tinha muros
Conheci poderosas histórias Sobre a fé da minha família Visitei meus antepassados Que até então não conhecia
Viajei numa velha motoca Que o tio Evaristo comprou E até mesmo em um carro feito Pelas mãos do meu bisavô
Em uma única tarde Acompanhei várias gerações Por entre singelos versinhos Carregados de grandes lições
E aquele discreto livrinho Escrito por uma alma amorosa Me levou a lindos momentos Narrados em suas prosas
Conheci meu avô criança Enquanto brincava de gira-pião Em um tempo em que até as lembranças Se iluminavam com o lampião
Enquanto minha mãe lia os versos Toda uma vida ali se passou Com minha tia sorrindo ao meu lado Eu senti o verdadeiro amor
O amor de uma família Que por muitas gerações Teve uma vida sofrida Sustentada em orações
Percebi que naquele momento Continuávamos a história De uma família que certamente Foi abençoada com muitas glórias
Durante uma tarde saudosa Que parecia uma história sem fim Visitei um tempo remoto E conheci mais um pouco de mim
75
Minha revoada
Minha Revoada (Nicholas P. Barros)
Uma linda inocência Habitava em mim Como naquelas fotos De um tempo feliz O tom era outro Não era sépia Mas como um outono Que não tinha fim O café do meu pai E bambalalão A mão da minha mãe Lavando a minha mão Éramos quatro E éramos um Como uma revoada Em um céu azul As vezes visito Esse camarim De dias incríveis Dentro de mim
48
Os sonhos da natureza
Os sonhos da natureza (Nicholas P. Barros)
João Pedro muito curioso Sobre tudo me perguntava Até que fez uma pergunta Diferente e inusitada
Como tudo queria saber E nosso jardim investigava Perguntou se enquanto dormia A natureza também sonhava
Pois numa noite sonhou que nadava Nos meios dos peixes, entre os corais Numa outra sonhou com a floresta E que vivia com seus animais
Perguntou se as plantas dormiam Pois numa noite no nosso jardim Viu os hibiscos fechados E pensou se eles foram dormir
Perguntou também pelos pássaros Que logo cedinho cantavam E depois de uma tarde de farra Na noite escura silenciavam
Disse nunca ter visto de noite Borboleta ou abelha a voar E imaginou se talvez estivessem Dormindo em algum lugar
E ele muito decidido A saber mais sobre a natureza Pensou que ela não sonhar Seria algo de muita estranheza
Definiu a questão como certa Que animais e até mesmo as sementes Quando dormem também tem seus sonhos Da mesma forma que a gente
E surpreso com sua pergunta Sem saber o que responder Arrisquei, por fim, meu palpite: - Talvez sonhem com você!
68
Quem gosta de mim
Eu gosto de muitas coisas, De cheiro de chuva, Caindo no meu jardim.
Gosto do sol de verão, De praia deserta, De férias sem fim.
Gosto do som das crianças, Dos seus risos altos, De suas perguntas.
Gosto das vozes dos velhos, Das suas histórias, E de suas rugas.
Gosto do amor inventado, Do toque da pele, Do olhar cruzado.
Gosto do frio na barriga, E da grande alegria De estar do se lado.
Eu gosto de sabores doces, Gosto das cores, Do cheiro de anis.
Eu gosto do cheiro de mato, Do cheiro de cravo E do alecrim.
Eu gosto de muitas coisas. Mas a melhor delas É gostar de quem gosta de mim.
115
Histórias de criança
Histórias de Criança (Nicholas P. Barros)
Olhe para a frente e esqueça o que passou Existe um grande mundo atrás dessa cortina Você tem medo de tentar Mas tem razão suficiente para não se entregar
Os movimentos se espalham por aqui Trazendo frases preparadas pra persuadir Mas o conceito não deixou De ser apenas a sujeira da latrina
Se esquive, se esconda Não deixe te pegar Prepare a sua mente ou vão te dominar
As histórias de criança já não são mais pra ninar
Me lembro quando eu ouvi O mundo é dos espertos, você não é daqui Mentiras pra te iludir São só trinta minutos e o país vai te ouvir
Vão ouvir você falar, vão ouvir você dizer Que tudo vai mudar, que é hora de crescer Mas a verdade te deixou E agora é sua consciência que te cobra E ela vai te pressionar.
153
Aquela ideia
Aquela ideia. (Nicholas P. Barros)
Depois daquela idéia você parou pra pensar Nas coisas da sua vida, interesses pra pesar. Não pode mais ficar atrás De toda essa gente sem encontrar o seu lugar.
No bate da cabeça que vai contra o coração. Do ar que foi embora te deixando sem ação. Não volte mais nesse lugar, Liberte-se do medo que se encontra em seu olhar.
Não sei por que você se perdeu, Não tem como explicar. Não sei por que você se perdeu, Não pôde evitar.
A luz na sua cara, ofusca o futuro. O escuro e a neblina que te jogam contra o muro. O certo e o errado no limite da razão. A culpa e a inocência na mesma situação. O veneno da mente criando ilusões. O risco aparente gerando contradições. Não volte mais nesse lugar, Liberte-se do medo que se encontra em seu olhar.
149
Revivida
Revividas (Nicholas P. Barros)
Vira mundo Gira tudo Desce fundo Sobe muro
Dói a alma Pede calma Junta a palma Chora o trauma
Vai-se a lua Vai à luta Tudo muda Gente junta Chega ajuda
Nasce o dia Me Ilumina Água viva Volta a vida
103
Será que eu sou mesmo assim
Será que eu sou mesmo assim?
Não me embaraço Eu me disfarço Eu me infiltro no pedaço Chego quieto Pra ver no que dá Fico de canto E não me espanto Se eu vejo no outro canto Uma imagem que nem santo iria acreditar Palavras vem ao meu encontro E eu procuro logo um ombro Que possa parar um pouco Pra me consolar Mas se eu não acho Eu esculacho Desespero, perco o passo Saio fora pra me controlar Será que sou mesmo assim? Eu tenho medo sim Chego a ter medo de mim