Para a semente o fruto é o mundo, até que ela saia de lá. E então conhece o tempo, caminhos, carinhos, caretas. Curvas, esquerdas, direitas, Sabores, perfumes no ar. E se aventura ao longo do tempo que lhe foi concedido e aceito, sem ao menos ser ou estar. Segue em frente caminhando ao vento, Com seus lenços e seus documentos, Uma mochila cheia de exemplos, Buscando sua sala de estar. E aquela semente que um dia Saiu para o mundo habitar, Tornou-se um fruto, e também um mundo, Mas nunca se esquecerá Qual foi o seu primeiro lar.
Para a semente o fruto é o mundo, até que ela saia de lá. E então conhece o tempo, caminhos, carinhos, caretas. Curvas, esquerdas, direitas, Sabores, perfumes no ar. E se aventura ao longo do tempo que lhe foi concedido e aceito, sem ao menos ser ou estar. Segue em frente caminhando ao vento, Com seus lenços e seus documentos, Uma mochila cheia de exemplos, Buscando sua sala de estar. E aquela semente que um dia Saiu para o mundo habitar, Tornou-se um fruto, e também um mundo, Mas nunca se esquecerá Qual foi o seu primeiro lar.
228
O livro do tio Evaristo
O livro do Tio Evaristo (Nicholas P. Barros)
Aquelas folhas escritas Eram mais do que poesias Ali se contavam histórias Da vida de uma grande família
Lendo aquilo tudo Ouvi os risos das crianças A construção de seu futuro E suas antigas cirandas
Andei por onde viveram Por onde trabalharam duro Senti cheiro de terra arada Em um tempo que não tinha muros
Conheci poderosas histórias Sobre a fé da minha família Visitei meus antepassados Que até então não conhecia
Viajei numa velha motoca Que o tio Evaristo comprou E até mesmo em um carro feito Pelas mãos do meu bisavô
Em uma única tarde Acompanhei várias gerações Por entre singelos versinhos Carregados de grandes lições
E aquele discreto livrinho Escrito por uma alma amorosa Me levou a lindos momentos Narrados em suas prosas
Conheci meu avô criança Enquanto brincava de gira-pião Em um tempo em que até as lembranças Se iluminavam com o lampião
Enquanto minha mãe lia os versos Toda uma vida ali se passou Com minha tia sorrindo ao meu lado Eu senti o verdadeiro amor
O amor de uma família Que por muitas gerações Teve uma vida sofrida Sustentada em orações
Percebi que naquele momento Continuávamos a história De uma família que certamente Foi abençoada com muitas glórias
Durante uma tarde saudosa Que parecia uma história sem fim Visitei um tempo remoto E conheci mais um pouco de mim
72
Minha revoada
Minha Revoada (Nicholas P. Barros)
Uma linda inocência Habitava em mim Como naquelas fotos De um tempo feliz O tom era outro Não era sépia Mas como um outono Que não tinha fim O café do meu pai E bambalalão A mão da minha mãe Lavando a minha mão Éramos quatro E éramos um Como uma revoada Em um céu azul As vezes visito Esse camarim De dias incríveis Dentro de mim
46
Andarilho
Andarilho (Nicholas P. Barros)
Ele andou e andou Pelos vales mais verdes Montanhas afiadas Desertos ferventes Florestas geladas
E andou e andou E em sua bagagem Carregou muitas dores Pesadas verdades Grandes amores
E andou e andou A favor do vento Contra a maré Gerou seu rebento Encontrou sua fé
E andou e andou Perdeu Encontrou Arrependeu Perdoou
E andou e andou Então, cansado E realizado Do caminho trilhado Simplesmente parou.
56
Os sonhos da natureza
Os sonhos da natureza (Nicholas P. Barros)
João Pedro muito curioso Sobre tudo me perguntava Até que fez uma pergunta Diferente e inusitada
Como tudo queria saber E nosso jardim investigava Perguntou se enquanto dormia A natureza também sonhava
Pois numa noite sonhou que nadava Nos meios dos peixes, entre os corais Numa outra sonhou com a floresta E que vivia com seus animais
Perguntou se as plantas dormiam Pois numa noite no nosso jardim Viu os hibiscos fechados E pensou se eles foram dormir
Perguntou também pelos pássaros Que logo cedinho cantavam E depois de uma tarde de farra Na noite escura silenciavam
Disse nunca ter visto de noite Borboleta ou abelha a voar E imaginou se talvez estivessem Dormindo em algum lugar
E ele muito decidido A saber mais sobre a natureza Pensou que ela não sonhar Seria algo de muita estranheza
Definiu a questão como certa Que animais e até mesmo as sementes Quando dormem também tem seus sonhos Da mesma forma que a gente
E surpreso com sua pergunta Sem saber o que responder Arrisquei, por fim, meu palpite: - Talvez sonhem com você!
66
Quem gosta de mim
Eu gosto de muitas coisas, De cheiro de chuva, Caindo no meu jardim.
Gosto do sol de verão, De praia deserta, De férias sem fim.
Gosto do som das crianças, Dos seus risos altos, De suas perguntas.
Gosto das vozes dos velhos, Das suas histórias, E de suas rugas.
Gosto do amor inventado, Do toque da pele, Do olhar cruzado.
Gosto do frio na barriga, E da grande alegria De estar do se lado.
Eu gosto de sabores doces, Gosto das cores, Do cheiro de anis.
Eu gosto do cheiro de mato, Do cheiro de cravo E do alecrim.
Eu gosto de muitas coisas. Mas a melhor delas É gostar de quem gosta de mim.
109
Aquela ideia
Aquela ideia. (Nicholas P. Barros)
Depois daquela idéia você parou pra pensar Nas coisas da sua vida, interesses pra pesar. Não pode mais ficar atrás De toda essa gente sem encontrar o seu lugar.
No bate da cabeça que vai contra o coração. Do ar que foi embora te deixando sem ação. Não volte mais nesse lugar, Liberte-se do medo que se encontra em seu olhar.
Não sei por que você se perdeu, Não tem como explicar. Não sei por que você se perdeu, Não pôde evitar.
A luz na sua cara, ofusca o futuro. O escuro e a neblina que te jogam contra o muro. O certo e o errado no limite da razão. A culpa e a inocência na mesma situação. O veneno da mente criando ilusões. O risco aparente gerando contradições. Não volte mais nesse lugar, Liberte-se do medo que se encontra em seu olhar.
147
Imaginação
Imaginação.
Era uma vez um menino sonhador e aventureiro. O seu sonho sempre foi conhecer o mundo inteiro.
Quando pequeno imaginava como iria até o Japão. De skate, patinete, bicicleta ou de balão?
Queria conhecer as pirâmides no deserto do Sahara. Ir de camelo até a Esfinge E responder suas charadas.
Se aventurar na selva africana E os gorilas observar. Ver a força do elefante E assistir o leão a reinar.
Na neve do polo norte, Brincar com o urso polar. Na gelo do polo sul, Nadar com o pinguim-azul.
Dos piratas queria os tesouros Perdidos no mar caribenho. Mas Teria que ter um navio E também se tornar marinheiro.
Na linda floresta Amazônica, Na oca do índio queria morar. Passar tinta vermelha no corpo. Ter o mais colorido cocar.
Em Roma conhecer as ruínas, Antigas igrejas e ricos museus. Passear pelas fontes e praças Do Panteão até o Coliseu
Na Espanha da arte e flamenco, Por entre os mundos de Dalí, Contemplar Pablo Picasso E os prédios de Gaudí.
E enquanto os anos passaram Muitos sonhos se realizaram, Enquanto alguns outros não. Mas não se preocupem amigos! Pois todos foram vividos Da forma mais linda; Na imaginação
143
Um dia qualquer
Um dia Qualquer (Nicholas P. Barros)
Uma dia qualquer uma pessoa vai dizer O quanto é bom viver Um dia qualquer uma pessoa vai contar Experiências que viveu pra lá
Pra lá dessa história que se fez passar ali Ali do outro lado, que eu também não conheci Atrás daquele muro, aquele muro de papel Em que nada estava escrito ao contrário desse céu
E assim tudo mudou E a minha vida se transformou
E naquela imensidão eu ouvi a sua voz Mostrando o caminho que escondido estava ali E me guiou o tempo inteiro até achar o meu lugar Mostrou na minha vida o que eu não pude reparar
E foi então que eu percebi Que a minha vida não se resume assim
Eu quero ver o sol brilhar, o pássaro cantar A flor desabrochar e o meu amor chegar Banhada ao luar.
152
Histórias de criança
Histórias de Criança (Nicholas P. Barros)
Olhe para a frente e esqueça o que passou Existe um grande mundo atrás dessa cortina Você tem medo de tentar Mas tem razão suficiente para não se entregar
Os movimentos se espalham por aqui Trazendo frases preparadas pra persuadir Mas o conceito não deixou De ser apenas a sujeira da latrina
Se esquive, se esconda Não deixe te pegar Prepare a sua mente ou vão te dominar
As histórias de criança já não são mais pra ninar
Me lembro quando eu ouvi O mundo é dos espertos, você não é daqui Mentiras pra te iludir São só trinta minutos e o país vai te ouvir
Vão ouvir você falar, vão ouvir você dizer Que tudo vai mudar, que é hora de crescer Mas a verdade te deixou E agora é sua consciência que te cobra E ela vai te pressionar.