Nicholas P. Barros

Nicholas P. Barros

n. 1980 -- --

n. 1980-08-11, Ribeirão Preto

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O fruto e a semente

O fruto e a semente.
(Nicholas P. Barros)
 
Para a semente o fruto é o mundo,
até que ela saia de lá.
E então conhece o tempo,
caminhos, carinhos, caretas.
Curvas, esquerdas, direitas,
Sabores, perfumes no ar.
E se aventura ao longo do tempo
que lhe foi concedido e aceito,
sem ao menos ser ou estar.
Segue em frente caminhando ao vento,
Com seus lenços e seus documentos,
Uma mochila cheia de exemplos,
Buscando sua sala de estar.
E aquela semente que um dia
Saiu para o mundo habitar,
Tornou-se um fruto, e também um mundo,
Mas nunca se esquecerá
Qual foi o seu primeiro lar.
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Poemas

14

Um dia qualquer

Um dia Qualquer
(Nicholas P. Barros)
 
Uma dia qualquer uma pessoa vai dizer
O quanto é bom viver
Um dia qualquer uma pessoa vai contar
Experiências que viveu pra lá
 
Pra lá dessa história que se fez passar ali
Ali do outro lado, que eu também não conheci
Atrás daquele muro, aquele muro de papel
Em que nada estava escrito ao contrário desse céu
 
E assim tudo mudou
E a minha vida se transformou
 
E naquela imensidão eu ouvi a sua voz
Mostrando o caminho que escondido estava ali
E me guiou o tempo inteiro até achar o meu lugar
Mostrou na minha vida o que eu não pude reparar
 
E foi então que eu percebi
Que a minha vida não se resume assim
 
Eu quero ver o sol brilhar, o pássaro cantar
A flor desabrochar e o meu amor chegar
Banhada ao luar.
154

Segredos e medos

Segredos e medos
 
Eu vejo um novo tempo se abrir para mim
É hora de jogar
Digo adeus ao vento que passou por mim
E nunca vai voltar
 
Eu quero desfrutar do novo
Eu quero te pedir socorro
Eu quero te dizer te amo
E ver você sorrir
 
Eu quero é sentir desejo
Sentir saudade do teu beijo
Eu quero é viver a vida sem ter fim
 
Mas a vida não conta
Segredos e medos
E esconde de mim
 
De portas abertas
Bem baixo e sem pressa
Ela ri de mim
 
Eu quero é gritar bem alto
E me jogar num grande salto
Arriscarei a minha vida para ser feliz
 
Pensar que para tudo tem jeito
E se for impossível eu tento
Assim como pegar o dia e esconder o sol
 
Não, não viva depressa
Aproveite a conversa
Me deixe dormir
 
Não deixe de abrir o olho
Não deixe de sonhar tesouros
E não permita que a criança deixe de existir
 
Pois nela está a essência
De cada consciência
Que ao encontrar independência
Se despede da inocência.
 
 
 
 
 
147

Quem gosta de mim


Eu gosto de muitas coisas,
De cheiro de chuva,
Caindo no meu jardim.
 
Gosto do sol de verão,
De praia deserta,
De férias sem fim.
 
Gosto do som das crianças,
Dos seus risos altos,
De suas perguntas.
 
Gosto das vozes dos velhos,
Das suas histórias,
E de suas rugas.
 
Gosto do amor inventado,
Do toque da pele,
Do olhar cruzado.
 
Gosto do frio na barriga,
E da grande alegria
De estar do se lado.
 
Eu gosto de sabores doces,
Gosto das cores,
Do cheiro de anis.
 
Eu gosto do cheiro de mato,
Do cheiro de cravo
E do alecrim.
 
Eu gosto de muitas coisas.
Mas a melhor delas
É gostar de quem gosta de mim.
 
 
 

112

Será que eu sou mesmo assim

Será que eu sou mesmo assim?
 
Não me embaraço
Eu me disfarço
Eu me infiltro no pedaço
Chego quieto
Pra ver no que dá
Fico de canto
E não me espanto
Se eu vejo no outro canto
Uma imagem que nem santo iria acreditar
Palavras vem ao meu encontro
E eu procuro logo um ombro
Que possa parar um pouco
Pra me consolar
Mas se eu não acho
Eu esculacho
Desespero, perco o passo
Saio fora pra me controlar
Será que sou mesmo assim?
Eu tenho medo sim
Chego a ter medo de mim
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