Nilson Lattari

Nilson Lattari

n. 1952 BR BR

Sou graduado em Literatura, com especialização em Estudos Literários, sou escritor e alguns textos foram premiados em concursos de literatura, no Brasil. Meu maior prazer é escrever crônicas e artigos sobre comportamento político e social.

n. 1952-03-14, Rio de Janeiro

Perfil
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A PROCURA DA POESIA

Não. Não te esgotes em parir a poesia
Deixe que ela venha como um espírito pedinte
O barco partido por longo tempo à espera do porto
Ou mesmo os passos solitários no bater da porta
Não te esgotes em querer a poesia
Deixe-a só, isolada e pensativa
Um dia, ela, votiva, alça o voo e vem
Te buscar.
Ela é a Julieta que te espera no alpendre
Aguardando o som da cotovia
Ela tem seu meio de anunciar-se
Está na solidão que te assalta
É o conflito, o desabafo da alma
É a própria maneira de pensar
É a lágrima que vem te enxugar

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Biografia
Sou graduado em Literatura, com especialização em Estudos Literários, sou escritor e alguns textos foram premiados em concursos de literatura, no Brasil. Meu maior prazer é escrever crônicas e artigos sobre comportamento político e social. Meu primeiro romance "Maíto" está disponível em ebook na Amazon.com.br

Poemas

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A busca da verdade


Foi dito que a procura da verdade é a nossa libertação. A verdade pode estar em muitos lugares ou em lugar nenhum. Afinal, o que seria a Verdade, e qual Verdade está no contexto da primeira afirmação? Aquela que nos libertará!
A árvore do conhecimento que está na história bíblica do Paraíso tinha uma maçã como o fruto principal. A ela foi proibido o acesso, por ordem de Deus. Mas, e a dúvida está aí. Por que alertar o ser humano para não acessar a árvore do conhecimento, se a própria curiosidade é um dos traços dados ao Homem, é o principal motivador para a busca dele, o conhecimento? Um paradoxo celeste?
Eva, a culpada pela humanidade, e que tornou todas as mulheres as responsáveis por nossas mazelas, que tanto vemos nas culturas, as formas como as mulheres são mantidas, enclausuradas de forma física ou não, sob a forma de janelas e portas fechadas ou restritas aos olhares machistas, finalmente resolve ter acesso a ela. Será que por esse motivo a sociedade patriarcal mantém as mulheres afastadas, por que podem trazer o conhecimento? Talvez não haja um paradoxo celeste, mas uma forma velada de Deus mostrar como o homem é frágil. Quieto, calado, obedecendo, enquanto a mulher resolve ver o que está acontecendo.
Porém, aquela que dá a maçã para que Eva prove é uma serpente, mais uma no rol da culpa. Mas, também, podemos fazer uma pergunta sutil: afinal, o mal está no conhecimento que traz na maçã, ou o mal está naquele ou naquela que usa o conhecimento para seu desfrute individual. Em suma, a culpa está na maçã ou no seu portador?
A verdade, com certeza, liberta, mas que preço se cobra por essa liberdade. A diferença está no portador, sem dúvida. O conhecimento transmitido por cérebros, digamos, um pouco afastados de uma ética e respeito, é mais uma arma contra o receptor do que uma liberdade.
A procura da Verdade é uma arma poderosa contra nossos medos e receios. A curiosidade é um recurso importante, sempre se atualizar, reler, ponderar e criticar, colocar nossos valores e crenças em xeque. A verdade, trazida pelo conhecimento, é uma busca constante, e ter conhecimento é conhecer de verdade o portador, a fonte que vem até nós, muitas vezes travestida de serpente.
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Enquanto eu penso em você


O que você faz, enquanto eu penso em você? Você vai ao shopping e começa a olhar as vitrines, será que me imagina dentro de algumas dessas roupas, ou então imagina a roupa que poderia usar para poder me encontrar?
Enquanto eu penso em você, o que você imagina quando senta em um café e pede uma bebida que poderíamos curtir juntos, quem sabe colocando uma pitada daquele condimento desconhecido e que poderia me surpreender com um sabor inesperado, que me deixasse com o olhar perdido enquanto você riria com as minhas adivinhações absurdas?
Enquanto eu penso em você, você olha a sua carteira buscando as chaves do carro, apoiando a bolsa no seu joelho levemente levantado, com as minhas mãos lhe oferecendo apoio para que não caia, e o seu fingimento prolongando a procura, as minhas mãos firmes a te proporcionar um porto seguro?
Enquanto eu penso em você, você poderia estar na sua casa ouvindo uma música, aprendendo uma receita nova, procurando no jornal um lugar para viver a noite, uma peça de teatro, um novo filme, um show com um artista desconhecido, despontando em um barzinho perdido, mas badalado e famoso?
Enquanto eu penso em você, você abre a janela e olha a multidão passar abaixo do seu apartamento, apertada entre as luzes dos carros e das lojas, entre os barulhos de buzinas e conversas animadas, ou simplesmente em silêncio na sua casa vazia, ou então cercada de parentes, amigos, alguém que te interesse, algum vizinho, uma reunião de condomínio chata, preparando uma discussão ou um barraco com o dono do gato que importuna o passarinho que você mantém na varanda?
Enquanto eu penso em você, você estaria deitada no sofá da sua sala, ouvindo uma música, baixinho, se lamentando por que eu não disse o que você gostaria de ouvir, frustrada, chorando de raiva ou se consolando no ombro de alguém querido?
Enquanto eu penso em você, o que você gostaria que eu estivesse fazendo? Saindo da minha casa na direção da sua, pegando no telefone que você olha desolada, mudo, calado, sem sinal de vida?
Enquanto eu penso em você, você estaria pensando em mim? Enquanto eu penso em você, você imagina que eu existo?

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