complexo
amplexo
Mero reflexo
Desconexo
E que pode deixar perplexo
Quem lhe procura o nexo.
Não falo de sonhos. Não falo de pesadelos. Falo de pessoas.
Pessoas que por mim passam e não as vejo. Pessoas que deviam estar perto mas
estão longe. Que deviam ter um sorriso, mas não tem nem um esgar .Pessoas que
nem amo nem odeio. Que não me são caras nem adversas. Que tem a alma das coisas
perdidas. A tristeza no porte e no olhar. Pessoas que olham para dentro e tem
nuvens no semblante. Pessoas que não rasgam caminhos, mas que passam a vida a
andar. Pessoas sem rumo definido e sem passado vivido. Pessoas que são vidas
perdidas e nem sentem desejo de se reencontrar .Pessoas sem partir nem chegar.
Pessoas sem dar nem receber. Pessoas a quem faltou o sonhar.
O sol ilumina
Tudo aquece
Tudo engrandece
E a mim me anima.
O sol fascina,
A terra floresce
E o mundo esquece
A dura sina
Horas fagueiras
Que correm felizes
E inspiram poetas.
Horas primeiras
Forças motrizes
Das almas despertas
Mas porque não a alegria?
A esperança desponta
A felicidade assoma
O sol nasce em cada dia.
Mas porque não a alegria?
O mundo se descobre
A natureza renasce
Razões para a euforia
Mas porque não a alegria?
O inverno é passageiro
A primavera jubilosa
O verão traz acalmia
Mas porque não a alegria?
Na força da juventude
Na segurança da maturidade
Nem a velhice o impedia.
Mas porque não a alegria?
Na terra com serenidade
Nos céus com confiança
Pugnando pela harmonia.
Na vida em que vicejo
Tenho estranhos momentos.
Em cada hora revejo
Flutuantes pensamentos.
Dia que começa e acaba
Apontando ao futuro.
Dia de longa meada
Que se tece com apuro.
Vida que por mim passas
Meus sonhos não desfaças
Que me deixas inseguro
Não tenho mais pedidos
Nem desejos escondidos
Nem desígnio obscuro.
Canto hoje a minha vida de quedas
Com o zelo de um coleccionador de moedas
A minha primeira queda
Foi tiro e queda.
A minha segunda queda
Foi brutal e cega
A minha terceira queda
Foi um simples desarreda
A minha quarta queda
Foi como deslizar num escorrega
Ai, a minha quinta queda
Não a troco por qualquer moeda
A minha sexta queda
foi triste mas também leda
Minhas inúmeras quedas
Por veredas
Barrancos e alamedas
Às vezes são cinzas
Outras labaredas.
Nem nos Vedas
Há tão infindas.
Niso 4.6. 2014