niso

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n. 1940 PT PT

Pessoa de muitos versos mas que suspeita não ser poeta. Se calhar escrevo versos como se fosse filosofia, política, jornalismo ou...culinária. As pessoas dirão.

n. 1940-10-09, Vila de São Sebastião Terceira

Perfil
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Domingo

É um Domingo às avessas.

Escondes, não confessas.

Primeiro dia da semana?

Resposta não me peças.

É um domingo às avessas.

Eu findo, tu começas

É um domingo às avessas

Pelas ruas, pelas travessas

É um domingo às avessas

Se caminhas, tropeças

Se páras não recomeças.

É um domingo às avessas

Com vagar , sem pressas

Com mortos e com essas

Com caixões sobre tripeças

É um domingo às avessas

Mas da vida não te despeças.

Porque assim cessas

Com os domingos às avessas.

Niso 18.5.2014

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Poemas

47

Às minhas inumeráveis quedas


 

Canto hoje a minha vida de quedas

Com o zelo de um coleccionador de moedas

 

A minha primeira queda

Foi tiro e queda.

 

A minha segunda queda

Foi brutal e cega

 

A minha terceira queda

Foi um simples desarreda

 

A minha quarta queda

Foi como deslizar num escorrega

 

Ai, a minha quinta queda

Não a troco por qualquer moeda

 

A minha sexta queda

foi triste mas também leda

 

Minhas inúmeras quedas

Por veredas

Barrancos e alamedas

 

Às vezes são cinzas

Outras labaredas.

Nem nos Vedas

Há tão infindas.

 

Niso 4.6. 2014

 

 

426

Encontro comigo

Hoje, redescobri-me
no escritas. org.
Depressa apercebi-me
da distância enorme
Entre o que em letra
de forma
mais escondia
do que revelava
mais outrava
que mostrava
mais era outro
em simulado desporto
de estar vivo
e passar no crivo
do olhar de quem 
lia
e de longe
sorria
complacente
ou
indiferente
niso manhã
de agosto

4

Dos nomes

 

 

Nomes a mais

Nomes a menos

Nomes que tais

Nomes somenos.

 

Nomes, nomes só nomes

Nomes e cognomes

Pronomes em vez de nomes.

Por dentro dos nomes,

As coisas que os nomes

Nomeiam.

 

Renome que nome é?

É apenas o rasto do nome

Que é o nome que é.

 

Nomes a mais

Nomes a menos.

E se todas as coisas

Fossem iguais

Apesar dos nomes

Batismais?

 

O nome não afirma

Nem nega

Até pode ser

o pseudo-nome

(pseudónimo)

Que assim

 outra face enverga.

E mal se enxerga.

 

425

Des-décima a Ricardo Salgado

  1.  

    Pelo nome era Ricardo
    Pelo dinheiro ricaço.
    Para ainda maior vistaço
    Acrescentava o Salgado.
    Entre todos afamado
    Mais que todos mandante
    E o país impetrante
    Até lhe beijava os pés.

    Mas como pó se desfez
    Pese seu metal sonante.

    Niso 27.07.2014
339

Ora bolas!

Bola cá
bola lá
Assim não dá
Bola vai
Bola Vem
Tio Sam
sobressai
Bola no ar
Bola no chão
Resta-nos a consolação
das contas de somar
Arrancadas à Nani
Fintas à Ronaldo
Nem nos põe a salvo
O Varela como nunca o vi
331

Coisas da bola!

Quem diz sete diz Ronaldo

Quem diz sete por cento

É como lançar ao vento

Da copa, o desejado alvo.

Tem fama de portento

O número sete da seleção

Mesmo suando as estopinhas

Tanto as dele como as minhas

O pássaro parecendo na mão

Perdeu-se dentro das quatro linhas

316

As Nuvens


 

Maravilhosas vão as nuvens,

Maravilhosas vão;

Claras águas vão buscar,

Maravilhosas vão:

Que as vão buscar ao mar

Maravilhosas vão

 

Maravilhosas vão as nuvens

Maravilhosas vão;

Sulcando rápidas o céu

Maravilhosas vão

Como vaporoso véu

Maravilhosas vão

 

Maravilhosas vão as nuvens

Maravilhosas vão

Na sua cor carregada

Maravilhosas vão

Na tarde ensolarada

Maravilhosas vão

 

Maravilhosas vão as nuvens

Maravilhosas vão

No ar flutuando

Maravilhosas vão

Juntas em bando

Maravilhosas vão

 

377

Uma brincadeira do catano!


 

Ao meio dia

Com fulano

Tive um encontro

Do catano

 

Não fiquei ufano

Nem infeliz.

Mas foi um azar

Do catano.

 

Não se chama Elmano

Que nome terá?

Tem aspecto insano

Este catano

 

Como nódoa no pano

Sempre provoca

Um dano

Do catano

 

É humano

Ou sobre humano?

Este figurão

Do catano.

 

A este carcamano

Não fico preso

Mas também não desprezo

Co catano

 

Greco-romano

Não parece

Mas é antigo

Comó catano

 

Citadino ou paisano

De ano para ano

Parece mais balzaquiano

este catano!

 

Não sei se é muçulmano

Ou caucasiano

Mas tem um aspecto

Do catano

 

Com ar provinciano

E parecer leviano

Não passa dum marçano

Este catano

 

Seja moicano

Seja americano

Dá- se ares de soberano

Este catano.

Niso 22.5.2014

494

Endecha ao homem insubstituível


segundo Bertolt Brecht e Niso de Sousa

 

Se este homem insubstituível

se irrita,

 o céu e a terra seagita

 

Se este homem insubstituível

Espirra

Todo o mundo se constipa

 

Se este homem insubstituível

Dorme a sesta ou se distrai a olhar o mar

O mundo vacila nos seus alicerces

 

Se este homem insubstituível

tem dores abdominais

todo o mundo desata em grandes ais

 

Se este homem insubstituível

por momentos desfalece

a linha do equador estremece

a até o polo norte aquece

 

Se este homem insubstituível

Adoece

Põe toda a Igreja em prece

E toda a nação empobrece

 

Mas, se este homem insubstituível

Falece

No céu ninguém o reconhece

E na terra o seu corpo rapidamente

arrefece

E pala acção da  vérmina

- Única  que o  reconhece-

Apodrece

Da memória

Se esvaece

E no olvido

perece.

412

Rio de palavras

Sou um rio de palavras

Em luta constante

 contra a violência dassuas margens

 que são as ideias.

 

Sou um rio de palavras

Que teima em desmentir

Heraclito – o obscuro.

Banho-me uma e outra vez

Nas mesmas águas deste rio.

 

Sou um rio de palavras

 que nunca chega

a pressentir a sua foz.

Tanto pode desaguar

 Num mar vasto  de ideias

Ou num turbulento lago de emoções

 

Sou um rio de palavras

qual dicionário de milhões de entradas

mas demandando umas às outras

a riqueza dos seus signos

ou a pobreza das suas significações

 

Sou um rio de palavras

que desconhece a sua nascente

as palavras não nascem

derivam ao sabor da  corrente.

Niso 3.6.2014

 

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Luis Rodrigues

Amigo Niso, Não sei o que é isso de ser poeta, e menos ainda ter como profissão ser poeta. Mas sei o que é ver as coisas com poesia, e pela maneira como escreve o amigo também.