Lista de Poemas

Manhã

. A manhã chegou

 Dourada de sol e esperança

A noite passou

Em sono lento.

O dia não será diferente

Mas resta a confiança

Sempre presente

Em firme aliança

312

Des-décima a Ricardo Salgado

  1.  

    Pelo nome era Ricardo
    Pelo dinheiro ricaço.
    Para ainda maior vistaço
    Acrescentava o Salgado.
    Entre todos afamado
    Mais que todos mandante
    E o país impetrante
    Até lhe beijava os pés.

    Mas como pó se desfez
    Pese seu metal sonante.

    Niso 27.07.2014
323

Dos nomes

 

 

Nomes a mais

Nomes a menos

Nomes que tais

Nomes somenos.

 

Nomes, nomes só nomes

Nomes e cognomes

Pronomes em vez de nomes.

Por dentro dos nomes,

As coisas que os nomes

Nomeiam.

 

Renome que nome é?

É apenas o rasto do nome

Que é o nome que é.

 

Nomes a mais

Nomes a menos.

E se todas as coisas

Fossem iguais

Apesar dos nomes

Batismais?

 

O nome não afirma

Nem nega

Até pode ser

o pseudo-nome

(pseudónimo)

Que assim

 outra face enverga.

E mal se enxerga.

 

405

Ora bolas!

Bola cá
bola lá
Assim não dá
Bola vai
Bola Vem
Tio Sam
sobressai
Bola no ar
Bola no chão
Resta-nos a consolação
das contas de somar
Arrancadas à Nani
Fintas à Ronaldo
Nem nos põe a salvo
O Varela como nunca o vi
315

Coisas da bola!

Quem diz sete diz Ronaldo

Quem diz sete por cento

É como lançar ao vento

Da copa, o desejado alvo.

Tem fama de portento

O número sete da seleção

Mesmo suando as estopinhas

Tanto as dele como as minhas

O pássaro parecendo na mão

Perdeu-se dentro das quatro linhas

300

Domingo


 

É um Domingo às avessas.

Escondes, não confessas.

Primeiro ou último dia da semana?

Resposta não me peças.

É um domingo às avessas.

Eu findo, tu começas

É um domingo às avessas

Pelas casas, pelas ruas, pelas travessas

É um domingo às avessas

Se caminhas, tropeças

Se páras não recomeças.

É um domingo às avessas

Com vagar , sem pressas

Com mortos e com essas

Com caixões sobre tripeças

É um domingo às avessas

Mas da vida não te despeças.

Porque assim cessas

Com os domingos às avessas.

Niso 18.5.2014

431

O nada que é tudo


 

 

Não estou pensando em nada

Meu cogitar é do nada

Estou vivendo o nada

Na sua nudez emplumada

 

O nada antes de tudo

O nada acima de tudo

Não é nada, contudo

É tudo, sobretudo

 

O nada não é o que resta

Da soma nula da vida.

O nada é o que lhe empresta

A dimensão e a medida

 

O nada não é o limite

Não é nenhuma fronteira

Não é a negação, existe

Como o gonzo na ombreira

 

Do nada fez o criador

As coisas e o mundo

Matéria prima e valor

De todas as coisas o fundo

 

O ser e o nada

Se igualam

Na sua indeterminação.

O ser, o imediatamente

 Determinado

É na realidade o nada

E não a sua contraposição.

 

Não estar pensando em nada

É pensar o nada

Como objecto em geral

É dar a primeira passada

No domínio do transcendental.

 

Niso. 18.5.2014

 

451

Passado

Sonetilho 

Passado

 

Reviver o passado

Na paz

Que traz

O tempo recordado.

 

A memória do passado

Faz

E refaz

Mesmo o facto olvidado.

 

Dias que passaram

Recordações que não esquecem

Da vida vivida.

 

Momentos que recuperam

As horas, na margem

Da experiência esquecida.

416

Rio de palavras

Sou um rio de palavras

Em luta constante

 contra a violência das suas margens

 que são as ideias.

 

Sou um rio de palavras

Que teima em desmentir

Heraclito – o obscuro.

Banho-me uma e outra vez

Nas mesmas águas deste rio.

 

Sou um rio de palavras

 que nunca chega

a pressentir a sua foz.

Tanto pode desaguar

 Num mar vasto  de ideias

Ou num turbulento lago de emoções

 

Sou um rio de palavras

qual dicionário de milhões de entradas

mas demandando umas às outras

a riqueza dos seus signos

ou a pobreza das suas significações

 

Sou um rio de palavras

que desconhece a sua nascente

as palavras não nascem

derivam ao sabor da  corrente.

Niso 3.6.2014

 

327

As Nuvens


 

Maravilhosas vão as nuvens,

Maravilhosas vão;

Claras águas vão buscar,

Maravilhosas vão:

Que as vão buscar ao mar

Maravilhosas vão

 

Maravilhosas vão as nuvens

Maravilhosas vão;

Sulcando rápidas o céu

Maravilhosas vão

Como vaporoso véu

Maravilhosas vão

 

Maravilhosas vão as nuvens

Maravilhosas vão

Na sua cor carregada

Maravilhosas vão

Na tarde ensolarada

Maravilhosas vão

 

Maravilhosas vão as nuvens

Maravilhosas vão

No ar flutuando

Maravilhosas vão

Juntas em bando

Maravilhosas vão

 

361

Comentários (1)

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Amigo Niso, Não sei o que é isso de ser poeta, e menos ainda ter como profissão ser poeta. Mas sei o que é ver as coisas com poesia, e pela maneira como escreve o amigo também.