Pelo nome era Ricardo
Pelo dinheiro ricaço.
Para ainda maior vistaço
Acrescentava o Salgado.
Entre todos afamado
Mais que todos mandante
E o país impetrante
Até lhe beijava os pés.
Mas como pó se desfez
Pese seu metal sonante.
Niso 27.07.2014
. A manhã chegou
Dourada de sol e
esperança
A noite passou
Em sono lento.
O dia não será diferente
Mas resta a confiança
Sempre presente
Em firme aliança
Nomes a mais
Nomes a menos
Nomes que tais
Nomes somenos.
Nomes, nomes só nomes
Nomes e cognomes
Pronomes em vez de nomes.
Por dentro dos nomes,
As coisas que os nomes
Nomeiam.
Renome que nome é?
É apenas o rasto do nome
Que é o nome que é.
Nomes a mais
Nomes a menos.
E se todas as coisas
Fossem iguais
Apesar dos nomes
Batismais?
O nome não afirma
Nem nega
Até pode ser
o pseudo-nome
(pseudónimo)
Que assim
outra face enverga.
E mal se enxerga.
Quem diz sete diz Ronaldo
Quem diz sete por cento
É como lançar ao vento
Da copa, o desejado alvo.
Tem fama de portento
O número sete da seleção
Mesmo suando as estopinhas
Tanto as dele como as minhas
O pássaro parecendo na mão
Perdeu-se dentro das quatro linhas
É um Domingo às avessas.
Escondes, não confessas.
Primeiro ou último dia da semana?
Resposta não me peças.
É um domingo às avessas.
Eu findo, tu começas
É um domingo às avessas
Pelas casas, pelas ruas, pelas travessas
É um domingo às avessas
Se caminhas, tropeças
Se páras não recomeças.
É um domingo às avessas
Com vagar , sem pressas
Com mortos e com essas
Com caixões sobre tripeças
É um domingo às avessas
Mas da vida não te despeças.
Porque assim cessas
Com os domingos às avessas.
Niso 18.5.2014
Não estou pensando em nada
Meu cogitar é do nada
Estou vivendo o nada
Na sua nudez emplumada
O nada antes de tudo
O nada acima de tudo
Não é nada, contudo
É tudo, sobretudo
O nada não é o que resta
Da soma nula da vida.
O nada é o que lhe empresta
A dimensão e a medida
O nada não é o limite
Não é nenhuma fronteira
Não é a negação, existe
Como o gonzo na ombreira
Do nada fez o criador
As coisas e o mundo
Matéria prima e valor
De todas as coisas o fundo
O ser e o nada
Se igualam
Na sua indeterminação.
O ser, o imediatamente
Determinado
É na realidade o nada
E não a sua contraposição.
Não estar pensando em nada
É pensar o nada
Como objecto em geral
É dar a primeira passada
No domínio do transcendental.
Niso. 18.5.2014
Sonetilho
Passado
Reviver o passado
Na paz
Que traz
O tempo recordado.
A memória do passado
Faz
E refaz
Mesmo o facto olvidado.
Dias que passaram
Recordações que não esquecem
Da vida vivida.
Momentos que recuperam
As horas, na margem
Da experiência esquecida.
Sou um rio de palavras
Em luta constante
contra a violência das
suas margens
que são as ideias.
Sou um rio de palavras
Que teima em desmentir
Heraclito – o obscuro.
Banho-me uma e outra vez
Nas mesmas águas deste rio.
Sou um rio de palavras
que nunca chega
a pressentir a sua foz.
Tanto pode desaguar
Num mar vasto de ideias
Ou num turbulento lago de emoções
Sou um rio de palavras
qual dicionário de milhões de entradas
mas demandando umas às outras
a riqueza dos seus signos
ou a pobreza das suas significações
Sou um rio de palavras
que desconhece a sua nascente
as palavras não nascem
derivam ao sabor da corrente.
Niso 3.6.2014
Maravilhosas vão as nuvens,
Maravilhosas vão;
Claras águas vão buscar,
Maravilhosas vão:
Que as vão buscar ao mar
Maravilhosas vão
Maravilhosas vão as nuvens
Maravilhosas vão;
Sulcando rápidas o céu
Maravilhosas vão
Como vaporoso véu
Maravilhosas vão
Maravilhosas vão as nuvens
Maravilhosas vão
Na sua cor carregada
Maravilhosas vão
Na tarde ensolarada
Maravilhosas vão
Maravilhosas vão as nuvens
Maravilhosas vão
No ar flutuando
Maravilhosas vão
Juntas em bando
Maravilhosas vão