Um homem às margens de um lago Frente a frente com a imensidão, pensa Sozinho finalmente Discute, grita, fica mudo e se muda Ao se deparar com o imenso nada (ou imenso tudo?) Vê o reflexo na água: ele. Nu e puro Mesmo calada a boca, grita a alma Será que escuta? Ou se perde, se distraí, se aquieta. Quisera haver homem, rio, terra ou alma, alta o suficiente. Ou melhor ainda Quiser haver essência Que pudesse gritar E ser ouvida
segura os teus afetos acata teus escancarados monótonos dias situate-te recua, para e segura os teus afetos se fores sujeito, pertences ao tempo e o tempo anda dizimante sentes o choque? consegues ouvir? tuas retinas ainda tem o dom da projeção? então segura os teus afetos. se houver vida cabível ao teu ser onírico respira se te enroscas o agora o amanhã está a te esperar com um achorte e tu vais ficar parado porque perdestes a mobilidade diante de tantos desencaixes não te livrarás dos teus espasmos vais remoinhar e ser condenado ao desatino acalma-te.
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constantes movimentos de inquietude carregam os dias sob fechos de luz derramo-me sobre este crepúsculo infindo mas escondo-me das impressões diafragmáticas que me fazem quase sentir a morte
por que tudo corre? o resplendor me agride o seu modo de produção me agride mas respeito minha r-evolução me fundo àquelas simbólicas estátuas e todo o bronze espalhado pelo meu corpo faz de mim monumento monumento de lamento.
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momento buscando a peculiaridade das vistas à esquerda, um amigo tenta captar o tempo à frente, outro batuca à borda da mesa dentro - o ato incessante de desembaralhar os pensamentos ... roubei a bike de um bêbado que me bajulava e sai em busca de mim até bater barbaramente em minha face bidimensional - brochante - nada se faz no momento que tudo é - provérbio ilusório da minha mente inóspita vem bem no instante em que o incidente me insenta da inércia tento sair ilesa permanecer na premissa principal e fazer-me insólita mas na prolixidade, vou perdendo o princípio primordial da paz: o pedal.
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(EFÊ)meros
fazendo foto ofuscando o foco farejando a fauna do perfil fadigado o formigar infindo a fala fulgaz os fatos finais a falsa farsante de futuros frutos favos, felizes floridos ou fúteis o fálido fardo dos farelos faíscam e o fogo fatídico dá febre
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cisma:
sufocar as verdades com o ardor das pálpebras até que não me reste a obrigação de eclipsar-me e meu eu entre em completa emersão as palavras proferidas irão se extasiar e neste hermético ir e vir da minha vexatória (in)existência afundar-me-ei e o despertar será infindo.
renascerei e tu, caro leitor percebrás nossa relação categórica seremos íntimos e tu entenderás cada uma de minhas fantasmagorias porque estarás preso ao meu lugar secreto-arbitrário
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cinquentenário
forro forro forro delirante e emorfado nesse sábado deu-me o alarme diante completo desleixo como estás cansado... mas que não sejas para tanto prometo-te que não há de guardar mágoas forro forro forro enforrarei-me nas suas tábuas
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será que escuta?
Um homem às margens de um lago Frente a frente com a imensidão, pensa Sozinho finalmente Discute, grita, fica mudo e se muda Ao se deparar com o imenso nada (ou imenso tudo?) Vê o reflexo na água: ele. Nu e puro Mesmo calada a boca, grita a alma Será que escuta? Ou se perde, se distraí, se aquieta. Quisera haver homem, rio, terra ou alma, alta o suficiente. Ou melhor ainda Quiser haver essência Que pudesse gritar E ser ouvida
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sem título II
Se me encontro emerso Me sinto disperso. Desfaço, refaço E me erro. Se sou, ajo Se busco, acho Se não acho, largo. Não posso, mas quero Se não quero, me nego Mas me esforço, levo, e faço. Me faço. Me mesclo. E relaxo. De repente estou averso Me vendo exposto num verso Me sinto perverso Mas enxergo. Me enxergo. Transbordo. Exagero. Congelo. E depois...
Me cego.
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poesia à aliança de infância
no mais profundo dos meus seres clandestinamente há um ser solar que com constância me suplica à dança em dias nublados esse ser se acanha mas arbitrariamente com suas mãos em movimentos diretos me chama sempre firmando à memória que engano a mim somente.
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sem título I
espreito os olhares que me atentam. meu sol veste lua e a alvorecida noite bebe um pouco mais de mim o sonho fica despido e a lucidez se subtrai é quando durmo em ti e levito de tanto amar amar e amar armadura imbatível. espreito os olhares que me atentam.