O Silêncio

O Silêncio

n. 1993 BR BR

n. 1993-06-02, Niteroi

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Incompreensão

Lágrimas, não posso vê-las, mas estão lá
Existem no profundo da existência
Existência que faz queimar suas portas antes de sairem
Portas que se veem sozinhas, aflitas, com medo.
Medo de escuridão tão clara e palpável quanto a luz que ela emite.
Luz que se esvai ao por do sol e se enche de uma melancolia no ar pesado de uma noite fria.
Frio que bate no peito ao se sentir só e incapaz de fazer brilhar seu valioso cômodo.
Cômodo este que pulsa e vibra, que arde em gritos que se silenciam dentro de si mesmo, presos pela multidão de lágrimas.
Lágrimas, posso vê-las, estão aqui.
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Poemas

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Abismo

É apenas aquela grande distância
está sempre entre um coisa e outra
mas aqui só me afasta de mim mesmo
Apenas se reveste de aroma, fragrância

É um perfume delicado de adeus
que serve para se banhar dentro da alma
é comprimido para a palidez do ser
é analgésico para a vida afligida

Basta apenas que ela se mova um pouco
para que seja enganadora da proximidade
entre a vida, a tristeza, a falsa realidade

E aqui ele se impõe um pouco mais
a ouvir sorrisos e risadas por uma porta
tão poucos metros, mas são um abismo
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Incompreensão

Lágrimas, não posso vê-las, mas estão lá
Existem no profundo da existência
Existência que faz queimar suas portas antes de sairem
Portas que se veem sozinhas, aflitas, com medo.
Medo de escuridão tão clara e palpável quanto a luz que ela emite.
Luz que se esvai ao por do sol e se enche de uma melancolia no ar pesado de uma noite fria.
Frio que bate no peito ao se sentir só e incapaz de fazer brilhar seu valioso cômodo.
Cômodo este que pulsa e vibra, que arde em gritos que se silenciam dentro de si mesmo, presos pela multidão de lágrimas.
Lágrimas, posso vê-las, estão aqui.
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Querer

Só queria um telefonema
Uma mensagem talvez
Talvez um verso, poema
Ou música em inglês

Só dizendo que se importa
Que importância tenho eu
Que não vai fechar a porta
Ao precisar do abraço teu

E pra sentir que não estou só
E só dizer que está comigo
Dizer que tenho em ti abrigo

Mas na garganta tenho um nó
E nos meus olhos tenho sofrido,
Saudade do amor outrora amigo
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Silêncio

Não há som e nem sombra
Não há sol e nem soprar
Não há só uma penumbra
Não há silêncio ou chuva

Há em verdade a curva
Há de fato a ventania
Há uma escuridão além
Há motivos para ficar e sair

Talvez haja uma resposta
Talvez haja uma pergunta
Talvez haja um outro talvez

Não há e há ao mesmo tempo
Há um profundo e oculto alento
Perdido aqui, mas em silêncio
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Depressão


É sentir-se sozinho quando não se está
É ter motivos pra sorrir e não conseguir
É não ter motivos pra chorar mas sem ver
é lá que a lágrima guardada caída está

Não é como um controle remoto de TV
Não é o canal com filme para se trocar
Não é como fechar os olhos e sonhar
Não é como deixar de sonhar para viver

É ter medo da morte e desejar morrer
É vontade, a vontade súbita de vencer
É o afogar da voz presa na garganta

É apenas mais um pedido de socorro
É só mais uma desculpa com outras
É só mais um abraçar do desespero.
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