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Inevitavelmente

Língua preta, pulmão negro, enema de espírito.

Bastão branco que me acaba. Chama que mata.

Suéter cinza que eu visto. Sinto-me um fantasma

Vagando e vagando por vidas, sem toca-las.

O tempo nos trata como um fantoche mudo.

E tudo que podemos fazer, é nos sentir esmagados.

Quando me dou conta, estamos todos morrendo sobre o céu azul.
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Poemas

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Inevitavelmente

Língua preta, pulmão negro, enema de espírito.

Bastão branco que me acaba. Chama que mata.

Suéter cinza que eu visto. Sinto-me um fantasma

Vagando e vagando por vidas, sem toca-las.

O tempo nos trata como um fantoche mudo.

E tudo que podemos fazer, é nos sentir esmagados.

Quando me dou conta, estamos todos morrendo sobre o céu azul.
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Cocadas mofadas

Entrei no ônibus e olhei a janela com olhos cansados da paisagem

Abri a porta e cheguei em casa, contemplando as cores da saudade

Antes minha casa fosse azul-piscina do que esse amarelo desbotado

Com tudo absolutamente caindo aos pedaços, inclusive eu.

As cocadas mofadas na gaveta ainda esperam você chegar

Dissestes que tinha hora e deveria partir agora, e não poderia me levar.

A saudade me corroeu mais do que os fungos impregnados no doce

E minha alma se esfarelou como restos de açúcar mascavo

Meu corpo mofou como os pedaços daquela cocada.

Mas ainda sigo esperando como se não tivesse acontecido nada

Eu só peço que, se nada deu restar, se a saudade me levar ao mar

Que eu possa ao menos ver teus olhos novamente.

 

 

E a saudade se bate, se prova se guarda e cresce igual a uma massa.
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