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n. 2004 BR BR

"O amor não é amado" São Francisco de Assis

n. 2004-11-29, São Paulo

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Rosa do Deserto

Quando no comum não há mudança,
Busco ao redor para buscar esperança
Foi quando uma rosa vi em meio a monção,
E me remeteu uma antiga canção.

Era sobre um homem que buscava o amor,
E que por longos anos lutou,
Foi quando um velho com uma flor apareceu,
E finalmente, o amor ele entendeu.

A rosa por aí andava,
Com véu grená, desengonçada, 
Com longas roupas róseas, escondia
Segredos que por anos mantinha.

Cada olhar seu era um amanhecer,
Que de água serviu ao meu ser.
Nesse longo deserto que irei passar,
Dessa linda rosa irei sempre lembrar.
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Poemas

18

Por você, lesma

Ian, doce Ian
Fico estarrecida com tua beleza,
Penso em ti, e me torno uma lesma,
Leve-me, Lieutenant.

Ian, doce Ian,
Há poucas rimas para encontrar
Com esse teu nome singular,
Resta-me buscar na pátria alemã.

Em palavras tentarei dizer
O amargo futuro
Em que não poderei te ver.

De vista perderei teus olhos puros
E terei que lembrar, diariamente,
De ti, amargamente.
416

Alma supostamente violada

Sendo arrastado, segue o meu coração,

Levado por corvos, nesse imenso lixão,

Apodrecido e leproso, foi abandonado,

Fora aborrecido, deixado para o 3° Estado.

 

Deus, não deixa minha mãe morrer,

Nu saí do ventre dela, como tornarei?

Embaraçado o sentimento que me afasta do crer,

Ainda que eu não te conheça, continua a me ver.

 

Uzias morreu para a nação de Israel,

Grande rei, mas sua herança estava no céu.

Deus meu, não sou Isaías para seguir legado,

Tenha misericórdia de mim de acordo com o seu mandado.

 

Foram martelados os pregos da indiferença,

Longe de mim! Condenados com eterna sentença.

Meu coração, ao seu pertence,

Não me deixe tão só, tão carente.
407

Pélago iroso

Quão agradável seria poder
Quebrar o relógio,
Sem pausa para velório,
Para viver o instante, sem o deter.


Não és o rei deste tempo,
Nem senhor destas margens
Por isso me olhas como selvagem,
Mesmas origens, não te detenho.


Conto vidas até a volta da tempestade,
Pois é no quebrantamento das ondas,
Que posso sentir tua presença nas margens.

 
Agora, me coloco em plena ronda,
Porém, a vida atenta tem suas vantagens,
Ninguém sabe do mar e suas vontades.
473

Beulá ao Luar

Cenas noturnas que me invadem a mente,
Que tiram até o jeito de Selene,
Que parou suas perfeitas sonatas ao luar,
E acordou Beethoven, ao nos ver passar.

Mordeu os lábios e se debruçou
Em nuvens aniladas, vários tons,
Ao contemplar os gracejos que me cantava,
Ao sentir a pureza da tua imaculada alma.

Porém, a deusa se embraveceu,
Pois, a noite que dantes era toda umbrosa,
Do teu vigor tomou, depois de muito cortejo teu.

Sem tua conceição, trouxe-me flóreas brisas,
Suave e fino vento,
Que nunca se desfia.
414

Olhe bem, anta!

Como podes dizer
"Que belo par de olhos minha senhora tem!"
Quando que a primeira que passa no alvorecer
Te leva a fantasias do além?

Por enquanto, andas belo, rechonchudo,
Corado, cheio de vida,
Mas mal te espera o infortúnio,
No qual só sobrará tua fiel margarida.

Te deleitas em seus abraços e carícias,
Mas no meio da madrugada, os esquece,
Buscando suas próprias malícias.

Imaculada e doce é a que te ama,
Ainda que o carinho dela seja jogado na lama,
Bem aventurados são aqueles que arrumam a própria cama!
485

Maldito trabalhador

Quando cai no chão a semente,
Já pensa o semeador, prontamente,
"A primavera muito promete",
Ao pisar o pé em casa, só falta matar o pivete.

Se o Senhor não edificar a casa
Em vão trabalham os que edificam,
Mas o agricultor muito abre as asas,
E ao trabalhar, esquece os que ficam.

Pois bem, tu que és bem semeada,
Da mais pura e virgem cevada,
Pare de reclamar da estação
E te lembras bem da imaculada paixão.

Apalpa com os olhos frutas vizinhas,
Com ruindade, acompanha outras vinhas,
Maldita! Olha para o presente em teus arados,
Já te aguardam os frutos, doces e amados.
461

O SIGNIFICADO DA CONTEMPLAÇÃO

Em meio a sinos e serpentinas,
Orarei sempre, na matina
A Deus e os santos que tanto confio
Que eu nunca me esqueça do flóreo arrepio.

Do cheiro que me impregnou a alma,
Do calor que agitava minha praia,
Da suave brisa de sua presença,
E do corpo, que me parecia a antiga Florença.

Recheada de artistas e de vigor criativo,
Me recordo de ti por muitos motivos.
Por mais que seja única a emoção que a alma sinta,
Como quadro em processo, teu cheiro emana várias tintas.

Obra de arte, consagrada a ser amada
Com teu simples andar, me deixa encantada,
Me torno finalmente enamorada da contemplação!
Depois de te ver, me encontro são.
450

Ósculo do Santo Espírito

O beijo que desperta
Beijo que transforma
Que me carrega
E que me traz a forma.

Toque que acalma
Que derrete a alma,
Segredo que se esconde
No coração de cada brutamonte.

Maciez que desatina,
Destrói, com sopro suave,
Toda areia movediça.

Sim, acalma toda tempestade,
Protege da tirania,
E cobre o coração de Maria.
466

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