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"O amor não é amado" São Francisco de Assis

n. 2004-11-29, São Paulo

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Rosa do Deserto

Quando no comum não há mudança,
Busco ao redor para buscar esperança
Foi quando uma rosa vi em meio a monção,
E me remeteu uma antiga canção.

Era sobre um homem que buscava o amor,
E que por longos anos lutou,
Foi quando um velho com uma flor apareceu,
E finalmente, o amor ele entendeu.

A rosa por aí andava,
Com véu grená, desengonçada, 
Com longas roupas róseas, escondia
Segredos que por anos mantinha.

Cada olhar seu era um amanhecer,
Que de água serviu ao meu ser.
Nesse longo deserto que irei passar,
Dessa linda rosa irei sempre lembrar.
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Poemas

18

Rosa do Deserto

Quando no comum não há mudança,
Busco ao redor para buscar esperança
Foi quando uma rosa vi em meio a monção,
E me remeteu uma antiga canção.

Era sobre um homem que buscava o amor,
E que por longos anos lutou,
Foi quando um velho com uma flor apareceu,
E finalmente, o amor ele entendeu.

A rosa por aí andava,
Com véu grená, desengonçada, 
Com longas roupas róseas, escondia
Segredos que por anos mantinha.

Cada olhar seu era um amanhecer,
Que de água serviu ao meu ser.
Nesse longo deserto que irei passar,
Dessa linda rosa irei sempre lembrar.
311

Sem chave

Se me visse agora
Com certeza iria gargalhar,
Porque dantes liberei a pólvora,
E agora me coloco a pensar.

Já posso escutar altos risos
Apenas em revisar antigos suspiros.
Te vendo nos olhos de um lutador...
Tua risada me traria grande dor.

A realidade foi posta a mesa,
Cá estou a esperar os convidados,
Espero que você chegue para a sobremesa.

Desisto de me impor preocupações,
Ainda que eu tente abrir o cadeado,
Fico a pensar em nossos (?) corações.
330

Companhia inócua

Se por ventura teme a morte,
Que pena de você tenho,
De nada valerá todos seus anos no engenho,
Quando tua alma passar pelo extremo norte.

Sem tua permissão,
Numa cama de terra te deitarão.
Larvas e fungos irão corromper
O corpo que você tanto batalhou para ter.

Há um mundo que não espera,
Ele não se esconde debaixo da terra,
Mas é oculto aos que decidem viver
Sem perspectiva de um dia morrer.

Se me resta um último pedido a ti,
É que entenda a caroável visita.
Que de porta em porta, sempre diz:
Memento Mori.
356

Gesundheit

Já é noite
E me permeia um leve aperto no peito,
Parece que a dor encontrou sua casa de veraneio
Trazendo suas armas, preparando o açoite.

Que posso eu fazer?
Se essa dor acaba por me trazer prazer
E transforma toda essa dura muralha
Em grandes paredes de palha.

Gosto de em ti pensar,
Mas a primeira vigília nem pensa em acabar,
E já me apresso para poder deitar.

A culpa é minha,
A pressa esmagou a joaninha,
Que nem conseguiu terminar a poesinha.
367

Decisão?

Para onde ir?
Me abrigar num ninho de ignorância
Ou buscar em chaves sua confiança?
O que acudir? O que abolir?

Não me venha com vãs filosofias,
Ou com palavras que levem ao céu,
Sei como termina cada rima,
Só preciso que me entregue o réu.

Dá me uma casa, um lar,
Aonde posso contigo me encontrar,
Em que a dor não vai mais importar.

Por um tempo, irei me afastar,
Ver o que decide ficar,
E o que decide levar.
399

Infantilidade

Me nego, me nego a acreditar
Naquele que vejo ainda caminhar. 
Insisto, persisto em não ver
Ainda que a imensidão azul emane você.

Não quero falar, nem respirar
Tendo ciência de que você está por aí
Me esperando para tudo acertar,
E me lembrar de tudo que te traí.

O amanhã é uma tragédia,
Nem mesmo a merda de uma comédia,
Exala sujeira e muita asneira.

Como posso eu profetizar?
Nem me venha com tuas profecias "verdadeiras"
Se nem do meu lugar posso me levantar.
359

Negação

A cada passo que dou na terra
Ouço seus suspiros na guerra
Ao tentar me esconder na caverna,
Chegas com milhares de sóis e lanternas.

Por que tem que ser assim?
Vem sempre atrás de mim.
Nego tua existência e toda materialidade,
Inevitavelmente me faz ver mais da tua fidelidade.

Que fidelidade é essa que me atormenta?
Que arrasta o corpo morto pelo verde pasto,
Parecendo sutil, mas ainda violenta.

Que posso diante de ti argumentar
Se todos meus tremores tornam meu corpo nefasto
E não posso ainda sentir como é te amar?
369

Vazio II

No assento etéreo onde está,
Sei que meu clamor pode escutar,
Que, por infelicidade, é estridente e causa surdez,
E seca o pranto da minha alma toda vez.

Por alguma ventura da vida,
Não sei mais se essa me parece corrida,
Os dias passam como aves no céu,
E o vazio se adentra, como o dedo no anel.

Ao olhar o céu, posso ser engolida
Pela tua imensidão, fico estarrecida
Pressinto, e espero, que lamentariam pela minha ida.

Porém, em palavras, posso finalmente expressar
De volta, o doce sentimento que é te amar,
Estarei em seu meio, de volta ao Lar.
374

Cornucópia

Com um rosto como o teu,
Nem olhar para o céu precisaria
Pois em ti veria
A tenra vontade de meu eu.

Lindos contornos,
Sem muitos adornos,
Apenas a moral diadema,
Que te enfeita a cabeça.

Cabelos macios,
Que remetem a milhares de ovelhas,
Com mais que dourados fios.

E estes lindos olhos
Que mal pude contemplar,
Se visse, já estaria no lagar.
414

Eu e o lagar

Não sei que pedir,
Nem imaginar,
Nesse presente amargo,
Espremida nesse lagar.

Quando eu penso em sonhar,
Logo vem a fenda,
Me mostrar a lenda,
E me colocar em meu lugar.

Ainda assim, espero o dia
Em que poderei cantar
A doce sinfonia.

Sem instrumentos, nem lugar,
Nem regras para estragar.
Só eu e o lagar.
382

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