paty_leite

paty_leite

n. 1990 BR BR

Escrevo por amorEscrevo para dar vazãoAos sentimentos que viram palavrasQue vêm do meu coração.

n. 1990-05-24, Rio de Janeiro, RJ

Perfil
11 342 Visualizações

Perdida

Eu estou perdida
Perdida nos sussuros que saem da sua boca indecente
Ao meu pé do ouvido
Perdida nas palavras doces 
Mescladas às coisas safadas e quentes
Que vem da sua voz envolvente
Alternando com beijos suaves
E seus gemidos mais ardentes

Eu estou perdida
No seu olhar apimentado
Delineando as curvas do meu corpo suado
Com suas pupilas dilatadas
Observando o visual dos nossos movimentos
Que a meia luz proporciona
Dentro do seu quarto

Eu estou perdida
No seu toque apaixonado
Que causa umas sensações
Beirando o inexplicável
Que a minha boca
Entreaberta
Não conseguiria falar
Pois eu também não consigo segurar
O que está acumulado

Eu estou perdida
Mergulhada no seu prazer
Alucinada
Pois eu sei que também faço você tremer
E você enlouquece
Com as minhas unhas arranhando você
Não conseguimos conter

Eu estou perdida
Sem saber onde eu começo
E você termina
Pra ser honesta, nem quero saber
Quero me perder todo o dia
Me entregar intensamente
Memorizando tudo o que estou vivendo com você

Deleite-se
Deite-me
Na sua cama
Faça-me perder o caminho
Pra eu nunca mais voltar de onde eu vim.
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Poemas

3

Jantar (Primeira Vez)

Sexta feira
Fim de expediente
Você me convida
Para um jantarzinho surpresa
Tudo feito no seu apartamento
Com direito à sobremesa

Duas taças
Um vinhozinho
Muitos sorrisos sob a mesa
Entre uma garfada e outra
Você olha discretamente
Para a minha boca

Entre um gole e outro
Você tira a minha roupa
Com seus olhos insinuantes
Pelo menos, por enquanto
Achando que eu não ia observar
Ou adivinhar
A verdadeira intenção desse nosso jantar

Depois da gente brindar
E a comida saborear
Você diz que tem algo preparado
Eu fiquei meio tensa
Pois estava tudo no seu quarto

Você pediu para eu fechar os olhos
Me guiou até chegar lá
Ao abrir a porta, senti o clima de romance
Que fez meu coração disparar

Dei de cara com velas vermelhas acesas
Que deixaram um aroma agradável no ar
No chão, rastros de pétalas de rosas
Que terminavam em cima da cama
Vi morangos com leite condensado
No criado mudo
E uma música gostosa
Tocava ao fundo

Eu tive certeza
Que tudo já havia sido
Planejado de antemão
Não foi à toa o convite surpresa
Numa noite de sexta
Tudo tinha uma razão
Seria a primeira vez

Então, do saboroso jantar
Partimos pra deliciosa sobremesa
Que só foi terminar de manhã.
78

Sobremesa

Na minha vida eu já provei
Pudins
Pavês
Tiramisù
Petit gateau
E até crème brûlée
Mas nenhum doce desses
Do mais simples
Ao dos chefes franceses
Se compara
Ao gosto doce
Do beijo da sua boca
Não há nada igual.
184

Fantasia Textual

Tudo começou com um parágrafo

Um simples espaço

Quando tudo era vácuo

E a história se iniciou

Fomos escrever

Você me apresentou verbos

Um tanto quanto diferentes

Parte da minha vida eles não faziam

Eu nem sabia que existiam

Havia muitas vírgulas

Histórias mal contadas

Erros de português

Falta de concordância

Ah, mas você...

Trouxe tantas palavras

Me trouxe catarse

Onomatopéias

E interjeições

Caramba! Poxa vida!

Você me fez mudar

Criar um hábito diferente

Mudar pontos de vista

Para fazer a caneta dançar

Na folha pautada

Você, meu conto de fadas

A fantasia que eu sonhava em realizar

Textualmente me enlouquecendo

Com seu sarcasmo me satisfazendo

Com seu humor me preenchendo

Nunca pensei que poderia aguentar

Achei que não chegaria lá!

Ironia dessa vida

Eu que nunca coloquei ponto final em nada

Pois jamais consegui terminar

Tudo aquilo que eu começava

Ah, mas você...

Se tornou o sujeito preferido das minhas orações

E eu me coloquei nos predicados

Me fiz em rimas

Me transformei em pontos de exclamação

A cada declaração

Somos dois pontos: enamorados

Eu tento descrever

Tudo o que estou sentindo com você

Minha mente viaja

Eu não paro mais de escrever

Cada beijo seu

Vira um poema

Cada toque é poesia

Nessa minha textual fantasia

Na qual você sempre fez parte

Em inúmeras noites tão vazias

Ah, você...

Me ajudando a escrever

Mudando o pronome

Fazendo o "eu"

Virar "nós"

E não vejo a hora de ficarmos a sós

Para que não haja pontas soltas nessa história

De dois personagens

Com tanto para viver

Inventar e criar

Para amar e celebrar

Amar...

O tal verbo que sempre quis conjugar

Sempre presente em meus textos

Você me fez sentir

Então, chega de me prolongar

Na minha loucura de linguagem

Dessa fantasia textual

Você é meu

E ponto final.
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Comentários (3)

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Rosangela
Rosangela

Muito bom

jhuddy

lindo poema

Michel Gailard

Um notável texto de sua autoria Poeta PATY LEITE, bom dia! Li este seu texto “PEIXE FORA D’ÁGUA” e gostei bastante de sua forma de se expressar. Você é uma daquelas pessoas que sabem o que, e do que está falando. Mesmo sendo agente literário, e prestando serviços para várias editoras, recentemente publiquei alguns de meus escritos em uma antologia produzida pela Editora Palavra é Arte. O sistema que eles utilizam para o edição de livros é algo inédito. Nós autores não gastamos nada com produção da obra. Os exemplares nos são disponibilizados no sistema de venda consignada. Isto quer dizer que se alguns exemplares não forem vendidos, podemos devolvê-los, e estes serão doados a bibliotecas públicas e presídios, inclusive das cidades onde moramos. Como gostei muito da forma como você escreve, pedi permissão à editora para convidar você e mais oito outros autores, para participarem de uma das próximas edições. Se um de seus objetivos quanto à Literatura é ter seus textos publicados em forma de livro impresso, acredito que esta seja uma boa oportunidade. Por isto peço permissão para que façam contato com você e lhe enviem o material referente à publicação. Espero que desta forma, eu esteja retribuindo a sua amizade. Se for dar resposta a esta minha mensagem, gostaria de pedir-lhe que, por gentileza, envie sua resposta para o meu e-mail pessoal que é este: [email protected] Um abraço fraterno, Marc Burnier