Eu estou perdida Perdida nos sussuros que saem da sua boca indecente Ao meu pé do ouvido Perdida nas palavras doces Mescladas às coisas safadas e quentes Que vem da sua voz envolvente Alternando com beijos suaves E seus gemidos mais ardentes
Eu estou perdida No seu olhar apimentado Delineando as curvas do meu corpo suado Com suas pupilas dilatadas Observando o visual dos nossos movimentos Que a meia luz proporciona Dentro do seu quarto
Eu estou perdida No seu toque apaixonado Que causa umas sensações Beirando o inexplicável Que a minha boca Entreaberta Não conseguiria falar Pois eu também não consigo segurar O que está acumulado
Eu estou perdida Mergulhada no seu prazer Alucinada Pois eu sei que também faço você tremer E você enlouquece Com as minhas unhas arranhando você Não conseguimos conter
Eu estou perdida Sem saber onde eu começo E você termina Pra ser honesta, nem quero saber Quero me perder todo o dia Me entregar intensamente Memorizando tudo o que estou vivendo com você
Deleite-se Deite-me Na sua cama Faça-me perder o caminho Pra eu nunca mais voltar de onde eu vim.
Verdades não ditas Que são doloridas Facilmente decifradas Que gritam pelo olhar
Verdades não ouvidas De palavras ressentidas Facilmente percebidas Pelo jeito de falar
Você tenta e disfarça Mas é a mim que quer amar Fez uma troca consciente Pois ela era mais conveniente Mas é no meu abraço que você quer morar
Ela te acaricia de um modo insistente Sabe que tem outra na sua mente Você não tem capacidade de esconder Que meu homem você gostaria de ser
Você a beija de um jeito inconsequente Faz isso na minha frente Mas do meu toque diferente Você não consegue esquecer
E eu jogo essa verdade na sua cara A tensão é latente Seu coração dispara Só de pensar em me ver
Você trabalha seu autocontrole Pra não me agarrar, pra não me beijar Seu eu passar e olhar pra você
Verdade seja dita Seja escrachada Seja gritada Seja ouvida Você ama me querer
E a verdade é que você está com ela Porque ela é rica Mas tem que fazer com ela O que eu fazia com você Só que jamais será igual
Que pena Você escolheu assim Ficou com ela, se sentindo sozinho Sem o meu calor Sem o meu fogo Sem mim.
122
Memórias de Um Poeta Falecido
O que fazem essas pessoas aqui? Por que choram em cima de mim? Que eu me lembre eu era motivo para rir
O que fazem todas essas pessoas aqui? Muitas delas mal me cumprimentavam quando eu passava Fingiam que não me viam Mal me olhavam Então, por que choram agora?
Eu era só mais um Um, chamado de louco Que escrevia para uns poucos Porque nem todos tinham a capacidade para entender
O que essas pessoas fazem aqui? Me olham com pesar Como se assim Pudessem se desculpar Mas não adianta mais nada Agora que a vida acabou Parece que choram mais pelo remorso Do que pela tristeza de alguém que se foi
Eu era só mais um Um simples e reles poeta Que nunca foi considerado ou lido Que agora só está sendo lembrado Porque morreu
Ah, se eu pudesse me levantar daqui! Ou se alguém aqui pudesse me ver agora Eu enxotaria a todos! Diria: "fora daqui, seus tolos!" Nenhum deles nunca fizeram questão de mim em vida... O que fazem aqui, então? Por que ousam chorar no meu caixão?
Gente hipócrita Que só enxerga valor e bondade em alguém Quando esse alguém aqui não mais está.
485
Quero Tu
Quero tu Sem história Sem demora Sentimento nu
Quero tu Tua alma Teu corpo Navegar de norte a sul
Amo tu, preto Amo teu jeito de olhar Amo teu beijo Amo teu cheiro
Quero tu, nego Me pedindo pra ficar Sem hora pra terminar Sem me deixar no sossego
Amo teu cabelo Quero teu zelo Amo deitar no teu peito Acarinhar teu pêlo
Quero tu Dia e noite Bem e mal Sim e agora
Amo tu Tua falta é meu açoite Teu jeito natural Arrepia meu corpo afora
Quero tu Amo tu Sou de tu
Quero tu dizendo "sim" Quero tu pedindo mais Amo tu me amando assim Amo tu dizendo "faz" Quero tu até demais.
496
Mão Amiga
A mesma mão que puxa É a mesma mão que deixa cair A mesma mão que afaga É a mesma mão que bate Não fisicamente Você me bate com atitudes Você me bate com palavras Sendo que eu precisava do seu ombro pra chorar Não sinto sua mão amiga Não sinto seu pulso firme para me segurar Se eventualmente eu cair
O caminho que fiz Tudo o que aprendi foi sozinha Você não guiou os passos Você não me ensinou como passar pela tempestade Tive que molhar a cara na chuva e ver por mim mesma Você me escondeu Como um bicho indefeso Como aquele pássaro no ninho que não sabe voar Mas nem para o vôo você me preparou
Não sinto sua amizade Não percebo seus sentimentos Você vive num universo paralelo Onde tudo é perfeito Onde tudo está sempre certo Não tenho sua mão amiga Me sinto com as mãos vazias
Você me deixou marcas Você acha que tudo é bobagem Você sempre insinua que a culpa é minha Mão adversária Mão inimiga Mão que não acaricia Braços que não abraçam Repulsam, afastam Batalhamos ao invés de jogar juntas Lutamos e ninguém ganha essa guerra
A mão que deveria acompanhar, afasta Mão que vai à boca e cala Mas quando não cala, acusa Mão que aponta Mão que me julga Não precisa mais na minha mão segurar Tive que aprender sozinha a andar.
219
Principal Personagem
Toque Deixe as mãos pelo corpo deslizar Sente cada parte, cada pêlo se arrepiar Sente cada curva, cada polegada Esquece do tempo Não pensa em parar Deixe suas digitais Registradas na minha pele Meus cabelos na sua roupa, nos seus dedos Se permita identificar
Beije Deixe seus lábios os meus saborear Sente minha língua, meus dentes no seu paladar Feche seus olhos Sente meu cheiro pelo ar Esquece do mundo Vamos continuar
Só há você e eu aqui Se permita me abraçar Sente meu corpo envolvendo o seu Ouça nossos corações batendo juntos Não é só um momento É uma arte Onde você é o principal personagem
Esteja aqui e agora Fica comigo Não vá embora É cedo, meu bem Eu quero provar mais Eu esperei por esse instante Eu imaginei, te desejei Sei que vai acabar Mas me deixa te aproveitar
Se afasta mas volta Respira, me olha Me diz que podemos continuar Me toque, me beije, me ame Quero suas marcas Quero seu cheiro E que tenha mais De novo e de novo Não vou mais te largar.
158
O Som do Mar
Fecho meus olhos Me permito contemplar Cada sonoridade de sua música Que as ondas gostam de bailar
Ouço com atenção plena O som do mar Cada batida na arrebentação Cada carícia na areia Seus bemóis e sustenidos naturais Numa canção angelical
Tons relaxantes Que até me permitem na areia meditar Cada detalhe regido pelo mestre Deus Da orquestra da natureza Som que nem o melhor dos músicos seria capaz de compor
Abrindo os olhos Vejo o balé das ondas com seu som Cada uma para um lado Mas tudo muito bem organizado
Verdadeiro espetáculo gratuito E eu na primeira fila Aplaudindo de pé mentalmente Uma dança orquestrada sem ensaios Natural como deve ser Com o céu azul como cenário E as gaivotas como meras espectadoras.
Um notável texto de sua autoria Poeta PATY LEITE, bom dia! Li este seu texto “PEIXE FORA D’ÁGUA” e gostei bastante de sua forma de se expressar. Você é uma daquelas pessoas que sabem o que, e do que está falando. Mesmo sendo agente literário, e prestando serviços para várias editoras, recentemente publiquei alguns de meus escritos em uma antologia produzida pela Editora Palavra é Arte. O sistema que eles utilizam para o edição de livros é algo inédito. Nós autores não gastamos nada com produção da obra. Os exemplares nos são disponibilizados no sistema de venda consignada. Isto quer dizer que se alguns exemplares não forem vendidos, podemos devolvê-los, e estes serão doados a bibliotecas públicas e presídios, inclusive das cidades onde moramos. Como gostei muito da forma como você escreve, pedi permissão à editora para convidar você e mais oito outros autores, para participarem de uma das próximas edições. Se um de seus objetivos quanto à Literatura é ter seus textos publicados em forma de livro impresso, acredito que esta seja uma boa oportunidade. Por isto peço permissão para que façam contato com você e lhe enviem o material referente à publicação. Espero que desta forma, eu esteja retribuindo a sua amizade. Se for dar resposta a esta minha mensagem, gostaria de pedir-lhe que, por gentileza, envie sua resposta para o meu e-mail pessoal que é este: [email protected] Um abraço fraterno, Marc Burnier