Eu estou perdida Perdida nos sussuros que saem da sua boca indecente Ao meu pé do ouvido Perdida nas palavras doces Mescladas às coisas safadas e quentes Que vem da sua voz envolvente Alternando com beijos suaves E seus gemidos mais ardentes
Eu estou perdida No seu olhar apimentado Delineando as curvas do meu corpo suado Com suas pupilas dilatadas Observando o visual dos nossos movimentos Que a meia luz proporciona Dentro do seu quarto
Eu estou perdida No seu toque apaixonado Que causa umas sensações Beirando o inexplicável Que a minha boca Entreaberta Não conseguiria falar Pois eu também não consigo segurar O que está acumulado
Eu estou perdida Mergulhada no seu prazer Alucinada Pois eu sei que também faço você tremer E você enlouquece Com as minhas unhas arranhando você Não conseguimos conter
Eu estou perdida Sem saber onde eu começo E você termina Pra ser honesta, nem quero saber Quero me perder todo o dia Me entregar intensamente Memorizando tudo o que estou vivendo com você
Deleite-se Deite-me Na sua cama Faça-me perder o caminho Pra eu nunca mais voltar de onde eu vim.
O quarto não está vazio Já mudei os móveis de lugar Trouxe umas roupas minhas Uns sapatos e outras coisas Para de outro jeito arrumar Trouxe um espelho E uma cadeira pra se sentar
O quarto não está vazio O armário ainda está Pelo menos, por enquanto Ainda estamos arrumando O espaço que você deixou
O quarto não está vazio Mas por que então Eu só sinto o peso da ausência Ocupando o meu coração?
Eu não queria arrumar o quarto de outra forma Ou trazer minhas coisas pra cá Não queria doar suas roupas Sua cama, seu colchão Queria que você estivesse aqui pra usar
Pra sorrir, fazer fotos Com os filhos, netos, bisnetos Aproveitar a vida e se divertir Até há pouco tempo atrás Foi o Natal Que passou e eu nem vi
O quarto foi rearrumado Mas tudo o que eu consigo sentir É a ausência Você não está mais aqui
Não importa quantos móveis eu coloque Ou o que eu mude de lugar Você não está mais aqui Pra me dizer: “Deus abençoe” Antes de eu dormir
O quarto pode não estar vazio Mas a sensação é de que tudo está O apartamento não é mais o mesmo E nem nada mais será.
Poema dedicado à minha amada vózinha que me deixou… Só fisicamente. Em espírito, ela continua aqui. Eu te amo, vó.
54
Cala
Minha boca cala Não consegue dizer nada Mais nenhuma palavra
Minha boca cala Não permite nem que eu minta Minha boca agora Só sente o gosto Da sua língua Que me cala Não permite A minha fala Só me permite saborear
Minha boca cala Mas mesmo sem usar letras Também fala Pelo meu beijo Em forma de gesto Tudo o que eu desejo Te demonstrar E a minha boca Não conseguiria declarar
Então, sua boca veio E a minha cala Mas, sim, fala Tudo o que precisamos ouvir.
61
Arrepios
Você é como uma música boa Que começa a tocar no rádio De repente E traz aquele arrepio gostoso Descendo pela espinha Levantando todos os pêlos
Você é aquela brisa do mar Que refresca quando é o calor que domina Soprando bem devagar Causando aquele relaxamento Balançando meus cabelos
Você é aquela sensação quentinha De vestir um casaco num dia frio E se encolher debaixo das cobertas Pra se acolher Pra se esquentar
Você chega Você toca E arrepia Todos as partes que conseguem se arrepiar
É algo incontrolável Que meu corpo responde Sem pensar Você tem esse poder
É a água que mata a minha sede Que hidrata o meu corpo É o combustível vivo Que acende o meu fogo E deixa se alastrar
Continue causando A sensação Arrepiando meus poros Com suas mãos Arrepia até a alma Me encosta com a tua palma Arrebata Que nunca te direi "não".
87
Jantar (Primeira Vez)
Sexta feira Fim de expediente Você me convida Para um jantarzinho surpresa Tudo feito no seu apartamento Com direito à sobremesa
Duas taças Um vinhozinho Muitos sorrisos sob a mesa Entre uma garfada e outra Você olha discretamente Para a minha boca
Entre um gole e outro Você tira a minha roupa Com seus olhos insinuantes Pelo menos, por enquanto Achando que eu não ia observar Ou adivinhar A verdadeira intenção desse nosso jantar
Depois da gente brindar E a comida saborear Você diz que tem algo preparado Eu fiquei meio tensa Pois estava tudo no seu quarto
Você pediu para eu fechar os olhos Me guiou até chegar lá Ao abrir a porta, senti o clima de romance Que fez meu coração disparar
Dei de cara com velas vermelhas acesas Que deixaram um aroma agradável no ar No chão, rastros de pétalas de rosas Que terminavam em cima da cama Vi morangos com leite condensado No criado mudo E uma música gostosa Tocava ao fundo
Eu tive certeza Que tudo já havia sido Planejado de antemão Não foi à toa o convite surpresa Numa noite de sexta Tudo tinha uma razão Seria a primeira vez
Então, do saboroso jantar Partimos pra deliciosa sobremesa Que só foi terminar de manhã.
78
Sobremesa
Na minha vida eu já provei Pudins Pavês Tiramisù Petit gateau E até crème brûlée Mas nenhum doce desses Do mais simples Ao dos chefes franceses Se compara Ao gosto doce Do beijo da sua boca Não há nada igual.
184
Fantasia Textual
Tudo começou com um parágrafo
Um simples espaço
Quando tudo era vácuo
E a história se iniciou
Fomos escrever
Você me apresentou verbos
Um tanto quanto diferentes
Parte da minha vida eles não faziam
Eu nem sabia que existiam
Havia muitas vírgulas
Histórias mal contadas
Erros de português
Falta de concordância
Ah, mas você...
Trouxe tantas palavras
Me trouxe catarse
Onomatopéias
E interjeições
Caramba! Poxa vida!
Você me fez mudar
Criar um hábito diferente
Mudar pontos de vista
Para fazer a caneta dançar
Na folha pautada
Você, meu conto de fadas
A fantasia que eu sonhava em realizar
Textualmente me enlouquecendo
Com seu sarcasmo me satisfazendo
Com seu humor me preenchendo
Nunca pensei que poderia aguentar
Achei que não chegaria lá!
Ironia dessa vida
Eu que nunca coloquei ponto final em nada
Pois jamais consegui terminar
Tudo aquilo que eu começava
Ah, mas você...
Se tornou o sujeito preferido das minhas orações
E eu me coloquei nos predicados
Me fiz em rimas
Me transformei em pontos de exclamação
A cada declaração
Somos dois pontos: enamorados
Eu tento descrever
Tudo o que estou sentindo com você
Minha mente viaja
Eu não paro mais de escrever
Cada beijo seu
Vira um poema
Cada toque é poesia
Nessa minha textual fantasia
Na qual você sempre fez parte
Em inúmeras noites tão vazias
Ah, você...
Me ajudando a escrever
Mudando o pronome
Fazendo o "eu"
Virar "nós"
E não vejo a hora de ficarmos a sós
Para que não haja pontas soltas nessa história
De dois personagens
Com tanto para viver
Inventar e criar
Para amar e celebrar
Amar...
O tal verbo que sempre quis conjugar
Sempre presente em meus textos
Você me fez sentir
Então, chega de me prolongar
Na minha loucura de linguagem
Dessa fantasia textual
Você é meu
E ponto final.
85
Perdida
Eu estou perdida Perdida nos sussuros que saem da sua boca indecente Ao meu pé do ouvido Perdida nas palavras doces Mescladas às coisas safadas e quentes Que vem da sua voz envolvente Alternando com beijos suaves E seus gemidos mais ardentes
Eu estou perdida No seu olhar apimentado Delineando as curvas do meu corpo suado Com suas pupilas dilatadas Observando o visual dos nossos movimentos Que a meia luz proporciona Dentro do seu quarto
Eu estou perdida No seu toque apaixonado Que causa umas sensações Beirando o inexplicável Que a minha boca Entreaberta Não conseguiria falar Pois eu também não consigo segurar O que está acumulado
Eu estou perdida Mergulhada no seu prazer Alucinada Pois eu sei que também faço você tremer E você enlouquece Com as minhas unhas arranhando você Não conseguimos conter
Eu estou perdida Sem saber onde eu começo E você termina Pra ser honesta, nem quero saber Quero me perder todo o dia Me entregar intensamente Memorizando tudo o que estou vivendo com você
Deleite-se Deite-me Na sua cama Faça-me perder o caminho Pra eu nunca mais voltar de onde eu vim.
362
Amor no Rádio
Eu quero te mandar aquela música do Vercilo Falar pra você vir me beijar, meu doce vampiro Como citou a Rita Lee Satisfazer sua vontade e também me saciar Como cantou Lulu Cuidar bem de você, meu amor Sendo quem for Como Paralamas me lembrou
Eu ouço nosso amor no rádio Ele tem sabor de fruta mordida E quem disse foi Cazuza Até parece que ele já nos conhecia Eu quero me encostar na tua Como mencionou Ana Carolina Ah, amor, meu grande amor Ao contrário do que Barão Vermelho cantou Chegue na hora marcada Você tem a minha paixão E as minhas palavras
Quero um amor maior que eu Assim como Jota Quest eternizou E sei que você pode me complementar Quero ler em seu rosto uma mensagem de amor E matar essa vontade de te encontrar Vamos escrever a nossa própria música Sem precisar plagiar Sejam as ideias, as frases, os temas
Teremos nossa canção exclusiva Pra cantar através dos anos Para filhos, netos e outros tantos Porque o amor é lindo, sim Feio é quem não sabe interpretar E dançar a sua melodia.
113
Tempo
Se tudo nessa vida tem o seu tempo Que haja tempo Que chegue o tempo Da gente se encontrar Da gente se apaixonar E viver o nosso próprio tempo Que demorou a chegar
Se tudo nesse mundo tem o seu tempo Ande logo, tempo! Eu rezo por esse momento Pra gente poder se amar Pra gente dar as mãos e caminhar
Se tudo nesse universo tem o seu tempo Venha logo, tempo! Que sempre haja tempo Que estando ao seu lado O tempo demore bastante a passar
Que um segundo seja um ano Que cada beijo dure para sempre Que seus olhos morem nos meus E tempo, tempo, tempo Como já citou Caetano Vou te fazer um pedido: Não se atrase! E trate de tardar a passar Quando o meu amor se apresentar
Mas o certo é que estaremos juntos Unidos, sendo melhores amigos Assim que nosso momento chegar E eu vou poder dizer que encontrei O que o tempo todo Eu sempre procurei.
234
Barco
Barco Ancorado no cais Jamais saiu do lugar Tem medo do caos que vai encontrar Se atravessar o alto mar
Barco Sabe que há marés E que elas viram a qualquer momento Sabe que há ressaca Também sabe da mudança dos ventos E que é preciso mudar a posição das velas Para continuar a navegar
Barco É preciso saber para onde ir Antes mesmo de sair Sem um rumo definido As ondas podem levar a qualquer lugar Se não tiver um objetivo
Parado onde está É tudo mais certo e seguro Não há perigo para enfrentar Mas no cais Não há nada diferente para descobrir Muito menos paraíso a desbravar
Barco Dias e noites passaram Nunca virou a bombordo Nem a estibordo Uma leve crosta criou-se a sua volta Castigo por não sair do lugar
Barco Solte suas cordas Você não foi construído Para ficar onde está Há rios, mares Oceanos infinitos Para poder velejar Tenha coragem de sair do lugar!
Um notável texto de sua autoria Poeta PATY LEITE, bom dia! Li este seu texto “PEIXE FORA D’ÁGUA” e gostei bastante de sua forma de se expressar. Você é uma daquelas pessoas que sabem o que, e do que está falando. Mesmo sendo agente literário, e prestando serviços para várias editoras, recentemente publiquei alguns de meus escritos em uma antologia produzida pela Editora Palavra é Arte. O sistema que eles utilizam para o edição de livros é algo inédito. Nós autores não gastamos nada com produção da obra. Os exemplares nos são disponibilizados no sistema de venda consignada. Isto quer dizer que se alguns exemplares não forem vendidos, podemos devolvê-los, e estes serão doados a bibliotecas públicas e presídios, inclusive das cidades onde moramos. Como gostei muito da forma como você escreve, pedi permissão à editora para convidar você e mais oito outros autores, para participarem de uma das próximas edições. Se um de seus objetivos quanto à Literatura é ter seus textos publicados em forma de livro impresso, acredito que esta seja uma boa oportunidade. Por isto peço permissão para que façam contato com você e lhe enviem o material referente à publicação. Espero que desta forma, eu esteja retribuindo a sua amizade. Se for dar resposta a esta minha mensagem, gostaria de pedir-lhe que, por gentileza, envie sua resposta para o meu e-mail pessoal que é este: [email protected] Um abraço fraterno, Marc Burnier