paty_leite

paty_leite

n. 1990 BR BR

Escrevo por amorEscrevo para dar vazãoAos sentimentos que viram palavrasQue vêm do meu coração.

n. 1990-05-24, Rio de Janeiro, RJ

Perfil
11 342 Visualizações

Perdida

Eu estou perdida
Perdida nos sussuros que saem da sua boca indecente
Ao meu pé do ouvido
Perdida nas palavras doces 
Mescladas às coisas safadas e quentes
Que vem da sua voz envolvente
Alternando com beijos suaves
E seus gemidos mais ardentes

Eu estou perdida
No seu olhar apimentado
Delineando as curvas do meu corpo suado
Com suas pupilas dilatadas
Observando o visual dos nossos movimentos
Que a meia luz proporciona
Dentro do seu quarto

Eu estou perdida
No seu toque apaixonado
Que causa umas sensações
Beirando o inexplicável
Que a minha boca
Entreaberta
Não conseguiria falar
Pois eu também não consigo segurar
O que está acumulado

Eu estou perdida
Mergulhada no seu prazer
Alucinada
Pois eu sei que também faço você tremer
E você enlouquece
Com as minhas unhas arranhando você
Não conseguimos conter

Eu estou perdida
Sem saber onde eu começo
E você termina
Pra ser honesta, nem quero saber
Quero me perder todo o dia
Me entregar intensamente
Memorizando tudo o que estou vivendo com você

Deleite-se
Deite-me
Na sua cama
Faça-me perder o caminho
Pra eu nunca mais voltar de onde eu vim.
Ler poema completo

Poemas

11

Ausência

O quarto não está vazio
Já mudei os móveis de lugar
Trouxe umas roupas minhas
Uns sapatos e outras coisas
Para de outro jeito arrumar
Trouxe um espelho
E uma cadeira pra se sentar

O quarto não está vazio
O armário ainda está
Pelo menos, por enquanto
Ainda estamos arrumando
O espaço que você deixou

O quarto não está vazio
Mas por que então
Eu só sinto o peso da ausência
Ocupando o  meu coração?

Eu não queria arrumar o quarto de outra forma
Ou trazer minhas coisas pra cá
Não queria doar suas roupas
Sua cama, seu colchão
Queria que você estivesse aqui pra usar

Pra sorrir, fazer fotos
Com os filhos, netos, bisnetos
Aproveitar a vida e se divertir
Até há pouco tempo atrás
Foi o Natal
Que passou e eu nem vi

O quarto foi rearrumado
Mas tudo o que eu consigo sentir
É a ausência
Você não está mais aqui

Não importa quantos móveis eu coloque
Ou o que eu mude de lugar
Você não está mais aqui
Pra me dizer: “Deus abençoe”
Antes de eu dormir

O quarto pode não estar vazio
Mas a sensação é de que tudo está
O apartamento não é mais o mesmo
E nem nada mais será.



Poema dedicado à minha amada vózinha que me deixou… Só fisicamente. Em espírito, ela continua aqui. Eu te amo, vó.
54

Cala

Minha boca cala
Não consegue dizer nada
Mais nenhuma palavra

Minha boca cala
Não permite nem que eu minta
Minha boca agora
Só sente o gosto
Da sua língua
Que me cala
Não permite
A minha fala
Só me permite saborear

Minha boca cala
Mas mesmo sem usar letras
Também fala
Pelo meu beijo
Em forma de gesto
Tudo o que eu desejo 
Te demonstrar
E a minha boca
Não conseguiria declarar

Então, sua boca veio
E a minha cala
Mas, sim, fala
Tudo o que precisamos ouvir.
61

Arrepios

Você é como uma música boa
Que começa a tocar no rádio
De repente
E traz aquele arrepio gostoso
Descendo pela espinha
Levantando todos os pêlos

Você é aquela brisa do mar
Que refresca quando é o calor que domina
Soprando bem devagar
Causando aquele relaxamento
Balançando meus cabelos

Você é aquela sensação quentinha
De vestir um casaco num dia frio
E se encolher debaixo das cobertas
Pra se acolher
Pra se esquentar

Você chega
Você toca
E arrepia
Todos as partes que conseguem se arrepiar

É algo incontrolável
Que meu corpo responde
Sem pensar
Você tem esse poder

É a água que mata a minha sede
Que hidrata o meu corpo
É o combustível vivo
Que acende o meu fogo
E deixa se alastrar

Continue causando
A sensação
Arrepiando meus poros
Com suas mãos
Arrepia até a alma
Me encosta com a tua palma
Arrebata
Que nunca te direi "não".
87

Jantar (Primeira Vez)

Sexta feira
Fim de expediente
Você me convida
Para um jantarzinho surpresa
Tudo feito no seu apartamento
Com direito à sobremesa

Duas taças
Um vinhozinho
Muitos sorrisos sob a mesa
Entre uma garfada e outra
Você olha discretamente
Para a minha boca

Entre um gole e outro
Você tira a minha roupa
Com seus olhos insinuantes
Pelo menos, por enquanto
Achando que eu não ia observar
Ou adivinhar
A verdadeira intenção desse nosso jantar

Depois da gente brindar
E a comida saborear
Você diz que tem algo preparado
Eu fiquei meio tensa
Pois estava tudo no seu quarto

Você pediu para eu fechar os olhos
Me guiou até chegar lá
Ao abrir a porta, senti o clima de romance
Que fez meu coração disparar

Dei de cara com velas vermelhas acesas
Que deixaram um aroma agradável no ar
No chão, rastros de pétalas de rosas
Que terminavam em cima da cama
Vi morangos com leite condensado
No criado mudo
E uma música gostosa
Tocava ao fundo

Eu tive certeza
Que tudo já havia sido
Planejado de antemão
Não foi à toa o convite surpresa
Numa noite de sexta
Tudo tinha uma razão
Seria a primeira vez

Então, do saboroso jantar
Partimos pra deliciosa sobremesa
Que só foi terminar de manhã.
78

Sobremesa

Na minha vida eu já provei
Pudins
Pavês
Tiramisù
Petit gateau
E até crème brûlée
Mas nenhum doce desses
Do mais simples
Ao dos chefes franceses
Se compara
Ao gosto doce
Do beijo da sua boca
Não há nada igual.
184

Fantasia Textual

Tudo começou com um parágrafo

Um simples espaço

Quando tudo era vácuo

E a história se iniciou

Fomos escrever

Você me apresentou verbos

Um tanto quanto diferentes

Parte da minha vida eles não faziam

Eu nem sabia que existiam

Havia muitas vírgulas

Histórias mal contadas

Erros de português

Falta de concordância

Ah, mas você...

Trouxe tantas palavras

Me trouxe catarse

Onomatopéias

E interjeições

Caramba! Poxa vida!

Você me fez mudar

Criar um hábito diferente

Mudar pontos de vista

Para fazer a caneta dançar

Na folha pautada

Você, meu conto de fadas

A fantasia que eu sonhava em realizar

Textualmente me enlouquecendo

Com seu sarcasmo me satisfazendo

Com seu humor me preenchendo

Nunca pensei que poderia aguentar

Achei que não chegaria lá!

Ironia dessa vida

Eu que nunca coloquei ponto final em nada

Pois jamais consegui terminar

Tudo aquilo que eu começava

Ah, mas você...

Se tornou o sujeito preferido das minhas orações

E eu me coloquei nos predicados

Me fiz em rimas

Me transformei em pontos de exclamação

A cada declaração

Somos dois pontos: enamorados

Eu tento descrever

Tudo o que estou sentindo com você

Minha mente viaja

Eu não paro mais de escrever

Cada beijo seu

Vira um poema

Cada toque é poesia

Nessa minha textual fantasia

Na qual você sempre fez parte

Em inúmeras noites tão vazias

Ah, você...

Me ajudando a escrever

Mudando o pronome

Fazendo o "eu"

Virar "nós"

E não vejo a hora de ficarmos a sós

Para que não haja pontas soltas nessa história

De dois personagens

Com tanto para viver

Inventar e criar

Para amar e celebrar

Amar...

O tal verbo que sempre quis conjugar

Sempre presente em meus textos

Você me fez sentir

Então, chega de me prolongar

Na minha loucura de linguagem

Dessa fantasia textual

Você é meu

E ponto final.
85

Perdida

Eu estou perdida
Perdida nos sussuros que saem da sua boca indecente
Ao meu pé do ouvido
Perdida nas palavras doces 
Mescladas às coisas safadas e quentes
Que vem da sua voz envolvente
Alternando com beijos suaves
E seus gemidos mais ardentes

Eu estou perdida
No seu olhar apimentado
Delineando as curvas do meu corpo suado
Com suas pupilas dilatadas
Observando o visual dos nossos movimentos
Que a meia luz proporciona
Dentro do seu quarto

Eu estou perdida
No seu toque apaixonado
Que causa umas sensações
Beirando o inexplicável
Que a minha boca
Entreaberta
Não conseguiria falar
Pois eu também não consigo segurar
O que está acumulado

Eu estou perdida
Mergulhada no seu prazer
Alucinada
Pois eu sei que também faço você tremer
E você enlouquece
Com as minhas unhas arranhando você
Não conseguimos conter

Eu estou perdida
Sem saber onde eu começo
E você termina
Pra ser honesta, nem quero saber
Quero me perder todo o dia
Me entregar intensamente
Memorizando tudo o que estou vivendo com você

Deleite-se
Deite-me
Na sua cama
Faça-me perder o caminho
Pra eu nunca mais voltar de onde eu vim.
362

Amor no Rádio

Eu quero te mandar aquela música do Vercilo
Falar pra você vir me beijar, meu doce vampiro
Como citou a Rita Lee
Satisfazer sua vontade e também me saciar
Como cantou Lulu
Cuidar bem de você, meu amor
Sendo quem for
Como Paralamas me lembrou

Eu ouço nosso amor no rádio
Ele tem sabor de fruta mordida
E quem disse foi Cazuza
Até parece que ele já nos conhecia
Eu quero me encostar na tua
Como mencionou Ana Carolina 
Ah, amor, meu grande amor
Ao contrário do que Barão Vermelho cantou
Chegue na hora marcada
Você tem a minha paixão
E as minhas palavras

Quero um amor maior que eu
Assim como Jota Quest eternizou
E sei que você pode me complementar
Quero ler em seu rosto uma mensagem de amor
E matar essa vontade de te encontrar
Vamos escrever a nossa própria música
Sem precisar plagiar
Sejam as ideias, as frases, os temas

Teremos nossa canção exclusiva
Pra cantar através dos anos
Para filhos, netos e outros tantos
Porque o amor é lindo, sim
Feio é quem não sabe interpretar
E dançar a sua melodia.
113

Tempo

Se tudo nessa vida tem o seu tempo
Que haja tempo
Que chegue o tempo
Da gente se encontrar
Da gente se apaixonar
E viver o nosso próprio tempo
Que demorou a chegar


Se tudo nesse mundo tem o seu tempo
Ande logo, tempo!
Eu rezo por esse momento
Pra gente poder se amar
Pra gente dar as mãos e caminhar


Se tudo nesse universo tem o seu tempo
Venha logo, tempo!
Que sempre haja tempo
Que estando ao seu lado
O tempo demore bastante a passar


Que um segundo seja um ano
Que cada beijo dure para sempre
Que seus olhos morem nos meus
E tempo, tempo, tempo
Como já citou Caetano
Vou te fazer um pedido:
Não se atrase!
E trate de tardar a passar
Quando o meu amor se apresentar


Mas o certo é que estaremos juntos
Unidos, sendo melhores amigos
Assim que nosso momento chegar
E eu vou poder dizer que encontrei
O que o tempo todo
Eu sempre procurei.
234

Barco

Barco
Ancorado no cais
Jamais saiu do lugar
Tem medo do caos que vai encontrar
Se atravessar o alto mar

Barco
Sabe que há marés
E que elas viram a qualquer momento
Sabe que há ressaca
Também sabe da mudança dos ventos
E que é preciso mudar a posição das velas
Para continuar a navegar

Barco
É preciso saber para onde ir
Antes mesmo de sair
Sem um rumo definido
As ondas podem levar a qualquer lugar
Se não tiver um objetivo

Parado onde está
É tudo mais certo e seguro
Não há perigo para enfrentar
Mas no cais
Não há nada diferente para descobrir
Muito menos paraíso a desbravar

Barco
Dias e noites passaram
Nunca virou a bombordo
Nem a estibordo
Uma leve crosta criou-se a sua volta
Castigo por não sair do lugar

Barco
Solte suas cordas
Você não foi construído
Para ficar onde está
Há rios, mares
Oceanos infinitos
Para poder velejar
Tenha coragem de sair do lugar!

Barco! Viaje!
Há muitas milhas você pode chegar.
133

Comentários (3)

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Rosangela
Rosangela

Muito bom

jhuddy

lindo poema

Michel Gailard

Um notável texto de sua autoria Poeta PATY LEITE, bom dia! Li este seu texto “PEIXE FORA D’ÁGUA” e gostei bastante de sua forma de se expressar. Você é uma daquelas pessoas que sabem o que, e do que está falando. Mesmo sendo agente literário, e prestando serviços para várias editoras, recentemente publiquei alguns de meus escritos em uma antologia produzida pela Editora Palavra é Arte. O sistema que eles utilizam para o edição de livros é algo inédito. Nós autores não gastamos nada com produção da obra. Os exemplares nos são disponibilizados no sistema de venda consignada. Isto quer dizer que se alguns exemplares não forem vendidos, podemos devolvê-los, e estes serão doados a bibliotecas públicas e presídios, inclusive das cidades onde moramos. Como gostei muito da forma como você escreve, pedi permissão à editora para convidar você e mais oito outros autores, para participarem de uma das próximas edições. Se um de seus objetivos quanto à Literatura é ter seus textos publicados em forma de livro impresso, acredito que esta seja uma boa oportunidade. Por isto peço permissão para que façam contato com você e lhe enviem o material referente à publicação. Espero que desta forma, eu esteja retribuindo a sua amizade. Se for dar resposta a esta minha mensagem, gostaria de pedir-lhe que, por gentileza, envie sua resposta para o meu e-mail pessoal que é este: [email protected] Um abraço fraterno, Marc Burnier