Paulo Jorge

Paulo Jorge

n. 1970 PT PT

A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.

n. 1970-07-17, Lisboa

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Nascido





Jamais me esquecerei,

Que me fizeram,

Nascer um Dia,

Simplesmente,

Infindável.



Lx, 18-7-2000
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Biografia
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“ Poesia Eterna Parte I”
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A poesia fatalista e decadentista é um exemplo sublime da exaltação da morte em todo o seu esplendor, e desde sempre eu retiro satisfação pessoal deste saborear tétrico da vida.

Poemas

18

Musa Divina


Musa divina envolvente e pura,
Inclui-me nos teus sonhos de mulher,
Luxúria de perfumes e carne prematura,
Do teu regaço brotem rosas para só eu colher.

Desejo saborear teus lábios maduros,
Pelo Sol radioso de mil Primaveras,
O vento trespassa teus cabelos dourados,
Desnudando teu rosto de mil quimeras.

Teus olhos de verde-esmeralda,
Enfeitiçaram-me eternamente,
Meu coração está cativo minha fada,
Liberta-me e recebe meu fogo envolvente.

Deleito-me com a tua figura esbelta,
Recortada onde quer que passes serena,
Curvilínea com formas de mulher feita,
Desejar-te-ei continuamente minha pequena.

Deixa-me desflorar-te todos os dias meu amor,
Embalar-te em meus braços até dormires,
Partilhar contigo todo o teu fervor,
Idolatrar-te para sempre até partires.

Lx, 16-5-1995
690

Alienados


Jantares corridos,
Sob silêncios enaltecidos,
Encarcerados para sempre,
Cativos pelo Luar,
Vozes ecoam a soar,
Fora de abrigos,
São chilreios entristecidos.


Acordo embriagado,
Pela cabeça pendurado,
Degolado para sempre,
Puzzle dum último patamar,
Esquecido para amar,
Desprotegido sem afago,
Vestiram-me de camuflado.


Sons dum rio a chapinhar,
Avivam-me como um troar,
Por mim desfalecido chamam,
Andorinhas vagueiam nas margens,
Os campos parem verdes vagens,
Dissolvo-me em fétido ar,
A Natureza insiste em me purificar.

Lx, 13-4-1995
679

Contemplando


No cimo dum cume contemplo,
A paisagem enche-me a alma,
O Sol beija o granito do templo,
O vento acorda a seara calma,

Inspiro profundamente a brisa pura,
Deleito-me com os odores doces no ar,
Confundo-me com o Todo que perdura,
A água dos ribeiros anseia pelo mar.

As nuvens esbatem-se nas colinas,
Como um teatro velho de sombras,
As personagens são tão antigas,
Repara bem Deus não te lembras.

Começa a chover cada vez mais,
Os pardais albergam-se onde podem,
As crias desaparecem nos matagais,
Nos rios correntes de água sobem.

O vento esmorece e a noite cai,
A tempestade já lá vai e o sono vem,
A Lua calma resplandecente sai,
E embala-me ao relento num vai vem.

Lx, 25-10-1999
580

O Último Baile


Tristes valsas dançantes,
Violinos tocam sonantes,
Bailarinos bailem, bailem,
A última dança, a do Além.

A sala do baile esvaziou,
O anfitrião sussurrou,
Violinos calaram-se roucos,
As portas fecharam-se aos poucos.

A festa acabou há muito tempo,
O salão arruinado com o tempo,
Os foliões finaram-se há tempos,
Esquecidos ao longo dos tempos.

Que bom saber ao nascer,
Saber-mos ir morrer,
Todos os dias um pouco mais,
E não haver excepção aos demais.

Lx, 22-10-1999
617

Vida


Vida anunciada,
Por todos desejada,
Sorte almejada,
Nasceu amparada,
Cresce idolatrada,
Bem tratada,
Brinca endiabrada,
Bem acompanhada,
Sonha acordada,
Face dourada,
Acorda frustrada,
Consciencializada,
Dorme assustada,
Mente esvaziada,
Vida atormentada,
Chora cansada,
Raiva amargurada,
Grita silenciosa,
Alma viciada,
Trepidez idealizada,
Razão esgotada,
Saudade apagada,
Pele encrespada,
Esquecida ultrajada,
Mingua definhada,
Pelo mundo usada,
Por Deus enganada,
Padece angustiada,
Morte anunciada,
Por todos esperada,
Livre desencarcerada,
Vazia eternizada.

Lx, 19-9-1999
711

A Vida Por Um Fio


Ansioso por ver o tempo escoar,
Desconfiado por ele me vir a faltar,
Desconheço o meu futuro próximo,
Sei que não darei o meu máximo.

A vida desvanece corporeamente,
Concisa, lenta e impiedosamente,
Não tenho saudades para reter,
Mas choros ébrios latentes a tecer.

Deixei passar tudo ao meu lado,
Dei o destino como um achado,
Porfiarei só a caminho do eterno,
Não cobiçarei um só coração terno.

Sons ecoam na mente inebriante,
Delicados e suaves com semblante,
Estonteiam-me a alma fugaz e vil,
Enlouquecem-me o espírito senil.

Deixei o tempo correr impiedoso,
Já se cumpriu o meu ser lastimoso,
Sentado na tumba espero recolher,
À noite a espera fez-me entristecer.

Lx, 20-6-1999
649

A Ti


Ao contemplar-te,
Fiquei encantado,
Ao ouvir-te,
Fiquei inspirado.

Como ficarei ao tocar-te,
Talvez um petiz,
Como estarei ao sentir-te,
Talvez feliz.

Não te conheço,
Não me conheces,
Tentar juntos um começo,
São Deus as minhas preces.

Idolatrar-te como Rainha,
Só por mim cobiçada,
Morreria contigo minha andorinha,
Doce alma ao vento seria lançada.

Lx, 22-9-1996
739

A Alguém Querido


Agrada-me o teu largo sorriso gratuito,
Capaz de quebrar o coração mais duro,
Acompanhado dum meigo olhar fortuito,
Faz exalar mil Primaveras de ar puro.

Quando entristeces o Sol encobre-se,
Faz-se sombra e as cores esvaem-se,
As andorinhas vão como de Outono se tratasse,
As flores morrem como se o Inverno chegasse,

Continua a cantarolar músicas de Verão,
Quentes e românticos fados de Amor,
As tuas palavras inocentes perdurarão,
Nos meus ouvidos em momentos de dor.

Que prazer me dás ao saíres desoprimida,
Ver-te libertina depois de enclausurada,
Esvoaçares bem alto como ave de rapina,
Planando lá longe pelo vento libertada.

Ao mesmo tempo que pena te ver partir,
Deixar de te poder contemplar enamorado,
Nunca mais irá meu penoso coração florir,
Com saudades do teu olhar servil encantado.

Lx, 4-8-1996
755

Anónima


Espero ansioso pelo raiar do dia,
Só nasce quando surges no horizonte,
Radiosa e quente com o sol à porfia,
Misteriosa como o luar no monte.

Exalas ao passar doces fragrâncias,
Das mais lindas flores do campo,
Tens o sorriso leve de mil infâncias,
Que guardarei na alma ao longo do tempo.

Exaltas-me os sentidos quando te observo,
Tão calma e serena de gestos tão meigos,
Cativaste meu coração para sempre teu servo,
Encarnaste em ti toda a filosofia dos gregos.

Tenho passado a vida a te procurar,
Paro e escuto para te ouvir a sonhar,
O próximo indignado irá vociferar,
Mas eu apenas e só te queria amar.

Lx, 21-4-1996
767

Para Ti


Com um simples sorriso rasgado teu,
Afastas de mim o negrume mais denso,
Da noite soturna onde minha alma se perdeu,
Ao teu lado sonho estar num jardim suspenso.

Com um simples beijo adocicado teu,
Desabrochas a Primavera no meu coração,
Com um toque de mágica assim nasceu,
O nosso amor hipnótico tão intenso em vão.


Lx, 15-1-1996
646

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